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A ARCA DA ALIANÇA - EM BUSCA DE UM OBJECTO ENCANTADO DE MADEIRA E OURO
A Arca da Aliança e os episódios a ela ligada descritos na Bíblia, constituem um dos maiores mistérios da humanidade. É sem dúvida a relíquia religiosa mais procurada e a mais sagrada para vários povos e culturas da Terra. Os relatos míticos acerca dos poderes paranormais que continha, falam de um poder que causava a morte a quem a tocava, ou a exércitos inteiros, o que fez dela um objecto temido e querido ao mesmo tempo. Foi usada como arma e como objecto de adoração a Deus Jeová, sendo também descrita como o meio pelo qual Deus se comunicava com os homens.
Inicia-se aqui uma busca de conhecimento e de fé, pelo objecto mais sagrado à face da Terra, que nos vai levar numa viagem por Países, culturas e continentes diferentes, civilizações e povos perdidos,com a missão de revelar o que aconteceu e onde está a Arca da Aliança.
DOCUMENTÁRIO: UMA CAIXA DE MADEIRA E OURO
Um excelente documentário do Jornalista e escritor Espanhol J.J.Benitez, revela-nos os princípais mistérios e fenómenos ligados a este objecto feito por homens segundo as instruções de Deus. Uma investigação que segue o rasto da Arca desde as suas origens, através dos relatos Bíblicos, tentando descobrir o seu destino e os reais poderes que ela tinha.
DOCUMENTÁRIO: QUEST FOR THE LOST ARK - EM BUSCA DA ARCA PERDIDA
Um documentário do Canal História onde o professor Tudor Parfirt nos revela uma nova visão acerca do que aconteceu com a Arca da Aliança, assim como os resultados da sua investigação que reconstituiu passo a passo, todo o percurso deste objecto Sagrado, até os dias de hoje.
O que é a Arca da Aliança, o que significa ?
Deus fez uma aliança (condicional) com os filhos de Israel por intermédio do Seu servo Moisés. Ele prometeu o bem para eles e seus filhos por gerações se fossem obedientes a Ele e Suas leis; mas o Senhor sempre advertiu de desespero, punição e dispersão se desobedecessem. Como sinal da Sua aliança, Ele instruiu os israelitas a fazerem uma caixa de acordo com o Seu próprio design, na qual colocar as tábuas de pedra contendo os Dez Mandamentos. Esta caixa, ou baú, era chamada de "arca" e era feita de madeira de acácia revestida com ouro. A Arca era para ser alojada no santuário interior do tabernáculo no deserto e, eventualmente, no Templo quando fosse construído em Jerusalém. Esta caixa é conhecida como a Arca da Aliança.
O verdadeiro significado da Arca da Aliança se encontra no que ocorria envolvendo a tampa da arca, conhecida como o "Propiciatório." O termo "Propiciatório" vem de uma palavra hebraica que significa "cobrir, aplacar, apaziguar, limpar, cancelar ou fazer expiação." Foi aqui que o sumo sacerdote, uma vez por ano (Levítico 16), entrava no Santo dos Santos, onde a Arca era guardada, e expiava os seus pecados e os pecados dos israelitas. O sacerdote aspergia sangue de um animal sacrificado no Propiciatório para apaziguar a ira de Deus pelos pecados cometidos no passado. Este era o único lugar no mundo onde esta expiação podia acontecer.
O Propiciatório da Arca era um prenúncio simbólico do sacrifício final por todo o pecado - o sangue de Cristo derramado na cruz para remissão dos pecados. O apóstolo Paulo, um ex-fariseu que conhecia bem o Antigo Testamento, conhecia esse conceito muito bem quando escreveu que Cristo é a nossa cobertura pelo pecado em Romanos 3:24-25: "... sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé". Assim como só havia um lugar para expiação de pecados no Antigo Testamento - o Propiciatório da Arca da Aliança - assim também há apenas um lugar para expiação no Novo Testamento e tempos atuais - a cruz de Jesus Cristo. Como cristãos, não mais olhamos para a Arca, mas para o próprio Senhor Jesus como a propiciação e expiação pelos nossos pecados.
Arca da Aliança
Baixo-relevo em ouro do transporte da Arca da Aliança na Catedral de Santa Maria de Auch, França.
A Arca da Aliança (no hebraico: ארון הברית aróhn hab·beríth; grego: ki·bo·tós tes di·a·thé·kes") é descrita na Bíblia como o objeto em que as tábuas dos Dez mandamentos e outros objetos sagrados teriam sido guardadas, como também veículo de comunicação entre Deus e seu povo escolhido. Foi utilizada pelos hebreus até seu desaparecimento, que segundo especulações, ocorreu na conquista de Jerusalém por Nabucodonosor. Segundo o livro de II Macabeus, o profeta Jeremias foi o responsável por escondê-la no Monte Nebo.
Origem
Segundo o livro do Êxodo, a montagem da Arca da Aliança foi orientada por Moisés, que por instruções divinas indicou seu tamanho e forma. Nela foram guardadas as duas tábuas da lei; a vara de Aarão; e um vaso do maná. Estas três coisas representavam a aliança de Deus com o povo de Israel. Para judeus e prosélitos a Arca não era só uma representação, mas a própria presença de Deus.
Construção
No livro de Êxodo (Êx 25,10-22) a Bíblia descreve a Arca da Aliança da seguinte forma: caixa e tampa de madeira de acácia, com 2 côvados e meio de comprimento (um metro e onze centímetros ou 111 cm), e um côvado e meio de largura e altura (66,6 cm). Cobriu-se de ouro puro por dentro e por fora, com uma bordadura de ouro ao redor. - (Êxodo 25,10-16)
Para seu transporte, necessário para um povo ainda nômade (nómada), foram colocadas quatro argolas de ouro nas laterais, onde foram transpassados varas de acácia recobertas de ouro. Assim, o objeto podia ser carregado pelo meio do povo.
