Mostrar mensagens com a etiqueta HISTÓRIA DE PORTUGAL. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta HISTÓRIA DE PORTUGAL. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 25 de julho de 2019

HISTÓRIAS DA ESCRAVATURA EM PORTUGAL

  










História de Portugal - Documentário
HISTÓRIAS DA ESCRAVATURA EM PORTUGAL

Excelente episódio intitulado "Visita Guiada à Escravatura Africana em Portugal Continental" da série da RTP, "Visita Guiada" que nos conta a história da escravatura em Portugal.
Aliada à história da escravatura, encontra-se a não menos interessante história do Abolicionismo que aqui tem revelada.

Áudio: Português
Texto: Português
Fontes: RTP 2 - Wikipédia



HISTÓRIA DO ABOLICIONISMO


O abolicionismo foi um movimento político que visou à abolição da escravatura[1] e do comércio de africanos. Desenvolveu-se durante o iluminismodo século XVIII e tornou-se uma das formas mais representativas de ativismopolítico do século XIX até a atualidade. Teve, como antecedentes, o apoio de alguns papas católicos.

    História do abolicionismo


    Abraham Duquesne (1610-1688), após o bombardeio em Argel, libertando escravos cristãos (ver: Escravidão branca).
    O abolicionismo sempre foi um movimento político autônomo e passou ao largo de ideologias políticas contemporâneas a ela na Europa como por exemplo o Iluminismo.[2]

    Os papas

    Os papas da época dos descobrimentos europeus em África, Ásia e América, prosseguindo na senda dos Padres da Igreja e de seus antecessores, combateram a "iniquidade" da escravidão e a subjugação dos povos não europeus.[3] Em 13 de janeiro de 1435, através da bula Sicut Dudum,[4] o papa Eugénio IV mandou restituir à liberdade os cativos das ilhas Canárias, para efeito de estabelecer, a estes, a justiça. Em 1462, o papa Pio II (1458-1464) deu instruções aos bispos contra o tráfico de negros provenientes da Etiópia; o papa Leão X (1513-1521) despachou no mesmo sentido para os reinos de Portugal e Espanha. Em 1537, o papa Paulo III (1534-1549), através da bula Sublimus Dei[5] (23 de maio) e da encíclica Veritas ipsa[6] (2 de Junho), lembrou, aos cristãos, que os índios "das partes ocidentais, e os do meio-dia, e demais gentes", eram seres livres por natureza.
    Nunca, no entanto, a escravatura foi proibida até ao século XIX, e sempre os papas se dirigiram a casos pontuais. Tanto que, por várias bulas, Portugal tinha privilégio do comércio de escravos, mas não de fazer escravos. O papa Gregório XIV (1590-1591) publicou a Cum Sicuti[7] (1591) e, nos séculos seguintes, se pronunciaram, também, os papas Urbano VIII (1623-1644), na Commissum Nobis[8] (1639) e Bento XIV (1740-1758) na Immensa Pastorum[9] (1741). No século XIX, no mesmo sentido, se pronunciou o papa Gregório XVI (1831-1846) ao publicar a bula In Supremo[10] (1839).
    Em 1888, o Papa Leão XIII, na encíclica In Plurimis,[11] dirigida aos bispos do Brasil, pediu-lhes apoio para o Imperador D. Pedro II e a sua filha a princesa D. Isabel, na luta que estavam a travar pela abolição definitiva da escravidão. Portanto, apenas um papa, no século XIX, fez uma condenação à escravatura pelo que ela se tinha tornado, e estando já num tempo em que o próprio conceito estava já alterado. O comércio de escravos que, no renascimento, Portugal tinha iniciado em África tinha sido louvado pela Cristandade como um feito caritativo que foi celebrado por Miguel Ângelo na parede principal da Capela Sistina na cena "Resgate dos escravos", onde aparece Portugal a lançar um rosário e a puxar, nele, a África e a Ásia.

