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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A GRANDE EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS DE 1940

Grandes Eventos
A GRANDE EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS DE 1940
Uma rara cópia de um magnífico documentário realizado por António Lopes Ribeiro sobre a Exposição do Mundo Português que decorreu em Lisboa, na zona de Belém, de 23 de Junho a 2 de Dezembro de 1940. O objectivo deste evento foi de comemorar a Fundação do Estado Português (1140) e, em simultâneo, a Restauração da Independência (1640). Infelizmente, e para que houvesse espaço para a exposição, no final dos anos 30 toda a área foi alvo de uma profunda intervenção . Ocorreram grandes demolições no centro histórico de Belém; desapareceram quarteirões inteiros, largos, feiras, jardins, fábricas, lojas de pequeno comércio, assim como o Mercado de Belém. 
Da exposição em si pouco chegou até aos nossos dias, uma vez que a maioria das construções foi feita utilizando propositadamente materiais frágeis, nomeadamente gesso, com o intuito de serem demolidas após o término do evento. Inclusivé o Padrão dos Descobrimentos que hoje existe é uma reconstrução que data de 1960 (o original, que surge nestas imagens, foi construído com base numa frágil estrutura de aço). 
Tenha-se ou não simpatia pelo regime da época, são memórias que interessa preservar. E é bom sentir um pouco de orgulho em ser Português, um país tão desmoralizado e sem rumo nos dias de hoje...!!!
Poderá ainda consultar a informação escrita, com pormenores acerca da exposição e visitar a galeria de fotografias da Exposição, efectuadas na época e que nos revelam a grande beleza e interesse do evento.

Áudio: Português
Fontes: YouTube - Wikipédia - Biblioteca da Arte da Fundação Calouste Gulbenkian








Exposição do Mundo Português


Bandeira da Exposição
 
A Exposição do Mundo Português (23 de Junho — 2 de Dezembro de 1940) foi uma exposição realizada em Lisboa em 1940.
Historicamente coincidente com o primeiro ano da Segunda Guerra Mundial, teve o propósito de comemorar a data da Fundação do Estado Português (1140) e da Restauração da Independência (1640), mas, também (e esse seria o objetivo primordial), de celebrar o Estado Novo, então em fase de consolidação. Foi a maior exposição do seu género realizada no país até à Expo 98 (1998).

História

Génese

Eduardo Anahory, capa do Guia oficial da Exposição
 
A ideia de celebrar o duplo centenário da Fundação e da Restauração da nacionalidade (1140 e 1640) que esteve na origem da Exposição do Mundo Português foi lançada em 1929 pelo embaixador Alberto de Oliveira; seria assumida em Março de 1938 por Salazar através de uma Nota Oficiosa da Presidência do Conselho onde se fixava, com alguma minúcia, o programa das comemorações. A exposição surgiu na sequência da participação portuguesa nas grandes Exposições Internacionais de Paris (1937), Nova Iorque e S. Francisco (1939).1
A mostra teve lugar num período de consolidação do Estado Novo, assumindo então, no que respeita aos recursos materiais e humanos, uma dimensão inédita, tornando-se no acontecimento político-cultural mais marcante do Regime. "O empenho político nas comemorações resulta da compreensão do que estava em jogo: passar ao ato (em forma de comemoração) a consagração pública de uma legitimidade representativa própria, desta feita, eminentemente ideológica e histórica. [...] Esforçou-se o Estado Novo por associar os traços mais marcantes do seu nacionalismoautoritarismo, elitismo, paternalismo, conservadorismo – a um passado mítico legitimador do presente. [...] Corolário de uma «política de espírito», lançada na década anterior pelo audacioso diretor do Secretariado de Propaganda Nacional, António Ferro, assiste-se à mais conseguida conciliação da arte com a política no Estado Novo"2 . A opção estética adotada nas comemorações provocou críticas violentas por parte dos artistas académicos, liderados pelo Coronel Arnaldo Ressano Garcia (presidente da Sociedade Nacional de Belas-Artes), e que ficariam maioritariamente à margem do evento3 .
A comissão nacional foi presidida por Alberto de Oliveira, secretariada por António Ferro, integrando um vasto número de personalidades da vida pública nacional. A comissão executiva foi presidida por Júlio Dantas, tendo como secretário-geral António Ferro. A comissão especial foi dirigida por Augusto de Castro (Comissário-Geral), secundado por Sá e Melo (Comissário-Geral-Adjunto)4 , tendo Cottinelli Telmo como Arquiteto-Chefe. Gustavo de Matos Sequeira encarregou-se da coordenação histórica, José Leitão de Barros dos serviços externos e Gomes de Amorim do ajardinamento dos espaços. Acontecimento nacional, prolongado em congressos, cerimónias e espetáculos vários, a exposição incluiu pavilhões temáticos relacionados com a história de Portugal, suas atividades económicas, cultura, regiões e territórios ultramarinos, e o pavilhão do Brasil (o único país estrangeiro presente). 1