Sobre a tampa, chamada Propiciatório "o Kapporeth", foi esculpida uma peça em ouro, formada por dois querubins
ajoelhados de frente um para o outro, cujas asas esticadas para frente
tocavam-se na extremidade, formando um arco, de modo defensor e
protetor. Eles se curvavam em direção à tampa em atitude de adoração
(Êxodo 25,10-21; 37,7-9). Segundo relato do verso 22, Deus se fazia presente no propiciatório no meio dos dois Querubins de ouro em uma presença misteriosa que os Judeus chamavam Shekinah ou presença de Deus.
A Arca fazia parte do conjunto do Tabernáculo,
com outras tantas especificações. Ela ficaria repousada sobre um altar,
também de madeira, coberto de ouro, com uma coroa de ouro ao lado.
Somente os sacerdotes levitas poderiam transportar a tocar na arca, e apenas o sumo-sacerdote, uma vez por ano, no dia da expiação, quando a Luz de Shekiná se manifestava, entrava no santíssimo do templo. Estando ele em pecado, morreria instantaneamente.
Outros relatos bíblicos se referem ao roubo da arca por outros povos inimigos de Israel (filisteus),
que sofreram chagas e doenças enquanto tinham a arca em seu poder.
Homens que a tocavam que não fossem levitas ou sacerdotes completamente
puros morriam fulminados instantaneamente. Diante dessas terríveis
doenças causadas pela presença da ""Arca"" do Senhor Deus de Israel, os
filisteus se viram numa necessidade de se livrarem do objeto sagrado;
então, a mandaram para a cidade de Gate, e logo após para Ecron, sendo sempre rejeitada, o que acarretou na sua devolução ao povo de Israel.
Função e simbologia
A partir do momento em que as tábuas dos Dez Mandamentos, a Vara de Arão que floresceu (que não só floresceu mas que também brotou améndoas) e o pote de maná
escondido foram repousadas no seu interior, a Arca é tratada como o
objeto mais sagrado, como a própria representação de Deus na Terra. A
Bíblia relata complexos rituais para se estar em sua presença dentro do
Tabernáculo.
Segundo a Bíblia, Deus revelava-se como uma fumaça que se manifestava
com sua shekiná (presença). Tocá-la era um ato tolo, pois quem a
tocasse seria morto, razão pela qual existiam varas para seu transporte.
A Arca como instrumento de guerra
A Arca representava o próprio Deus entre os homens. A crença de Sua
presença ativa fez com que os hebreus, por várias vezes, carregassem o
objeto à frente de seus exércitos nas batalhas realizadas durante a
conquista de Canaã.
Segundo a Bíblia, a presença da Arca era suficiente para que pequenos
contingentes hebreus aniquilassem exércitos cananeus inteiros Mas quando
dispensavam-na, sofriam derrotas desastrosas.
Ainda restava o assentamento das sete Tribos de Israel na Terra de Canaã para que a conquista estivesse completa, quando Josué determinou a construção de um Tabernáculo permanente na cidade de Siló, onde a Arca ficaria protegida.
A captura da Arca pelos Filisteus e seu retorno
Nos últimos anos do período dos Juízes de Israel, a Arca da Aliança era guardada pelo sacerdote Eli, e seus filhos Hofni e Finéias. O profeta Samuel, ainda jovem, recebeu uma revelação divina condenando os mesmos ao julgamento, devido a crimes cometidos.
Neste tempo, segundo o relato bíblico, os filisteus invadiram a Palestina, vencendo o exército israelita próximo à localidade de Ebenézer. Estes, vendo-se em situação adversa, apelaram para a ""Arca"", e a trouxeram de Siló.
A maldição sobre Eli teria tido lugar, pois a Arca não surtiu efeito na
batalha: os israelitas foram derrotados, e o objeto capturado. Os
filhos de Eli foram mortos, e este, ao saber da notícia, caiu de sua
cadeira e morreu com o pescoço quebrado.
Os filisteus teriam tomado a Arca como despojo de guerra, e a levaram ao templo de Dagom, em Asdode.
O relato bíblico conta que a simples presença do santuário naquele
local foi o suficiente para que coisas estranhas ocorressem: por duas
vezes, a cabeça da estátua de Dagom apareceu cortada. Em seguida,
moléstias (hemorróidas, especificamente, além de um surto de ratos)
teriam assolado a população de [[Asdode][, inclusive príncipes e
sacerdotes filisteus, o que fez com que a arca fosse transportada para Ecrom,
outra cidade filistéia. Porém, a população local reagiu negativamente à
sua presença, e a enviou de volta ao território de Israel numa carroça.
O tempo de permanência da Arca na Filístia teria sido de sete meses.
A carroça, puxada por vacas, parou em Bete-Semes, onde foi recebida por um certo Josué (personagem diferente do Josué, comandante da Conquista de Canaã). Os bete-semitas, movidos pela curiosidade, olharam para o interior da Arca, e morreram instantaneamente fulminados. Em seguida, foi transportada para Quireate-Jearim, onde ficou aos cuidados de Eleazar por 20 anos.
A Arca em Jerusalém e o Templo de Salomão
No início de seu reinado, Davi ordenou que a Arca fosse trazida para Jerusalém,
onde ficaria guardada em uma tenda permanente no distrito chamado
Cidade de Davi. Com o passar do tempo, Davi tomou consciência de que a
Arca, símbolo da presença de Deus na Terra, habitava numa tenda,
enquanto ele mesmo vivia em um palácio. Então começou a planejar e
esquematizar a construção de um grande Templo. Entretanto, esta obra
passou às mãos de seu filho Salomão.
No Templo, foi construído um recinto (chamado na Bíblia de "oráculo") de cedro,
coberto de ouro e entalhes, dois enormes querubins de maneira à
semelhança dos que havia na Arca, com um altar no centro onde ela
repousaria. O ambiente passou a ser vedado aos cidadãos comuns, e
somente os levitas e o próprio rei poderiam se colocar em presença do
objeto sagrado.
Desaparecimento
A Arca permaneceu como um dos elementos centrais do culto a Deus
praticado pelos israelitas durante todo o período monárquico, embora
poucas referências sejam feitas a ela entre os livros de Reis e Crônicas.