    Portugal

    O Reino de Portugal, pela mão do Marquês de Pombal, primeiro-ministro do rei dom José, aboliu a escravidão nos seus territórios a 12 de fevereiro de 1761, passando Portugal a ser o pioneiro no abolicionismo. Contudo, esta abolição seria apenas do tráfico de escravos, não sendo a escravatura ilegal, pela grande extensão de território e dificuldade de controle, muitos negreiros continuaram a fazer transporte dos escravos africanos para a América espanhola e portuguesa. No início do século XIX, juntamente com a Grã-Bretanha, Portugal proibiu novamente o comércio de escravos e, em 1854, por decreto, foram libertos todos os escravos que restavam. Dois anos mais tarde, também foram libertos todos os escravos da Igreja Católica nas colónias. A 25 de fevereiro de 1869, produziu-se finalmente a abolição "prática" e completa da escravatura no Império Português. Em 1930 morreu a última escrava em Portugal com 120 anos de idade.

    Brasil

    Como parte integrante de Portugal, o Brasil recebeu a abolição igualmente a 12 de fevereiro de 1761. Posteriormente, os movimentos revolucionários independentistas, particularmente a Conjuração Baiana (1798), pretenderam, também, retirar a condição de escravos àqueles que já o eram, e aproveitar a revolta destes contra os seus senhores, contando assim com maior facilidade no processo revolucionário contra Portugal. No que diz repeito ao período imperial brasileiro, já fazia parte dos planos de Dom Pedro I libertar os escravos, tendo ele enfatizado em diferentes momentos de sua vida o fato de que seu sangue era da mesma cor do sangue dos escravos. Pedro I queria de acelerar o processo de revolução industrial no Brasil com a libertação dos escravos e por duas vezes tentou liberta-los. A primeira no ano da Independência do Brasil (1822), e a segunda no ano da constituinte de 1824 sendo que em ambas as ocasiões o projeto foi completamente rejeitado pelo parlamento. Uma vez que o Brasil não era uma monarquia absolutista e sim uma monarquia constitucional parlamentarista, e o poder moderador de que dispunha o imperador não era para ditar e sim para negar, não houve muito o que ser feito. Dom Pedro II, filho de Pedro I, herdou do pai o vigor abolicionista. Por diversas vezes Pedro II tentou abolir a escravidão, mas toda vez que levantava a discussão, o parlamento dizia que a abolição da escravidão era uma vontade dele e não do povo. As discussões adquiriam relevância a partir de 1850 e caráter verdadeiramente popular a partir de 1870, mas apenas atingiram seu fim com a Lei Áurea (13 de maio de 1888).

    França

    Após a Revolução Francesa e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, foi abolida a escravidão em 3 de fevereiro de 1794 na Convenção Nacional. Contudo não se aplicando as colônias, em 1799 a escravidão foi retomada no Senegal, e Napoleão restabeleceu a escravidão a 20 maio de 1802. Outro caso é o do Haiti, ex-colônia francesa que, durante a Era Napoleônica ainda havia a escravidão; e com uma revolta de escravos se tornou a primeira república negra do mundo em 1804. A abolição definitiva chegou em 27 de abril de 1848, na Segunda República Francesa.

    Chile

    O primeiro Congresso Nacional convocado em 1811, oito meses depois da criação da Junta de Governo, declarou, entre outras iniciativas, a liberdade de ventre, em virtude da qual os filhos de escravos que haviam nascido no Chile seriam livres. Em 1818, em consequência da participação de batalhões de escravos negros entre as forças patriotas pertencentes ao exército libertador dos generais José de San Martín e Bernardo O'Higgins, prometeu-se, a estes, a liberdade completa, feito que foi levado à prática em 1823, sob a presidência interina de Ramón Freire, fazendo, do Chile, um dos primeiros países em declarar a liberdade dos escravos. [carec

    Reino Unido

    A escravatura praticada pelo Reino Unido foi, de longe, a mais grave, e, dela, vem a fama que se alastrou injustamente aos outros casos. Por fim, a Society for Effecting the Abolition of Slavery (Sociedade para efetuar a abolição da escravatura) foi fundada em 1789 por Thomas Clarkson. Nas suas apresentações, informou das condições dos escravos e buscou o apoio do parlamento. Por outro lado, havia interesses económicos ingleses relativamente aos seus territórios americanos, bastante apoiados na mão de obra escrava.