A exposição

Planta da Exposição
 
Situado entre a margem direita do rio Tejo e o Mosteiro dos Jerónimos, o evento ocupou uma área de cerca de 560 mil metros quadrados e implicou a renovação urbana da zona ocidental de Lisboa. O local era particularmente favorável ao efeito teatral desejado, criando-se desde logo uma monumental Praça do Império (atual Jardim da Praça do Império), ladeada a nascente e poente por dois grandes pavilhões longitudinais perpendiculares ao mosteiro quinhentista: o Pavilhão de Honra e de Lisboa (de Luís Cristino da Silva) e, do outro lado, o Pavilhão dos Portugueses no Mundo (do próprio Cottinelli Telmo).1
A entrada principal localizava-se na Praça Afonso de Albuquerque, junto ao Mosteiro dos Jerónimos; outras duas entradas, de ambos os lados da linha de caminho de ferro, faziam-se por portas agenciadas entre quatro construções quadrangulares tendo, nas faces principais, baixos relevos representando guerreiros medievais com grandes escudos1 5 . Atravessando a linha férrea através da passarela monumental encontrava-se a Secção Histórica, (Pavilhão da Formação e Conquista; Pavilhão da Independência; Pavilhão dos Descobrimentos; Esfera dos Descobrimentos). Do outro lado, situava-se o Pav. da Fundação, o Pav. do Brasil (país convidado para tal efeito), e o Pav. da Colonização. Atravessando o Bairro Comercial e Industrial, chegava-se perto do Mosteiro dos Jerónimos, à entrada da Secção Colonial. No canto precisamente oposto, um Parque de Atrações fazia a delícia dos mais novos. Descendo em direção ao rio Tejo, e para além do Pavilhão dos Portugueses no Mundo, a Secção de Etnografia Metropolitana, com o seu Centro Regional, contendo representações das Aldeias Portuguesas e os Pavilhões de Arte Popular. Por trás deste último pavilhão, encontrava-se o Jardim dos Poetas e o Parque Infantil. Frente ao rio Tejo, com as suas docas, um Espelho de Água com um restaurante abria o caminho para o Padrão dos Descobrimentos e para a Nau Portugal.

Padrão dos Descobrimentos, 1940 (1960)
 