Em 586a.C (Segunda invasão a Judá) (ou 609a.C [Primeira invasão a Judá], segundo alguns estudiosos), Nabucodonosor, rei da Babilônia, invadiu o reino de Judá
e tomou a cidade de Jerusalém. O relato bíblico menciona um grande
incêndio que teria destruído todo o templo. A Arca desaparece
completamente da narrativa a partir desse ponto, e o próprio relato é
vago quanto ao seu destino.
Para os católicos e judeus da diáspora, que se utilizam da Septuaginta, Escrituras Sagradas na versão grega dos LXX, o desaparecimento da Arca é narrado no livro de II Macabeus, não aceito pelos protestantes e por grande parte dos judeus que só aceitavam as escrituras em hebraico. Nessa situação o profeta Jeremias haveria mandado que levassem a Arca até o Monte Nebo para ali a esconder em uma caverna: "Nos documentos referentes ao profeta Jeremias lê-se que ele
ordenou aos que eram levados para o cativeiro da Babilônia que tomasse o
fogo, como já foi referido, e que lhes faz recomendações, ao dar-lhes
um exemplar da lei, para que se não esquecessem dos preceitos do Senhor,
nem extraviassem, ao ver os ídolos de ouro e prata e os seus adornos.
Dando-lhes outros avisos semelhantes, exortava-os a que não apartassem
do seu coração a lei de Deus. Lia-se também nos mesmos escritos que este
profeta, por uma ordem particular recebida de Deus, mandou que se
levassem com ele o tabernáculo e a Arca, quando escalou o monte a que
Moisés tinha subido para ver a herança de Deus. Tendo ali chegado,
Jeremias achou uma caverna, pôs nela o tabernáculo, a Arca e o altar dos
perfumes, e tapou a entrada. Alguns dos que o seguiam voltaram de novo
para marcar o caminho com sinais, mas não puderam encontrá-lo. Quando
Jeremias soube disto, repreendeu-os: Sabei, disse-lhes, que este lugar
ficará incógnito, até que Deus reuna seu povo disperso e use com ele de
misericórdia. Então descobrirá o Senhor estas coisas, aparecerá a
majestade do Senhor e ver-se-á uma nuvem, como apareceu no tempo de
Moisés e como quando Salomão pediu que o templo fosse gloriosamente
santificado" II Macabeus 2, 1-8 (Tradução da Vulgata pelo Pe.Matos Soares).
Em uma das visões de João Evangelista,
ele relata ter visto a Arca no templo de Deus no céu, depois da visão
dos 24 anciões prostrados adorando a Deus e pedindo o extermínio dos
ímpios e o juízo final, e antes da visão da mulher grávida vestida de
sol com a coroa de doze estrelas. O relato de João está em Apocalipse
11:19: "Então, abriu no céu o templo de Deus, apareceu a arca do seu
testamento, no seu templo, sobrevieram relâmpagos, vozes, um terremoto e
uma grande chuva de pedra".
A busca pela Arca
Não há certezas acerca de sua existência ou destruição. É possível
que, antes de atear fogo ao Templo, os soldados de Nabucodonosor tenham
tomado todos os objetos de valor (incluindo a arca coberta de ouro) e a
levado como premio pela conquista.
Uma vez em posse dos babilônicos, ela pode ter sido destruída para se
obter o ouro, ou conservada como troféu. Babilônia também foi
conquistada posteriormente por persas, macedónios, partos e outros tantos povos, e seus tesouros (incluindo possivelmente a Arca) podem ter tido incontáveis destinos.
De qualquer modo, ela tem sido um dos tesouros arqueológicos mais cobiçados pela humanidade, e inúmeras expedições à Mesopotâmia e à Palestina
foram realizadas, sem sucesso. Existem hoje em vários museus réplicas
da Arca baseadas nas descrições bíblicas, mas a verdadeira jamais foi
encontrada.
O cineasta George Lucas inspirou-se na busca pela Arca para o roteiro de seu filme Raiders of the Lost Ark
(intitulado Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida, no Brasil;
Indiana Jones e os Salteadores da Arca Perdida, em Portugal).
Para a Igreja Ortodoxa Etíope, a Arca foi levada à Etiópia por Menelik I, filho do Rei Salomão e Makeda, a Rainha de Sabá. A Arca estaria guardada numa capela da Igreja de Santa Maria de Sião da cidade de Aksum, no norte da Etiópia, onde um único sacerdote pode vê-la. A narrativa dessa tradição etíope encontra-se no Kebra Negast, o Livro da Glória dos Reis da Etiópia.
História de Portugal
O MARQUÊS DE POMBAL
Um dos personagens mais emblemáticos da nossa Monarquia e um dos políticos mais inteligentes e empreendedores que esse regime nos deu. Aqui tem revelada toda a sua biografia, as suas obras, assim como as suas obcessões, inimigos e as batalhas que travou. Foi responsável pela organização e reconstrução de Lisboa após o terrível terramoto de 1755, dirigindo a cidade e o País com punho de ferro e com o total apoio do Rei D. José. Mas na vida do Marquês, nem tudo foram rosas e teve de enfrentar os seus detractores e inimigos, que lhe apontaram graves erros na sua governação, como a expulsão dos Jesuítas, que terá mergulhado a educação do País num caos. Apesar disso, viria a ser reconhecido o seu papel na História do País, numa época particularmente difícil. Foi um exemplo de político inovador e empreendedor, que pensou e aplicou soluções originais e específicas, para problemas específicos que o País atravessava. Muito há a aprender com o exemplo que aqui se deixa de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal.
Áudio: Português
Fonte: Canal Historia - YouTube - Wikipédia.