    Depois de uma campanha do parlamentar William Wilberforce, em 25 de março de 1807 foi aprovado, pelo Parlamento Britânico, o Slave Trade Act ou Ato contra o Comércio de Escravos, que proibia o comércio de escravos em todo o Império Britânico e que estipulava uma multa de 100 libras esterlinas para cada escravo encontrado nos barcos ingleses. Com este feito, a Inglaterra propunha-se como modelo.
    Por conta da pressão de burgueses que lideraram a Revolução Industrial e que estavam interessados em ter mão de obra rotativa assalariada e mercado consumidor,[14] em 23 de agosto de 1833, foi aprovada a Slavery Abolition Act (Ato de abolição da escravidão) pela qual, desde 1 de agosto de 1834, ficavam, livres, todos os escravos das colônias britânicas. Durante um período de transição de quatro anos, os ex-escravos permaneceriam, em troca de um soldo, ligados ainda com o seu amo. Os proprietários de plantações do Caribe foram indemnizados com vinte milhões de libras esterlinas. 

    Estados Unidos da América


    Caricatura do abolicionismo na década de 1850 mostra abolicionistas estadunidenses tentando puxar um escravo para a liberdade contra a vontade do escravo.
    O movimento abolicionista foi formado em 1830 nos estados do norte dos Estados Unidos, nos quais teve muita publicidade. Em 1831, foi fundada a New-England Anti-Slavery Society (Sociedade antiescravatura de Nova Inglaterra).
    O movimento tinha as suas raízes no século XVIII, quando nascera visando a proibir o tráfico de escravos. A posse de escravos foi permitida até o final da Guerra de Secessão (1861-1865), particularmente nos estados do sul. A constituição dos Estados Unidos (1789) tratava, em certos pontos, da escravatura, embora, em nenhum ponto, fosse usada esta palavra.
    Todos os estados a norte de Maryland aboliram a escravidão entre 1789 e 1830, gradualmente e em diferentes momentos. Contudo, o status da escravidão permaneceu inalterado no sul, e os costumes e o pensamento público fortaleceram-se no sentido na defesa da escravidão como resposta ao crescente fortalecimento da atitude antiescravidão do norte. O ponto de vista contra a escravidão que muitos homens do norte mantinham após 1830 foi convergindo lenta e imperceptivelmente para o movimento abolicionista. A maioria dos estados do norte não aceitava, no entanto, as posições extremas dos abolicionistas. Abraham Lincoln, apesar de ser contrário à escravidão.
    O abolicionismo como princípio era um pouco mais que um mero desejo de ampliar as restrições à escravatura. A maioria dos nortistas aceitava a existência da escravidão e não tinha, como objetivo, mudar isso, mas favorecer uma política de libertação indenizada e gradual. Os abolicionistas, por outro lado, queriam terminar com a escravidão para sempre e o movimento caracterizou-se pelo apoio da aplicação da violência para precipitar o fim da escravidão, como mostram as atividades de John Brown.
    Muitos abolicionistas americanos desempenharam um papel ativo contra a escravidão no Underground railroad, que visava a ajudar os escravos fugitivos, apesar das grandes penas que isto podia acarretar segundo a lei federal que entrou em vigor em 1850.
    Mediante a Declaração de Emancipação (promulgada pelo presidente Abraham Lincoln, na que foi declarada a liberdade de todos os escravos em 1863 e que entrou em vigor pela primeira vez no final da Guerra Civil (1865), os abolicionistas americanos obtiveram a libertação dos escravos nos estados em que continuava havendo escravidão. O movimento abolicionista preparou o campo para o movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