Entre as obras de maior relevo destaque-se o Pavilhão da Honra e de Lisboa, que recebeu as melhores opiniões da crítica. Com 150 metros de comprimento por 19 de altura e uma imponente torre de 50 metros, este pavilhão traduziu o ideal arquitetónico historicista e revivalista que o Estado Novo tentava impor, tal como os outros regimes totalitários europeus então faziam. Do Pavilhão dos Portugueses no Mundo, com um risco mais simples, destacava-se a possante estátua da Soberania, de Leopoldo de Almeida, imagem de uma severa mulher couraçada, segurando a esfera armilar e apoiada num litor legendado com as partes do Mundo, em caracteres góticos.
O Padrão dos Descobrimentos, da autoria de Cottinelli e Leopoldo de Almeida, pretendia ilustrar a importância histórica dos descobrimentos. A estrutura do monumento representava, de modo esquemático, uma embarcação com três velas. Sobre um plano inclinado, ladeando o velame estilizado, duas sequências de figuras, lideradas, à proa, pelo timoneiro de todo o projeto expansionista português: o Infante D. Henrique. O padrão original foi construído em materiais perecíveis; viria a ser reconstruído em betão e cantaria de pedra, em 1960, por ocasião da comemoração dos 500 anos da morte do Infante. 1 6
A ideia da Nau Portugal partiu de Leitão de Barros e mostrou ser uma assinalável reconstituição do passado. Embora apelidada de nau, esta embarcação era na realidade a réplica de um galeão da carreira da Índia do século XVII. Foi construída nos estaleiros de Aveiro e saiu a primeira vez com destino a Lisboa em Julho, tombando minutos após a partida; com grandes esforços foi devolvida à posição vertical, acabando mais tarde por ser pilotada até Lisboa por marinheiros ingleses, sob a direção do comandante Spencer.7
Grande documentário da civilização cristã, exposição histórica e de afirmação do regime do Estado Novo, "ato de espírito e de arte notavelmente sustentado por uma plêiade de arquitetos, escultores, pintores e decoradores", a Exposição do Mundo Português culminou meia dúzia de anos de afirmação e estratégia política. Com ela se encerrou, de modo sistematizado, o primeiro modernismo nacional, que emergira por volta de 1915, arrastando-se ao longo de uns anos 20 provincianos, um modernismo que seria em parte afirmado, em parte negado, no período áureo da «Política do Espírito» de António Ferro e das suas Exposições de Arte Moderna do S.P.N.. O necessário «equilíbrio estético» defendido por Ferro devia materializar-se numa "nova fase de maturidade orientada para valores nacionalistas e folclóricos, com a recuperação ideológica, estilizada ou modernizada, de formas do passado nacional", princípios que marcaram grande parte da produção artística desse período, em particular a estatuária pública e a arquitetura (na arquitetura essa involução viria a gerar o estilo comumente apelidado Português Suave8 ).9
A exposição foi inaugurada a 23 de Junho de 1940 – já em plena Segunda Guerra Mundial –, pelo Chefe de Estado, Marechal Carmona, pelo Presidente do Conselho, Oliveira Salazar e pelo Ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco. O encerramento ocorreu a 2 de Dezembro desse mesmo ano. A exposição recebeu cerca de três milhões de visitantes, constituindo a mais importante iniciativa cultural do regime (regime este que enfrentaria a sua primeira crise política cinco anos mais tarde, com o fim da guerra e derrota dos regimes totalitários de Hitler e Mussolini). A maioria das edificações da exposição foi demolida ao seu término, restando apenas algumas, entre as quais o Monumento aos Descobrimentos e o edifício que hoje acolhe o Museu de Arte Popular.

Pavilhões / Iniciativas

Cristino da Silva, Pavilhão de Honra e de Lisboa
 
Arquitetura:
A estrutura da exposição foi assegurada por um grupo de arquitetos, quase todos de passado modernista, dirigido por Cottinelli Telmo (direção e planificação global; autor do Padrão dos Descobrimentos de parceria com Leopoldo de Almeida e do Pavilhão dos Portugueses no Mundo). Entre os 17 arquitetos que trabalharam no conjunto destaque-se ainda Cristino da Silva, autor do Pavilhão de Honra e de Lisboa, segundo José-Augusto França, "o melhor edifício da exposição – e talvez a melhor obra da maturidade de Cristino da Silva".5
Assinalem-se ainda: Porfírio Pardal Monteiro (Pavilhão dos Descobrimentos); Carlos Ramos (Pavilhão da Colonização); Veloso Reis (Pavilhão da Vida Popular); Jorge Segurado (núcleos das Aldeias Portuguesas); Raul Lino (Pavilhão do Brasil); Rodrigues Lima (3 pavilhões históricos: Pavilhão da Fundação, Pavilhão da Formação e Conquista, Pavilhão da Independência); etc.1
Pintura e Escultura:
Ao todo participaram 43 pintores, entre os quais os membros da equipa encarregue dos Pavilhões de Portugal nas Feiras Internacionais de Paris (1937), Nova Iorque e S. Francisco (1939): Fred Kradolfer, Bernardo Marques, Thomaz de Mello, Carlos Botelho, José Rocha, Emmerico Nunes, Paulo Ferreira. E também: Almada Negreiros, Jorge Barradas, Lino António, Martins Barata, Manuel Lapa, Sarah Afonso, Estrela Faria, Clementina Carneiro de Moura, Mily Possoz, etc.
Participaram 24 escultores de onde podem destacar-se Canto da Maia (grupo D. Manuel, Gama e Cabral; baixo-relevo na fachada do Pavilhão de Honra e de Lisboa) e Leopoldo de Almeida (estátua da Soberania; estatuária do Padrão dos Descobrimentos). E também: António da Costa, Barata Feyo, Ruy Gameiro, António Duarte, Martins Correia, João Fragoso, Raul Xavier, etc.1
E ainda:
  • Nau Portugal (reconstituição por Leitão de Barros, Martins Barata e Quirino da Fonseca).
  • De 31 de Janeiro de 1939 a Dezembro de 1940 foi publicada a Revista dos Centenários, que acompanhou a exposição e os acontecimentos com ela articulados ocorridos em todo o país (urbanizações, construção de estradas e pontes, restauros de monumentos, inaugurações de edifícios e estátuas, exposições de arte, congressos, publicações, cortejos, festas diversas).1