Sebastião José de Carvalho e Melo
Sebastião José de Carvalho e Melo
Retrato do Marquês de Pombal (1699-1782),
Escola portuguesa, Museu Francisco Tavares Proença
Sebastião José de Carvalho e Melo, primeiro Conde de Oeiras e Marquês de Pombal (Lisboa, 13 de maio de 1699 – Pombal, 8 de maio de 17821 ) foi um nobre, diplomata e estadista português. Foi secretário de Estado do Reino durante o reinado de D. José I (1750-1777), sendo considerado, ainda hoje, uma das figuras mais controversas e carismáticas da História Portuguesa.
Representante do despotismo esclarecido em Portugal no século XVIII, viveu num período da história marcado pelo iluminismo. Iniciou com esse intuito várias reformas administrativas, económicas e sociais. Acabou com a escravatura em Portugal Continental a 12 de fevereiro de 1761 e, na prática, com os autos de fé em Portugal e com a discriminação dos cristãos-novos, apesar de não ter extinguido oficialmente a Inquisição portuguesa, em vigor "de jure" até 1821.
Durante o reinado de D. João V foi embaixador nas cortes do Reino da Grã-Bretanha, em Londres, Inglaterra, e do Sacro Império Romano-Germânico, em Viena, Arquiducado da Áustria1 .
A sua administração ficou marcada por duas contrariedades célebres: o primeiro foi o Terramoto de Lisboa de 1755, um desafio que lhe conferiu o papel histórico de renovador arquitectónico da cidade. Pouco depois, o Processo dos Távoras, uma intriga com consequências dramáticas. Foi um dos principais responsáveis pela expulsão dos jesuítas de Portugal e das suas colónias2 .
Após a sua morte, na noite de 11 de maio de 1782,
o seu cadáver foi conduzido num coche puxado por três parelhas para a
igreja do convento de Santo António da vila de Pombal. Contava o marquês
de Pombal com 82 anos, quando os seus restos mortais ali foram
depositados. Com o advento das invasões francesas a sua sepultura foi profanada pelos soldados do marechal André Masséna. Em 1856/7, o Marechal Saldanha,
seu neto por via materna, trasladou para Lisboa os restos mortais, que
foram depositados na ermida das Mercês, onde o Marquês de Pombal fora
baptizado e, inclusive, pertencia à irmandade. Em 1923, passaram
definitivamente os restos mortais para a Igreja da Memória, Lisboa, onde se encontram até ao presente.
O quadro "O Marquês de Pombal iluminando e reconstruindo Lisboa", assinado conjuntamente por Louis-Michel van Loo (1707-1771) e Claude-Joseph Vernet (1714-1789), dois grandes pintores da sua época, representa o estadista, em 1759, no centro de uma cena de grande significado político e económico.3
Biografia
Na sua juventude estudou Direito, na Faculdade de Leis e na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra, e serviu no exército um curto período. Quando se mudou para a capital, Lisboa, Sebastião de Carvalho era um homem turbulento.
Tal como o pai, terá nascido numa vila pacata no centro do País, de nome Carvalho. Daí surgira o nome da vila, em louvor a Manuel.
No centro da Serra do Buçaco, ainda hoje se conserva o pelourinho
mandado erguer por marquês de Pombal, e a casa onde nasceu, com duas
janelas embelezadas por uma espécie de nicho trabalhado em pedras da
serra, que simbolizam a nobreza de tal homem.
Dados genealógicos
Filho de Manuel de Carvalho e Ataíde, fidalgo da província, com propriedade na região de Leiria e de sua mulher, Teresa Luísa de Mendonça de Melo, esta descendente de fidalgos estabelecidos no Brasil. Entre os ascendentes de sua mãe podemos citar as famílias Albuquerque, Moura4 e Cavalcanti, sendo descendente por duas linhas, uma delas matrilineal, da índiabrasileiratabajara Tindarena ou Tabira, batizada como Maria do Espírito Santo Arco Verde.5
Quando era ainda apenas um fidalgo sem grandeza, aos 23 anos,
Sebastião José, como lhe chamava a alta nobreza sua inimiga, casou-se
com uma viúva1 e importante dama aristocrata, D. Teresa de Noronha e Bourbon Mendonça e Almada (1689-1737), dez anos mais velha1 , sobrinha do conde de Arcos6 , o que criou a Sebastião de Carvalho problemas com a família da mulher.
Tinha casado por arranjo da família, depois de um rapto consentido.
Os pais da recém-formada família tornaram a vida do casal insustentável,
pelo que se retiraram para as suas propriedades próximas de Pombal.
Durante a sua carreira no estrangeiro e já viúvo, encontrou a mulher que lhe viria a dar cinco filhos.
Casou segunda vez com Eleonore Ernestine Eva Wolfganga Josefa, Gräfin
von und zu Daun auf Sassenheim und Callaborn, ou simplesmente condessa de Daun7 , filha de Heinrich Reichard Lorenz, conde de Daun e de Maria Violante Josepha von Boymont, condessa de Payrsberg89 .
Tiveram:
Assento de baptismo de Sebastião José de Carvalho e Melo, datado de 6 de junho de 1699. Paróquia de Mercês, Lisboa.
D. Maria Francisca Xavier Ema Anselma de Carvalho e Daun casada com D. Cristóvão Manoel de Vilhena,
Tenente-General, Senhor da Zibreira, Alcaide-Mor de Alegrete, Morgado
da Tapada da Cubeira e da Alcaparinha, Comendador de Pernes (pai da
Senhora de Pancas a 1.º Condessa de Alpedrinha) 12 .
Do tio paterno, Paulo de Carvalho, herdou o morgado constituído por bens em Oeiras e Sintra. Em 1733 foi nomeado Sócio da Real Academia Portuguesa da História.16 Também através do tio terá conhecido o cardeal D. João da Mota, primeiro-ministro, que o enviou para Londres para substituir, como embaixador, Marco António de Azevedo Coutinho, a quem tratava carinhosamente por tio nas cartas que trocavam (mas parece que seriam somente primos). Aí chegou em outubro de 1738 com 39 anos. Terá sido esta a fase que mais ajudou a formar o seu espírito reformador. A Grã-Bretanha
era uma sociedade culta, progressiva e liberal, o oposto do obscuro
Portugal. Na altura o idioma usado na diplomacia europeia era o francês, pelo que o embaixador nunca aprendeu inglês, socorrendo-se de intérpretes, como era habitual.