    Espanha, Cuba e Porto Rico

    Agustín Argüelles e José Miguel Guridi apresentaram, às Cortes de Cádis, uma proposta abolicionista a 1 de abril de 1811, sem sucesso. A 13 de agosto de 1813, o deputado Isidoro de Antillano y Marzo faz uma nova proposição, mas sem eficácia (foi mesmo objeto de um atentado que quase acaba com a sua vida). A Constituição de Cádis (1812) pôs especial cuidado em distinguir as condições de "espanhol", "homem livre", "avizinhado", "liberto" (artigo 5), "cidadão espanhol" e "servente doméstico" (artigo 25.3), estabelecendo requisitos especiais para a obtenção da cidadania para os "originários da África" (artigo 22).[15]
    José María Blanco White criticou a escravidão em Bosquejo de comercio de esclavos y reflexiones sobre este tráfico considerado moral, política y cristianamente ("Esboço de comércio de escravos e reflexões sobre este tráfico considerado moral, política e cristianamente". Londres, 1814).
    Cuba e Porto Rico eram as últimas colônias espanholas na América e, nelas, a escravidão tinha um peso econômico decisivo. A posição internacional de Inglaterra contra o tráfico de escravos impedia, no entanto, um fácil abastecimento de escravos por parte das colônias espanholas. O caso do barco Amistad, cujos escravos se rebelaram, e que foi conduzido para os Estados Unidos, ocasionou um conflito jurídico e diplomático (sobre o assunto, fez-se um filme de Steven Spielberg em 1997). As sucessivas sublevações em Cuba no último terço do século XIX até a Guerra de Independência Cubana de 1895-1898, tiveram, como uma das suas causas, as polêmicas entre escravidão e abolicionismo.
    A pressão internacional promoveu leis contrárias ao comércio de escravos em 1817 (em troca de um pagamento por Inglaterra de 400 000 libras como compensação), 1835 e 1845. A reiteração das leis era prova da sua ineficácia. Em 1837, foi promulgada a abolição da escravidão no território metropolitano, mas não nos territórios de ultramar, onde a presença de escravos era realmente significativa, demográfica e economicamente.[16]
    A Sociedade Abolicionista Espanhola foi fundada em 2 de abril de 1865 por iniciativa do porto-riquenho Julio Vizcarrondo. A Sociedade Abolicionista abriu seções em Sevilha, Leão, Barcelona e Saragoça. Em 1866, a Sociedade foi fechada pelo governo do general Ramón María Narváez, coincidindo com a agudização da repressão política contra os progressistas. Após a Revolução de 1868, o ativismo abolicionista impulsionou a lei Moret (4 de Julho de 1870, chamada assim por causa de Segismundo Moret, ministro de Ultramar e posteriormente de Fazenda; também recebeu o nome de lei de ventres livres ou de liberdade de ventres). Com ela, foi concedida a liberdade a qualquer nascido posteriormente a 17 de Dezembro de 1868, bem como aos escravos maiores de 60 anos ou que ajudassem a repressão da sublevação independentista simultânea em Cuba e Porto Rico.
    Posteriormente, com a Primeira República Espanhola (1873-1874), foi proclamada a abolição da escravidão em Porto Rico (22 de Março de 1873), embora não em Cuba. O número de escravos em Porto Rico era significativamente menor (31 000).
    A Restauração (1875) começou impedindo o funcionamento da Sociedade Abolicionista, mas, em 1880, esta foi permitida. Em 7 de Outubro de 1886, a escravidão desapareceu legalmente. A Sociedade Abolicionista dissolveu-se em 1888