FOTOGRAFIAS DA EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS

CLIKE AQUI PARA VER A GALERIA DE FOTOS 

 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

PORTUGAL - ANOS 60 E AS MUDANÇAS SOCIAIS

Documentários
PORTUGAL - ANOS 60 E AS MUDANÇAS SOCIAIS
Uma fantástica viagem ao nosso País durante os anos 60. Um período em que estava em vigencia o Estado Novo e que nos permitirá ter uma visão de como o País era governado e de como funcionavam as instituições e a sociedade da época. Uma lembrança do Portugal que um dia fomos e que se perdeu irremediavelmente. Um Portugal cabeça de um glorioso império conquistado pelos nossos antepassados com suor e sangue, detentor de uma imensa riqueza étnica e cultural, derivada das colónias de Angola, Moçambique, India, Macau, Timor e do Continente, para que os nossos filhos e netos conheçam o que um dia esta Nação foi, e julguem e entendam o actual estado do nosso País. Um interesante documentário chamado "Portugal 1960's" da "Trans World Air Lines" - TWA, a famosa companhia aérea Norte Americana, efectuado na época,sobre Portugal, que servia de publicidade para os destinos aéreos dessa empresa e que nos permite também termos uma ideia de como o nosso País era visto no estrangeiro.
Poderá ainda ver algumas imagens referentes ao nosso País nessa década e por fim, poderá consultar o interessante documento "Mudança Social em Portugal, 1960/2000" elaborado pelo sociólogo Dr. António Barreto para o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Texto: Português
Áudio: Inglês
Fonte: TWA - Travel Film Archive - YouTube - Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa


IMAGENS DE PORTUGAL NOS ANOS 60:
 
    

    

 



DOCUMENTÁRIO
PORTUGAL 1960's :




INFORMAÇÃO ESCRITA
MUDANÇA SOCIAL EM PORTUGAL, 1960/2000 :
Um documento elaborado pelo Dr António Barreto e publicado pelo Instituto de Ciencias Sociais da Universidade de Lisboa.

Click aqui para consultar documento "Mudança Social em Portugal 1960/2000 


 

 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

VILARINHO DAS FURNAS 1971

Antropologia - Usos & Costumes de Portugal
VILARINHO DAS FURNAS 1971
Um excelente documentário realizado por António Campos em 1971,apreto e branco, que nos revela os usos e costumes de Vilarinho das Furnas, nas suas actividades do dia a dia, nos conflitos e nas festas,etc... que no fundo tem muitas semelhanças com as tradições mais profundas das populações do interior e do nosso Portugal mais profundo. Certamente é um óptimo documento para quem gosta de Antropologia.
Poderá ainda ver revelada a história e o enquadramento desta povoação. 

Texto: Português
Áudio: Português
Fonte: YouTube - Wikipédia





Vilarinho das Furnas


Ruínas da aldeia de Vilarinho das Furnas.
 
Vilarinho das Furnas (os furnenses1 , os povos da região2 e investigadores que estudaram a povoação chamam-lhe Vilarinho da Furna3 4 ) era uma aldeia da freguesia de Campo do Gerês, situada no concelho de Terras de Bouro, no distrito de Braga. Desde 1971 que esta aldeia está submersa pela albufeira da barragem de Vilarinho das Furnas.
Contudo, quando a barragem é esvaziada para limpeza ou quando desce o nível das águas em períodos de seca, podem ver-se ainda as casas, os caminhos e os muros da antiga aldeia.