Em 1739, rebenta a Guerra da Orelha de Jenkins entre ingleses e espanhóis, logo seguida, em 1742, da Guerra da Sucessão Austríaca.
Em ambas Portugal se manteve neutro e a Inglaterra participante ativo.
Essa neutralidade não dava direito aos ingleses de usarem as águas
portuguesas, mas a Inglaterra abusava e desrespeitava o reino português
atacando aí os navios espanhóis. O embaixador português debalde
apresentava as reclamações. A primeira função de Carvalho17 em Londres foi obter ajuda para as forças portuguesas na Índia, onde tinham perdido a ilha de Salsete. A Inglaterra não ajudou.
Em 1740, a Grã-Bretanha proibiu toda a exportação de trigo. Portugal
foi afetado por esse corte no fornecimento e o embaixador português,
mais uma vez, não conseguiu nada a favor de Portugal.
Uma das grandes pretensões de Portugal era a Colónia de Sacramento. Carvalho apresentou a Robert Walpole o pedido para que o rei britânico, como fiador do tratado de Utrecht,
reconhecesse o direito de Portugal à colónia e que auxiliasse a
expulsar os intrusos espanhóis. As constantes negativas e delongas nas
respostas às suas solicitações e reclamações mostram a consideração que a
Grã-Bretanha tinha por Portugal: uma dependência e não um aliado.
Face a isto, a opinião de Carvalho era que "o inglês imagina (...) que nasceu para ser senhor dos cabedais do mundo"18
. Opinava também negativamente sobre o parlamentarismo britânico,
preferindo adotar como modelos os estadistas franceses, nomeadamente Richelieu.
Contudo reconhecia o espírito empreendedor britânico, a sua cobiça
insaciável e a sua tenacidade no Oriente. A opinião negativa que tinha
dos ingleses aplicava-se também aos inúmeros britânicos que viviam em
Portugal. Considerava ele que os britânicos dominavam o comércio em
Portugal, nomeadamente o do vinho, e que aqueles o falsificavam
destruindo a fama do produto nacional. Eis os fundamentos da futura
ideia da Companhia dos Vinhos. E também da sua preferência pelo comércio
com as colónias portuguesas, pois considerava que Portugal poucos
lucros obtinha com o comércio com o estrangeiro.
Foi em Londres que conheceu um ex-funcionário da Companhia da Índias
de nome Cleland. Das suas conversas surgiu a ideia de uma companhia
idêntica para os domínios portugueses. Mas uma companhia que
necessitaria de muito capital, que teria um retorno periclitante, não
poderia singrar sem alguma proteção ou privilégio. Eis o surgir da ideia
de monopólio que mais tarde viria a usar em diversas situações.
Carvalho tinha grande preconceito contra os judeus.
Considerava que estes usavam artifícios para extorquir dinheiro,
passá-lo por Inglaterra a caminho da Holanda (para onde fugiram muitos
judeus aquando da expulsão da Península Ibérica). Considerava ainda que
estes tinham uma grande conspiração contra todos os países em que tinham
sido perseguidos e a favor dos que os recebiam.
Concluindo, a função de Carvalho em Londres foi um fracasso: não conseguiu ajuda para Salsete,
não conseguiu o reconhecimento em Sacramento, os marinheiros
portugueses eram maltratados nos portos britânicos, Portugal não foi
exceptuado à proibição de exportação do trigo e não havia igualdade
comercial. Mas foi em Londres que germinaram as ideias e planos
económicos mais tarde implementados.
Missão a Viena
Leonor Ernestina de Daun, 1.ª marquesa de Pombal
Em 1745 foi transferido para Viena, Áustria. Nesta época Viena vivia a Guerra da Sucessão Austríaca em que se discutia o futuro do Sacro Império Romano-Germânico. Era rainha da Áustria D. Maria Teresa e Papa Bento XIV
(Benedito XIV). Em Roma dividiam-se os partidos mas a maioria estava
contra os intentos da rainha. Daí que esta quisesse colocar no Colégio dos Cardeais um seu defensor, o que aliás já estava combinado desde antes da morte do seu pai, Carlos VI.
Agora a Santa Sé voltava atrás com a palavra, criando um problema
diplomático. O embaixador português em Roma, Manuel Pereira de Sampaio,
sugeriu ao Papa a mediação dos reis portugueses, tios da rainha
austríaca (a rainha portuguesa D. Maria Ana de Áustria
era irmã de Carlos VI). Não havendo na altura embaixador português em
Viena, foi Sebastião José de Carvalho o escolhido, pese embora
mantivesse a sua posição em Londres.
Carvalho viria a considerar esta atribuição um desterro e um presente
envenenado. Considerava que era impossível a negociação e que o seu
envio tinha só o intuito de o excluir da criação da Companhia para a
Índia, que tinha projetado em Londres. Este projeto da Companhia teve de
imediato oponentes e o primeiro-ministro, D. João da Mota, rejeitou-o por falta de meios financeiros.
Em dezembro de 1744, Carvalho saiu de Lisboa. Mas primeiro
desembarcou novamente em Londres. Tinha que tratar de negócios da
embaixada mas também de seguir o plano da Companhia da Índia que teimava
em prosseguir.
Só em maio de 1745 é que seguiu para o continente. Esta demora
impacientou os reis portugueses. Passou primeiro por Haia, depois por
Hanover e só chegou a Viena em julho. Pouco depois, em 13 de Setembro de
1743, era eleito como Sacro Imperador o marido da rainha austríaca, Francisco Estêvão.
Mantinha-se a questão do lugar no Colégio dos Cardeais, agravada com
picardias. Em Viena a opinião era que na verdade não teria sido o Papa a
propor a mediação portuguesa e que o enviado português não seria
imparcial. Para piorar a situação de Carvalho, a carta do rei português à
sua sobrinha apresentava-o não como ministro (embaixador), mas como
emissário. Com isto, o enviado não tinha qualquer qualificação
diplomática.