    José Rui Lira


















    quinta-feira, 12 de outubro de 2017

    O CAMINHO DE FERRO IMPOSSÍVEL - HISTÓRIA DA LINHA DO DOURO

    Documentários - História de Portugal
    O CAMINHO DE FERRO IMPOSSÍVEL - HISTÓRIA DA LINHA DO DOURO
    O comboio, permitiu combater o isolamento do Douro superior e vencer mais rapidamente a praga da filoxera que então se propagava pelas vinhas do Douro. Um excelente documentário da RTP 2, filmado na beleza do douro património da humanidade e que nos conta a história da Linha do Douro e sua extensão em Espanha até Salamanca. Revelam-se aqui as terríveis dificuldades encontradas para levar a obra a termo e o retrato do Portugal do séc. XIX.
    Na parte final, é apresentado um grupo de entusiastas desta linha, que lutam pela sua reabertura.

    Áudio: Português
    Fontes: Rtp 2 - YouTube

    * José Rui Lira





    Documentário
    O CAMINHO DE FERRO IMPOSSÍVEL






    Linha do Douro


    A Linha do Douro é uma linha de caminho-de-ferro em Portugal, de bitola ibérica, que liga Ermesinde ao Pocinho, numa extensão de cerca de 160 Km. Na sua extensão máxima, terminava na fronteira com Espanha junto a Barca de Alva, totalizando cerca de 200 km. Começou a ser construída em 1875[1], e foi concluída em 9 de Dezembro de 1887, com a inauguração do troço até Barca de Alva.[2] No mesmo dia, foi inaugurada a linha desde esta estação até à rede espanhola, em La Fuente de San Esteban.[3] A ligação internacional foi encerrada em 1 de Janeiro de 1985, e o troço entre Pocinho e Barca D’Alva fechou em 18 de Outubro de 1988.[1]

      História

      Antecedentes

      O Rio Douro constituiu, ao longo da história, uma importante estrada natural, tendo sido, até ao Século XIX, a única via de comunicação na região; com efeito, os mais antigos registos da sua utilização datam da ocupação romana.[1] No entanto, este curso de água sempre foi difícil de navegar, até que surgiram os barcos rabelos, cuja maior preparação para vencer as dificuldades naturais do rio possibilitou o trânsito de mercadorias e passageiros, desenvolvendo, assim, esta região.[1] Um outro passo importante foi a demolição do Cachão da Valeira, entre 1780 e 1791, que permitiu a navegação do Douro até Barca d’Alva e a fronteira com Espanha.[1]

      Planeamento

      Em 1867, o Estado Português apresentou às Câmaras os projectos para as ligações ferroviárias, em bitola ibérica, unindo o Porto ao Pinhão, a Braga, e à fronteira com Espanha no Minho; apesar do empenho que as populações e o próprio governo tinham na construção destas linhas, devido à sua necessidade, só em 14 de Junho de 1872 foi decretado o início das obras na Linha do Minho e a realização de estudos para o traçado da Linha do Douro, que devia passar por Penafiel.[2]
      O principal propósito da Linha do Douro foi, além de providenciar transporte para as povoações ao longo da via, transportar adubos, sementes e outros produtos para o interior, e escoar a produção agrícola destas regiões; por outro lado, iria fornecer uma alternativa ao transporte fluvial, bastante limitado pela então reduzida capacidade de navegação no Rio Douro, e permitir um melhor acesso ao interior transmontano.[4] Devido à sua importância, a construção da Linha do Douro adquiriu uma maior prioridade em relação a outros projectos ferroviários em Portugal, nomeadamente a continuação do Caminho de Ferro do Sul até ao Algarve.[5]

      Horários dos comboios do Porto a Caíde em 1875.