Origens e Enquadramento Histórico

Vilarinho da Furna foi uma aldeia comunitária, cujas origens se perdem nas brumas da memória, desconhecendo-se a sua antiguidade. Nas Inquirições de 1220, de D. Afonso II, e de 1258, D. Afonso III, há referências à freguesia de São João do Campo, mas nada se encontra respeitante a Vilarinho da Furna. Mas, no Arquivo Distrital de Braga, encontra-se a primeira referência a Vilarinho, no Tombo da Igreja de São João do Campo, de 1540, bem como os Arquivos Paroquiais, a partir de 1623. Parece que chegou a ser uma freguesia autónoma do concelho de Terras de Bouro, tendo, posteriormente, passado a ser uma aldeia da freguesia de São João do Campo. E sabe-se que era a última povoação por que passava a célebre “Jeira” antes de entrar na Galiza, a antiga via militar de Braga a Astorga.
Na evolução humana, a organização comunitária corresponde a um ciclo cultural resultante da passagem do pastoreio nómada à agricultura sedentária. Em Vilarinho da Furna conservou-se, até 1971, uma organização comunitária bastante perfeita, o que denota a superioridade de uma economia que conjuga as potencialidades das economias pastoril e agrícola, sistema de organização comunitária, outrora muito espalhado na Europa.
Vilarinho da Furna deve filiar-se na cultura dos pastores e ganadeiros da Europa, povos indo-europeus que migraram de leste para oeste, em duas épocas. A primeira, em tempos pré-romanos, provavelmente formados por ramificações do povo celta. A segunda, por povos germânicos que invadiram a Península Ibérica aquando da queda do império Romano do Ocidente, nomeadamente Suevos.

Enquadramento Natural

A 4 Km da sede da freguesia, Campo do Gerês, a aldeia encontra-se agora submersa nas águas do rio Homem que a barragem contém. Num recanto praticamente isolado e perdido entre a Serra Amarela, a Norte e Poente, e a serra do Gerês, a Sul e Nascente, está ancorada entre o vale do Ribeiro das Furnas, onde pontuavam ramadas de vinha, a deslizar por uma encosta granítica, até se alargar em terrenos de aluvião muito férteis, onde se cultivava o milho, a batata e o feijão.
O casario distribuía-se predominantemente pelo sopé da Serra Amarela, virado a Nascente, e, portanto, protegido do Norte e Poente pela Serra Amarela, na margem direita do rio Homem. Do lado da margem esquerda do rio Homem, o terreno era mais arborizado, com pequenas faixas destinadas à pastagem do gado, fazendo parte da serra do Gerês.
Era antes da confluência do Ribeiro das Furnas com o rio Homem que se situava a aldeia. O rio apresentava aqui, onde o vale era mais largo, poços fundos e transparentes, onde, a pouca distância, havia cavernas ou furnas no granito, com grandes fendas e desprendimento de blocos.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

ORDEM MILITAR DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DE VILA VIÇOSA

Usos & Costumes de Portugal
ORDEM MILITAR DE Nª. SENHORA DA CONCEIÇÃO DE VILA VIÇOSA
Nossa Senhora da Conceição é a verdadeira Padroeira do Reino de Portugal, facto que muitos hoje desconhecem, pois o culto a Nossa Senhora de Fátima, que apenas se iniciou no séc. XX, assumiu maior protagonismo ao ser mais recente. No entanto o culto a Nª.Srª. da Conceição é bastante mais antigo. Com El Rei D. João IV, o Restaurador, o culto assume maior preponderância ao este entregar a sua coroa a Nª. Senhora e a proclamar padroeira do Reino, dando assim expressão ao forte culto e fé que os Portugueses já tinham de há muito pela Virgem. É a  partir de então, que os Reis de Portugal deixaram de usar a coroa real.

Aqui fica a breve história desta prestigiada Ordem Nacional, criada por D. João VI em 1818.