Aos 46 anos casa-se pela segunda vez, desta feita com Leonor de Daun, dama da corte e filha de ilustre família austríaca.19
Se Maria Teresa parecia ceder, Roma parecia inflexível. Carvalho
convenceu-se que a sua missão era impossível e comunicou à rainha
austríaca a sua partida para Londres. O governo português mostrou
descontentamento com essa opção e obrigou-o a manter-se em Viena.
A tarefa de Carvalho era complicada. Viena considerava a mediação
portuguesa uma intromissão e Carvalho um defensor de Roma. Roma
considerava-o incapaz de imparcialidade, ainda por cima agora casado com
uma austríaca, e os cardeais sentiam-se despeitados pela decisão do
Papa em ter aceite a intermediação portuguesa sem os consultar. Ou seja,
nenhuma das cortes ansiava pelo sucesso de Carvalho. Em maio de 1746,
Carvalho pediu a demissão da sua função que não foi aceite.
Em julho de 1746 parecia não mais ser necessária a mediação
portuguesa já que Roma e Viena tinham encetado negociações diretas. Mas
eis que faleceu Filipe V de Espanha e ascendeu ao trono o seu filho Fernando VI, genro de D. João V.
Surgiu novamente a hipótese de uma intermediação portuguesa, desta
feita para a guerra em geral. Para tal Carvalho é chamado à presença da
imperatriz. Esta era um oportunidade de Portugal sobressair e melhorar
as relações com Espanha. Finalmente as partes chegaram a acordo e se
chegou à paz.
Só quando faleceu Filipe V de Espanha é que Carvalho foi
verdadeiramente incumbido (a 18 de Outubro de 1746) de poderes para
negociar e assinar acordos relativos à mediação, que só agora era
reconhecida por Viena. Novo problema surgiu entretanto, agora relativo
ao príncipe-eleitor de Mogúncia.
Estas questões entre Viena e Roma arrastaram-se por mais dois anos até
1748. A contenda chegou ao fim com a ajuda de Carvalho e não mais
havendo entre as duas coroas, terminou a função daquele em Viena.
Enquanto durou a batalha diplomática entre Viena e Roma, outra, de
âmbito pessoal, decorria entre os ministros (embaixadores) portugueses
das mesmas cidades: Carvalho e Manuel Pereira de Sampaio. Carvalho muito
escreveu sobre o seu colega. Acusou-o de ambicionar um papel de relevo
na mediação e de querer Carvalho como mero subalterno. Esta inimizade
pode ter desfavorecido Carvalho junto do rei D. João V.
Durante a sua estadia em Viena, Carvalho teve problemas financeiros. O
seu banqueiro aí era o barão Diogo de Aguilar (Jakob, Freiherr von
Aguilar), judeu português foragido na Alemanha, por medo da fogueira. O
socorro que este judeu lhe prestou, e outros já em Londres, é capaz de
justificar a mudança de opinião de Carvalho sobre os mesmos e as
atitudes que teve no futuro em seu benefício.
Em 1747 foi-lhe nomeado sucessor em Londres. Descontente com a
notícia, que lhe travava os seus planos da Companhia da Índia, não
ajudou minimamente o sucessor.
Em 1749 chegou a Portugal, mas enquanto viveu D. João V, não conseguiu nova função.
Alguns autores acreditam ter sido neste período que aderiu à Maçonaria.
O rei morreu no ano seguinte e, de acordo com uma recomendação da rainha-mãe, o novo rei D. José I
nomeou Sebastião José como ministro dos Negócios Estrangeiros. Ao
contrário do pai, D. José foi-lhe muito benévolo e confiou-lhe
gradualmente o controle do Estado.
Em 1755, Sebastião de Melo já era Secretário de Estado dos Negócios Interiores do Reino, cargo homólogo ao actual primeiro-ministro.
Governou com mão de ferro, impondo a lei
a todas as classes, desde os mais pobres até à alta nobreza.
Impressionado pelo sucesso económico inglês, tentou implementar medidas
que incutissem um sentido semelhante à economia portuguesa.
A região demarcada para a produção do vinho do Porto,
a primeira região a assegurar a qualidade dos seus vinhos, data da sua
governação. Em sua gestão, Pombal pôs em prática um vasto programa de
reformas, cujo objectivo era racionalizar a administração sem
enfraquecer o poder real. Para atingir essa meta, o ministro incorporou
as novas ideias divulgadas na Europa pelos iluministas, mas ao mesmo
tempo conservou aspectos do absolutismo e da política mercantilista.
O Marquês de Pombal foi a figura-chave do governo português entre 1750 e 1777. Sua gestão foi um perfeito exemplo de despotismo esclarecido, forma de governo que combinava a monarquia absolutista com o racionalismo iluminista.
Uma notável realização de Pombal foi a fundação, em 1774, da Vila Real de Santo António, próxima à foz do rio Guadiana, no sul de Portugal.
Aboliu também a escravatura nas Índias Portuguesas, reorganizou o exército e a marinha, reestruturou a Universidade de Coimbra acabando com a discriminação dos "cristãos novos"
(pelo menos em parte), contratando prestigiados professores
estrangeiros e equipando-a com aparelhos científicos modernos. Apesar
dessa reestruturação da Universidade de Coimbra o número de alunos
universitários baixa de 4500 para apenas 500 devido ao desastre
educacional que resultou das reformas do Marquês no ensino não
universitário. Mas uma das mais importantes reformas foi nos campos das economias e finanças,
com a criação de companhias e associações corporativas que regulavam a
actividade comercial, assim como a reforma do sistema fiscal.
Todas estas reformas granjearam-lhe a inimizade das altas classes sociais, em especial da nobreza, apelidando-o "novo rico".
O terramoto de 1755
O desastre abateu-se sobre Portugal na manhã do dia 1 de novembro (dia de Todos os Santos) de 1755. Nesta data, Lisboa foi abalada por um violento tremor de terra, com uma amplitude que em tempos actuais é estimada em cerca de nove pontos na escala de Richter. A cidade foi devastada pelo tremor de terra, pelo maremoto e ainda pelos incêndios que se seguiram.