      Troço entre Ermesinde e o Pinhão

      Os trabalhos da Linha do Minho iniciaram-se no dia 8 de Julho de 1872, tendo o primeiro troço, até Braga, sido aberto à exploração em 20 de Maio de 1875.[2] As obras na Linha do Douro principiaram em 8 de Julho de 1873, tendo o primeiro tramo, entre Ermesinde e Penafiel, entrado ao serviço no dia 30 de Julho de 1875[2] O troço seguinte, até Caíde, foi inaugurado em 20 de Dezembro do mesmo ano, e a linha chegou ao Juncal em 15 de Outubro de 1877.[6]
      A linha foi aberta à exploração até Régua em 15 de Julho de 1879, ao Ferrão em 4 de Abril de 1880[6], e ao Pinhão em 1 de Junho de 1880.[6]

      Troço entre o Pinhão e Barca D'Alva e ligação internacional

      Com a abertura do troço até ao Pinhão, concluiu-se o principal propósito da Linha do Douro, que era estabelecer uma ligação ferroviária até esta região; no entanto, já nesta altura se planeava a continuação da linha até à fronteira com Espanha em Barca d’Alva, pelo que, em 23 de Julho de 1883, foi decretada a construção deste troço.[2] A linha foi aberta, assim, até ao Tua em 1 de Setembro de 1883, e até ao Pocinho no dia 10 de Janeiro de 1887.[2] O troço entre esta estação e Barca d’Alva foi inaugurado em 9 de Dezembro de 1887,[7][8] e no mesmo dia é inaugurada a Linha Internacional de Barca d’Alva a La Fregeneda e a Salamanca, permitindo a ligação da Linha do Douro à rede ferroviária espanhola, tendo-se, desde logo, iniciado o serviço directo entre o Porto e Salamanca.[3] Esta foi a quinta ligação ferroviária internacional aberta, tendo sido construída pela Compañia de Ferro-Carril Salamanca à la Fronteira de Portugal, e financiada por um grupo de estabelecimentos bancários da Praça do Porto, denominado de Sindicato Portuense.[9][10]Também em 1887, foi inaugurado o primeiro lanço da Linha do Tua, de Foz Tua a Mirandela.[11]
      A conclusão da ligação internacional foi um dos motivos para o declínio do tráfego fluvial no Rio Douro.[1]

      Formação dos Caminhos de Ferro do Estado

      Uma lei, promulgada em 14 de Julho de 1899, criou os Caminhos de Ferro do Estado, uma organização governamental, mas com uma certa independência, que tinha como propósito gerir as linhas que eram propriedade do governo português[12]; a Linha do Douro foi integrada na Divisão do Douro e Minho desta operadora.[13]

      Fases da Construção

      Entre as EstaçõesExtensãoInauguraçãoEncerramento
      Ermesinde – Penafiel30,311 km30 de Julho de 1875
      Penafiel – Caíde7,328 km20 de Dezembro de 1875
      Caíde – Juncal18,818 km15 de Setembro de 1878
      Juncal – Régua38,371 km15 de Julho de 1879
      Peso da Régua – Ferrão15,813 km4 de Abril de 1880
      Ferrão – Pinhão7,611 km1 de Junho de 1880
      Pinhão – Tua12,993 km1 de Setembro de 1883
      Tua – Pocinho31,678 km10 de Janeiro de 1887
      Pocinho – Côa9,061 km5 de Maio de 188718 de Outubro de 1988
      Côa – Barca D’Alva - fronteira18,882 km9 de Dezembro de 188718 de Outubro de 1988

      Rede Complementar ao Norte do Mondego, decretada em 1900, que inclua vários projectos com ligação à Linha do Douro, alguns dos quais foram construídos.