Texto: Português
Fonte: PPM



PADROEIRA DO REINO

Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa
D. João VI, ao ser aclamado Soberano do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, a 6 de fevereiro de 1818, criou esta Ordem para perpetuar a data e homenagear Nossa Senhora da Conceição, Padroeira do Reino desde 1646.
D. João tomou para si, e para os que sucedessem o trono, o título de Grão-Mestre, em igualdade de condições com as demais Ordens Militares. Esta Ordem, apesar do cunho religioso, era também militar.
Em reconhecimento e devoção à Padroeira do Reino, todas as pessoas da Família Real receberam a categoria de Grã-Cruzes efectivos. As grã-cruzes honorárias eram conferidas a pessoas que tivessem título de nobreza; as comendas, aos que tivessem filiação de fidalgo na Casa Real; e as insígnias de Cavaleiro, aos nobres e empregados que prestassem serviços ou merecessem a real contemplação do Rei.
Quando regressou a Portugal, D. João VI transferiu também os livros desta Ordem.
Insígnia: placa irradiada sobre a qual estão apostas nove pequenas estrelas brancas e, encimada por coroa real, estrela branca de nove pontas. Ao centro, medalhão redondo com as letras A e M entrelaçadas, em relevo, circundado por orla azul-ferrete com a legenda "PADROEIRA DO REINO". Fita e banda azul-claro, com orla branca.

Graus da Ordem: Cavaleiro, Comendador e Grã-cruz.




IMAGEM DA INSÍGNIA DE COMENDADOR DA ORDEM:
Penso ser esta a imagem da insígnia de Comendador da Real Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

Placa do Comendador da Real Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, 1825

sábado, 2 de agosto de 2014

A PROCISSÃO DO ENCONTRO - TERENA

Usos & Costumes de Portugal
A PROCISSÃO DO ENCONTRO - TERENA
Uma tradição Portuguesa bem antiga, que se celebra na Povoação de Terena no Alandroal, por terras do Alentejo.
Reza a história que nos campos de Terena, a formosissima Maria de Portugal, filha de D. Afonso IV, manda construir 1 templo dedicado a Sta. Maria, em agradecimento ao facto de D. Afonso IV ter apoiado seu genro, D. Afonso XII de Castella, na conquista de Sevilha, na famosa batalha do Salado. 
A romaria tem o seu ponto alto no Domingo de Pascoela, ao pôr do sol, onde Sta.Maria de Terena, sai pela porta do seu Santuário e ao som dos instrumentos musicais da bandaque a acompanha, dirige-se em direcção a Terena. A escuridão da noite é quebrada por um mar de velas acesas e uma enorme luz branca que é transportada aos ombros dos homens no silêncio da planície Alentejana.
Quando Stª. Maria chega ao cruzeiro do santuário, encontra-se com S. Pedro que vem de outro ponto também em procissão. Dá-se então uma reflexão oral orientada normalmente, pelo capelão e reitor do santuário, e as duas procissões, de origem tão diversas, caminham numa só fila, em direcção à Igreja Matriz de Terena.
Aqui ficam as imagens desta bela tradição Portuguesa e a história e lendas da Povoação.

Áudio: Português
Fonte: Rádio Campanário de Vila Viçosa - YouTube


ACTIVE ESTE LINK PARA VER AS IMAGENS 



HISTÓRIA E LENDA DE TERENA:







 
 
 
Terena é 1 freguesia portuguesa do concelho do Alandroal, com 82,95 km² de área e 859 habitantes (2001). Densidade: 10,4 hab/km². Tem o nome alternativo de São Pedro, sendo por vezes também conhecida como São Pedro de Terena.
Localizada no centro do concelho, a freguesia de Terena tem por vizinhos as freguesias de Nossa Senhora da Conceição a nordeste, Capelins a sueste e Santiago Maior a sudoeste, e os concelhos do Redondo a oeste e de Vila Viçosa a norte. É a 4ª freguesia do concelho em área, mas a 3ª em população e em densidade demográfica.

Terena - PortugalLocalidades

A freguesia inclui esta localidade e Hortinhas.