Sebastião de Carvalho sobreviveu por sorte, mas não se impressionou.
Imediatamente tratou da reconstrução da cidade, de acordo com a famosa
frase: "E agora? Enterram-se os mortos e cuidam-se os vivos". Apesar da calamidade, Lisboa não foi afectada por epidemias e menos de um ano depois já se encontrava parcialmente reconstruída.
A baixa da cidade foi redesenhada por um grupo de arquitectos,
com a orientação expressa de resistir a terramotos subsequentes. Foram
construídos modelos para testes, nos quais os terramotos foram simulados
pelo marchar de tropas. Os edifícios e praças da Baixa Pombalina de Lisboa ainda prevalecem, sendo uma das atracções turísticas de Lisboa.
Sebastião de Melo fez também uma importante contribuição para a sismologia:
elaborou um inquérito enviado a todas as paróquias do país. Exemplos de
questões aí incluídas: os cães e outros animais comportaram-se de forma
estranha antes do evento?; O nível da água dos poços subiu ou desceu?;
Quantos edifícios foram destruídos? Estas questões permitiram aos
cientistas portugueses a reconstrução do evento e marcaram o nascimento
da sismologia enquanto ciência.
O processo dos Távoras
Retrato do Marquês de Pombal com a insígnia da Ordem de Cristo.
Na sequência do terramoto ficou só menos de dois anos mais como
Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. O rei D. José I deu ao seu primeiro-ministro poderes acrescidos, tornando-o numa espécie de ditador, e fê-lo Conselheiro de Estado e Comendador de Santa Marinha da Mata de Lobos e de São Miguel das Três Minas, ambas na Ordem de Cristo. À medida que o seu poder cresceu, os seus inimigos aumentaram e as disputas com a alta nobreza tornaram-se frequentes.
Em 1758D. José I é ferido numa tentativa de regicídio. A família de Távora e o Duque de Aveiro
foram acusados como implicados no atentado e executados após um rápido
julgamento. Nessa altura Sebastião de Melo não mostrou qualquer
misericórdia, tendo perseguido cada um dos envolvidos.
Com este golpe final, o poder da nobreza foi decisivamente
contrariado, marcando uma vitória sobre os seus inimigos, aqueles que
tinham força para se oporem a si e ao rei. Pela sua acção rápida, D.
José I atribuiu ao seu leal ministro o título de SenhorDonatário das vilas de Oeiras e seu termo e de Pombal, com o título de Conde de Oeiras, em 1759.
A 3 de Setembro 1759, um ano depois da tentativa de regicídio a D. José, expulsou os jesuítas da metrópole e das colónias, confiscando seus bens, sob a alegação de que a Companhia de Jesus
agia como um poder autónomo dentro do Estado português e as suas
ligações internacionais eram um entrave ao fortalecimento do poder
régio.
No seguimento do caso Távora, o novo Conde de Oeiras não conheceu qualquer nova oposição. Adquirindo o título de Marquês de Pombal em 1770, teve quase exclusivamente o poder de governar Portugal até à morte de D. José I em 1777.
A sucessora, rainha D. Maria I e o seu marido D. Pedro III
detestavam o Marquês. D. Maria I teria alegadamente sofrido de ataques
de raiva apenas ao ouvir o nome do antigo primeiro-ministro de seu pai.[carece de fontes]
A Rainha nunca perdoou a impiedade mostrada para com a família Távora
e retirou-lhe todos os cargos. Mais ordenou que o Marquês se
resguardasse sempre a uma distância de pelo menos 20 milhas dela. Se
passasse em viagem por uma das suas propriedades, o Marquês era obrigado
por decreto a afastar-se de casa.
O Marquês de Pombal morreu pacificamente na sua propriedade em 8 de Maio de 1782. Os seus últimos dias de vida foram vividos em Pombal e na Quinta da Gramela, propriedade que herdara de seu tio, o arciprestrePaulo de Carvalho e Ataíde, em 1713.
Foi homenageado com uma estátua numa das mais importantes praças de Lisboa,
que tem o seu nome, inaugurada a 13 de maio de 1934 pelo ministro das
obras públicas Duarte Pacheco, mas sem a presença quer do primeiro
Ministro Oliveira Salazar quer do Presidente da Repúbilca Óscar Carmona20 . Marquês de Pombal é também o nome da estação de metropolitano mais movimentada de Lisboa.
Reformas
Reformas económicas
Monumento ao Marquês de Pombal, na praça de mesmo nome, em Lisboa.
Apesar dos problemas, Sebastião de Melo levou a cabo um ambicioso
programa de reformas. Entre outras realizações, o seu governo procurou
incrementar a produção nacional em relação à concorrência estrangeira,
desenvolver o comércio colonial e incentivar o desenvolvimento das
manufacturas.
No âmbito dessa política não hesitou em impor monopólios esmagando a concorrência interna. Assim, em 1753 foi fundada a Companhia do Comércio da Ásia Portuguesa (de efêmera duração) e, em 1756, a Companhia para a Agricultura das Vinhas do Alto Douro, à qual o ministro concedeu isenção de impostos no comércio e nas exportações, estabelecendo assim a primeira região demarcada de produção vinícola no mundo, colocando-se os célebres marcos pombalinos nas delimitações da região. Em 1773, surgia a Companhia Geral das Reais Pescarias do Reino do Algarve, destinada a controlar a pesca no sul de Portugal.
Ao mesmo tempo, o marquês criou estímulos fiscais para a instalação
de pequenas manufacturas voltadas para o mercado interno português, do
qual também faziam parte as colónias. Essa política proteccionista
englobava medidas que favoreciam a importação de matérias-primas e
encareciam os produtos importados similares aos de fabricação
portuguesa. Como resultado, surgiram no reino centenas de pequenas
manufacturas produtoras dos mais diversos bens.