      Século XX

      Década de 1900

      Em 7 de Fevereiro de 1902, foram aprovados dois projectos para a construção de pontes sobre o Rio Douro, sendo uma rodoviária, para acesso à Estação Ferroviária do Pinhão, e outra, de tipologia rodo-ferroviária, junto à localidade do Pocinho, para transportar a Linha do Sabor e a Estrada Real 9.[14] No início daquele ano, previu-se a introdução de carruagens de primeira classe nos serviços entre o Porto e Barca d’Alva.[15]
      Em 1909, entrou ao serviço o lanço entre Livração e Amarante da Linha do Tâmega.[3]
      O troço internacional entre Barca d’Alva e Salamanca revelou-se um fracasso financeiro, o que levou, nos inícios do Século XX, à falência do Sindicato Portuense e à sua integração na Companhia das Docas do Porto e dos Caminhos de Ferro Peninsulares[9]; a ligação internacional passou, então, a ser gerida pela Compañía de Ferrocarriles de Salamanca à Fronteira de Portugal, tendo sido, por diversas vezes, ainda no Século XIX, utilizada pelo Sud Expresso, porque este trajecto reduzia o tempo de percurso em cerca de 5 horas.[10]

      Década de 1920

      Em 1927, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses venceu o concurso de arrendamento das linhas dos Caminhos de Ferro do Estado, tendo começado a gerir as antigas ligações desta operadora, incluindo a Linha do Douro, em 11 de Maio desse ano.[13]

      Estação de Barca de Alva, em 1995.






      Décadas de 1980 e 1990

      Em 30 de Setembro de 1984 foi aprovado, pelo Governo Espanhol, o encerramento a todos os tipos de tráfego, de várias ligações ferroviárias, incluindo o troço entre La Fuente de San Esteban e La Fregeneda, que fazia parte da linha internacional até Barca d’Alva; como estava programado, este troço fechou a 1 de Janeiro do ano seguinte, junto com a linha até Barca d'Alva.[1][16] No dia 18 de Outubro de 1988, foi encerrado o troço entre as Estações de Pocinho e Barca d’Alva.[1] Este tramo foi quase totalmente abandonado, em contraste com a antiga linha em Espanha, que foi categorizada como monumento, e declarada como Bem de Interesse Cultural, sendo regularmente alvo de inspecções.[1]
      Em 1995, foi duplicada a via férrea entre Ermesinde e Valongo.[17]

      Século XXI

      Em Agosto de 2009, foi anunciado, pela então Secretária de Estado e dos Transportes, Ana Paulo Vitorino, a intenção de reabrir o tráfego internacional desta linha, estando, naquela altura, previstos para breve o inicio dos trabalhos para recuperação do troço entre o Pocinho e Barca d’Alva, com o objectivo de o reabrir ao tráfego.[18]

      Caracterização

      Traçado

      A linha, em grande parte do seu percurso, acompanha as margens do rio Douro, contendo a maior extensão de via férrea ladeada de água de Portugal, superando mesmo o grande troço ribeirinho da Linha da Beira Baixa, ao longo do Rio Tejo.[19]

      Obras de Arte

      Túneis


      Túnel na Linha do Douro.






      No seu percurso a linha tem 22 túneis:
      • Caíde
      • Gaviarra
      • Campanainha
      • Juncal
      • Riboura
      • Loureiro
      • Má Passada
      • Peso da Régua
      • Bagaúste
      • Três Curvas
      • Pedra Caldeira
      • Rapa
      • Valeira
      • Vargelas
      • Arnozelo I
      • Arnozelo II
      • Arnozelo III
      • Fontainhas
      • Meão
      • Saião
      • Veiga
      • Castelo Melhor
      • Almendra

      Pontes








      Ao longo da linha existem 35 pontes:
      • Sete Arcos (Alfena)
      • Ferreira (Valongo)
      • Fervença
      • Sousa
      • Vila Meã (Amarante)
      • Póvoa
      • Tâmega
      • Juncal
      • Cocheca
      • Quebradas
      • Pala (viaduto)
      • Ovil (viaduto)
      • Portuzuelo
      • Laranjal
      • Zêzere
      • Teixeira
      • Sermenha
      • Corgo
      • Pinhão (Alijó)
      • Roncão
      • Loureiro
      • Tua
      • Riba Longa
      • Ferradosa
      • Vargelas
      • Arnozelo
      • Teja (viaduto)
      • Murça
      • Gonçalo Joanes
      • Vale do Nedo
      • Pocinho
      • Canivais
      • Côa
      • Aguiar
      • Gricha

      Exploração comercial

      Hoje em dia apenas está ativo ao tráfego ferroviário (mercadorias e passageiros) no troço Ermesinde-Pocinho da linha.
      Os troços entre Porto e Ermesinde, na Linha do Minho, e entre Ermesinde e Caíde, na Linha do Douro, foram totalmente renovados, tendo sido duplicados e eletrificados.