História

As origens da vila de Terena são muito antigas. O seu primeiro foral foi concedido no século XIII, sendo elaborado pelo Cavaleiro D. Gil Martins e sua mulher D. Maria João. Já no século XVI, em 10 de Outubro de 1514, o Rei D. Manuel I concedeu-lhe o Foral da leitura nova. A vila de Terena desempenhou um importante papel de defesa fronteiriça, através do seu castelo, que integrava a linha de defesa do Guadiana. No seu território desenvolveu-se desde tempos remotos o culto à Virgem Maria (possível fruto da cristianização de cultos pagãos), sendo o seu Santuário, hoje chamado da Boa Nova, já celebrado por Afonso X de Castela nas suas Cantigas de Santa Maria. O concelho de Terena, que abrangia as freguesias de Terena, Capelins e Santiago Maior, foi extinto em 1836, estando desde então integrado no concelho de Alandroal. O concelho tinha, de acordo com o recenseamento de 1801, 1 757 habitantes. Nos finais da década de 1970, foi construída nesta freguesia a Barragem do Lucefécit, que permitiu o desenvolvimento da agricultura de regadio nesta região. Nesta vila decorre anualmente, no Domingo e Segunda-Feira de Pascoela, a afamada e concorrida romaria de Nossa Senhora da Boa Nova.

Tradições

Lenda da Boa Nova

Conta a lenda que a "fermosíssima" Maria, a tal dos Lusíadas, princesa de Portugal, filha de D. Afonso IV, o Bravo, casada com o rei de Castela, veio com uma comitiva pedir auxílio ao pai a mando de seu marido que necessitava de travar a subida dos Mouros no seu território, mais concretamente no Salado. Só que também consta que o sogro não gostava muito dele por não ser um modelo de marido. Não há pai que goste de ver a sua filha humilhada e muito menos um rei. Depois do pedido de auxílio que não teve o resultado desejado, a "fermosíssima" saíu da corte e já estava nas imediações de Terena, quando chegou um emissário com a boa nova. Afinal o rei acabara por repensar o seu não e decidiu-se por ir em auxílio do seu pouco fiel genro. A princesa de Portugal e rainha de Castela num acto de agradecimento e profunda religiosidade prometeu logo ali mandar construir uma capela que perpetuasse tão boa nova. Assim se justifica a presença desta capela a cerca de quilómetro e meio de Terena e que tem como orago Nossa Senhora da Boa Nova. E assim é a lenda.
Na realidade, esta capela é um santuário mariano bastante antigo, julgando-se que possa resultar da cristianização de cultos pagãos, visto que nas imediações de Terena subsistem as ruínas do templo do deus Endonvélico.

Património

Arquitectura civil

  • Antigos Paços do Concelho
  • Pelourinho de Terena
  • Povoado fortificado e Santuário de Endovélico
  • Torre do Relógio
  • Ponte Velha de Terena ou Ponte do Lucefécit

Arquitectura militar

Arquitectura religiosa

  • Igreja Matriz de São Pedro
  • Igreja da Misericórdia
  • Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova ou Capela da Boa Nova
  • Capela de Santo António
  • Ermida de São Sebastião
  • Ermida de Santa Clara (ruínas)
  • Ermida de Nossa Senhora da Conceição da Fonte Santa

Associativismo

  • Associação de Protecção aos Idosos da Freguesia de Terena (APIT)
  • Centro de Cultura e Desporto de Terena
  • Confraria de Nossa Senhora da Boa Nova
  • Confraria do Pão (Monte das Galegas)
  • Paróquia de São Pedro de Terena
  • Santa Casa da Misericórdia de Terena (actualmente sem actividade)

Fotografias

Galeria dos nossos visitantes



quarta-feira, 4 de junho de 2014

AZULEJARIA PORTUGUESA: 1º DE DEZEMBRO - RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA

História de Portugal
AZULEJARIA PORTUGUESA: 1º DE DEZEMBRO - A RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA
Conjunto de belos painéis de azulejos Portugueses alusivos a essa data.

Texto: Português
Fonte: Do Tempo da Outra Senhora


1º de Dezembro nos Azulejos Portugueses

A REUNIÃO DOS CONJURADOS - Painel de azulejos de finais do séc. XVII representando
a reunião dos Conjurados. Uma fita na parte superior apresenta a legenda “Amor
Constância e Fidelidade” e na parte inferior, “Venturoso Citio, honrosas
conferenciassem que se firmou a Redenção de Portugal”. A reunião ocorrida a 12 de
Outubro de 1640, decorreu no Palácio dos Almada em Lisboa, onde hoje está sediada
a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, em cujo Jardim se encontra o
painel de azulejos. Participaram então na reunião, os conjurados D. Antão de Almada, 
António de Saldanha, Jorge de Melo, Francisco de Melo, D. Miguel de Almeida, Pedro
de Mendonça e João Pinto Ribeiro, procurador da Casa de Bragança em Lisboa.