      Comboio de mercadorias junto a Valongo, em 2013.

      Serviços de mercadorias

      A linha é explorada, no troço em funcionamento, por várias empresas de mercadorias.

      Serviços de passageiros e material circulante

      Na transição do Século XIX para o XX, a divisão de Minho e Douro dos Caminhos de Ferro do Estado operava, entre Penafiel, Porto e Braga, vários serviços de passageiros, sendo normalmente utilizadas carruagens com dois pisos.[20] Em 1983, realizavam-se comboios semidirectos, sendo um dos destinos a Estação de Barca d’Alva.[21]
      CP Porto
      A CP Porto explora, com recurso a comboios da Série 3400, o serviço entre Porto - S. Bento e Caíde. Estes efectuam esta ligação em aproximadamente 50 minutos.[22]
      Também pertence à CP Porto a exploração da linha entre Caíde e o Marco de Canaveses, mas como a modernização da linha ainda não avançou além Caíde, este percurso é assegurado por automotoras a gasóleo, Série CP 592.[22]

      Automotora 0600 no Pinhão, em 2007.
      CP Regional
      Existem ainda ligações frequentes entre Porto - S. Bento ou Porto (Porto-Campanhã) - Régua (Interregional), com recurso a automotoras da Série CP 592 a gasóleo, percurso que se faz em aproximadamente 1 hora e 45 minutos. Ou ligações Caíde (onde faz ligação com os CP Porto) - Régua (Regionais), com recurso igualmente a automotoras da Série CP 592, com duração total (Porto-Régua) de aproximadamente 2 horas e 25 minutos.[22]
      Relativamente à exploração (Porto - S. Bento - Pocinho), o percurso é assegurado diariamente por 5 automotoras, igualmente da Série CP 592, em aproximadamente 3h15[22].
      De referir, que esporadicamente a CP, efectua o serviço (Porto - S. Bento - Pocinho), recorrendo a comboios clássicos, constituindos por carruagens Sorefame (2ª série), puxados por uma locomotiva, geralmente da Série 1400.
      Também assegurado por automotoras a gasóleo, Série CP 592, existe o serviço de comboios regionais entre a Régua e o Pocinho.
      Em 2005, o número de passageiros que viajavam no percurso entre Pinhão e Pocinho era muito inferior ao verificado no resto da Linha do Douro, totalizando cerca de 35 mil passageiros por ano; esta situação devia-se, principalmente, à falta de atracções turísticas, e de capacidade hoteleira, que se faziam sentir após aquele ponto.
      Outra série de material circulante utilizada na Linha do Douro foi a 0600, correspondente a uma família de automotoras a gasóleo, que permitiram uma maior velocidade nos serviços da linha.

      Cruzeiros

      Em 2005, realizavam-se, regularmente, vários cruzeiros fluviais entre a cidade do Porto e a Estação de Régua, uma vez que existiam boas condições para o transbordo entre o Cais da Régua e esta interface.[1] Embora os cruzeiros fossem organizados até Barca d'Alva, a inexistência da ligação ferroviária naquela localidade forçava os barcos a regressar ao Pocinho, onde tomavam o comboio de regresso ao Porto; naquela altura, previa-se que a reabertura da ligação até Barca d'Alva seria utilizada por mais de 20 mil passageiros por ano, em combinação com os serviços de cruzeiros.