Em 1 de Dezembro de 1640, dá-se a Restauração da Independência de Portugal em relação ao Reino de Espanha, terminando assim o período de 60 anos em que o Reino de Portugal, foi governado pela dinastia de origem austríaca dos Habsburgos, com o fim do reinado de D. Filipe III (conhecido como Felipe IV em Espanha). Como antecedentes da Revolução do 1º de Dezembro de 1640, há a salientar que “Os Conjurados”, um grupo de 40 portugueses, membros da aristocracia do País, se organizou de forma a preparar um plano de libertação de Portugal. Assegurados do apoio popular e de grande parte da aristocracia de Portugal, os Conjurados dirigem-se ao Paço da Ribeira, aniquilam o secretário de Estado, o traidor Miguel de Vasconcelos (1590-1640) e intimam a Duquesa de Mântua (1589-1655), Vice-rainha de Portugal, a renunciar ao poder, proclamando a Independência de Portugal e aclamando João, Duque de Bragança, como rei D. João IV de Portugal (1604-1656), com o cognome de “O Restaurador”, iniciando assim a quarta e última dinastia real, a Dinastia de Bragança.

ENTREVISTA DO DUQUE DE BRAGANÇA COM PEDRO MENDONÇA EM 1640 – Painel de
azulejos do séc. XX. Estação da CP de Vila Viçosa.

 PARTIDA DO DUQUE DE BRAGANÇA PARA LISBOA A OCUPAR O TRONO EM 1640 – 
Painel de azulejos do séc. XX. Estação da CP de Vila Viçosa.

RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA A 1 DE DEZEMBRO DE 1640. Painel de azulejos de
Leopoldo Battistini e da Fábrica Constância, c. 1920. Átrio superior do Palácio Galveias,
Lisboa.

sábado, 31 de maio de 2014

USOS E COSTUMES PORTUGUESES: O LEVANTAMENTO DO PAU - LONGOS VALES

Usos e Costunes Portugueses
O LEVANTAMENTO DO PAU - LONGOS VALES - MONÇÃO
Tradições antigas do nosso País. Já tive o gosto de aqui tocar com o meu grupo várias vezes.

LONGOS VALES CUMPRE “LEVANTAMENTO DO PAU” A 1 DE JUNHO

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É já amanhã, domingo (1 de Junho) que mais de uma centena de pessoas de Longos Vales, Monção, cumprem a tradição centenária do “levantamento do pau da bandeira”, uma tradição daquela freguesia cuja origem se perde no tempo.

“Antigamente eram só os homens que participavam mas hoje é toda a gente. Estamos a falar de mais de 100 pessoas a puxar as quatro cordas que levantam o pau e mais de trezentas a ver, porque a tradição está a atrair cada vez mais curiosos à freguesia”, afirmou à Lusa Márcio Ferreira, que irá integrar a “quadra” que este ano tem nas mãos a tarefa de organizar a romaria e, cerca de três semanas antes, de realizar o “levantamento do pau da bandeira” junto ao mosteiro de São João Baptista, padroeiro de Longos Vales.

Para a organização da romaria a freguesia divide-se em cinco partes, designadas por “quadra”, um conjunto de vários lugares que, a cada ano, tem a responsabilidade de organizar a festa em honra de São João Baptista entre 22 a 24 de Junho.

O pau, um eucalipto com entre 25 a 34 metros de altura, pintado às cores, “é levantado com a ajuda de quatro cordas interlaçadas, puxadas pelos elementos da quadra e pela população. Uma vez levantado é enterrado para se manter hasteado até final do ano”.

“O pau é levantado sempre no primeiro ou segundo fim de semana de Junho para anunciar as festas em honra do padroeira mas fica enterrado até 31 de Dezembro. É retirado nesse dia porque no dia 1 de Janeiro do novo ano já entra outra quadra para tomar conta da festa”, explica Márcio Ferreira.