O ministro fundou também o Banco Real em 1751 e estabeleceu uma nova estrutura para administrar a cobrança dos impostos, centralizada pela Real Fazenda de Lisboa, sob seu controle directo.
De uma maneira geral e de acordo com a mentalidade iluminista,
mostrava considerar o desenvolvimento económico e o exercício absoluto
do poder como dois aspectos da mesma realidade: é difícil dizer se, para
Pombal, o poder servia o desenvolvimento ou o desenvolvimento afirmava o
poder.
Reformas religiosas
A acção reformadora de Pombal estendeu-se ainda ao âmbito da política
religiosa. Também neste campo, o Primeiro-Ministro empenhou-se no
fortalecimento do absolutismo régio e no combate a sectores e instituições que poderiam enfraquecê-lo.
A 3 de setembro 1759, curiosamente passado um ano depois da tentativa de regicídio a D. José, expulsou os jesuítas da metrópole e das colónias, confiscando os seus bens, sob a alegação de que a Companhia de Jesus agia como um poder autónomo dentro do Estado português.
Nomeou o seu irmão Paulo António de Carvalho e Mendonça Presidente do Conselho do Santo Ofício (Inquisição).
Assim apesar de a Inquisição não ter sido oficialmente desmantelada,
ela sofreu com o governo de Pombal um profundo abalo na sua autonomia,
sendo usada como instrumento de poder político do Marques, com a criação
de medidas que a levaram à progressiva subordinação à autoridade real.
O Tribunal do Santo Ofício passava a ser pouco mais que uma agência governamental: em 1 de outubro de 1774,
publicou um decreto que fazia os veredictos do Santo Ofício dependerem
de sanção real. Entretanto, deixariam de se organizar em Portugal os Autos-de-fé.
Em 5 de outubro de 1768
obrigou por decreto a "primeira nobreza da corte" (principais titulares
do reino de Portugal, na altura chamados de "puritanos", i.e., aqueles
que em prol da limpeza de sangue
praticavam uma estricta endogamia, de maneira a evitar que nas suas
linhagens entrasse "mancha de nação impura" - judeus ou mouriscos) a
casar fora do seu grupo social ou com linhagens com menores garantias de
pureza.
Em 25 de maio de 1773 fez promulgar uma lei que extinguia as diferenças entre cristãos-velhos (católicos sem suspeitas de antepassados judeus) e cristãos-novos,
tornando inválidos todos os anteriores decretos e leis que
discriminavam os cristão-novos e impunham critérios de "limpeza de
sangue".
Passou a ser proibido usar a palavra "cristão-novo", quer por escrito
quer oralmente. As penas eram pesadas: para o povo - chicoteamento em
praça pública e exílio em Angola; para os nobres - perda de títulos, cargos, pensões ou condecorações; para o clero - expulsão de Portugal.
Reformas na educação
A educação em Portugal até então vinha sendo dominada quase que em exclusivo pela Companhia de Jesus e outras congregações. Em 1759,
com a reforma Pombalina os jesuítas foram expulsos de todo o território
português, e Pombal fez publicar um alvará, que seria a solução para a
situação em que se encontrava a educação em Portugal.
A expulsão dos jesuítas representou um desastre sem igual na educação
em Portugal. Os jesuítas forneciam educação gratuita a perto de 20 mil
alunos, tendo praticamente o monopólio da educação não superior.
Portugal só voltará a ter este número de alunos no início do século XX,
quando a população é o dobro da daquela época.21
Pombal, criou pela primeira vez o cargo de Diretor Geral dos Estudos,
que tem como função vigiar o progresso dos estudos e elaborar um
relatório anual da situação do ensino.
A censura esteve em grande destaque durante a governação de Pombal, expressa pela destruição e proibição de livros de autores como Diderot, Rousseau, Voltaire, La Fontaine, que eram tidos como "corruptores da Religião e da Moral" (CARVALHO 2001:468) e de conteúdo "ofensivo da paz e sossego público".
Pombal introduziu importantes mudanças no sistema de ensino
(superior) do reino e das colónias - que até essa época estava sob a
responsabilidade da Igreja -, passando-o ao controle do Estado. A Universidade de Évora, por exemplo, que havia sido fundada no século XVI pelo cardeal D. Henrique, pertencente aos jesuítas, foi extinta, e a Universidade de Coimbra sofreu profunda reforma, sendo modernizada.22
Devido à expulsão dos jesuítas e consequente fim das suas escolas o
número de alunos que chega à universidade baixa enormemente nos tempos
do Marquês de Pombal, de 3 mil na universidade de Coimbra mais 1,5 mil
na universidade de Évora em poucos anos a universidade sobrante, a de
Coimbra fica apenas com 500 alunos.23
Foi criada ainda a Aula do Comércio, implementada em Lisboa em 1759, primeiro estabelecimento de ensino oficial no mundo a ensinar a Contabilidade de uma forma técnico-profissional.
Em dezembro de 1770 foi criada a Junta de Previdência Literária,
que tinha como objetivo apurar das causas da decadência da Universidade
de Coimbra. Menos de um ano depois, a Junta apresentava as conclusões e
os responsáveis: os jesuítas.
Reformas no aparelho de Estado
Marquês de Pombal introduziu, de igual modo, importantes mudanças no aparelho de estado português.
A criação das primeiras compilações de direito civil, que substituiu
assim o direito canónico, representou o primeiro passo para a afirmação
de Pombal enquanto estadista e o estado como entidade superior e
autónoma face ao resto da sociedade, inclusive até à própria Igreja Católica. De facto, o estado português pronunciou-se várias vezes em desacordo com a Santa Sé, estabelecendo-se corte de relações diplomáticas até à morte de D. José e posterior subida ao trono de D. Maria I.
Introduziu em Portugal a censura de livros e publicações de carácter político, instituindo a Real Mesa Censória (1768), instrumento de defesa da teoria do direito divino dos reis e de perseguição à teoria do pacto de sujeição do rei à soberania da comunidade defendida pelos jesuítas.
Pombal fez florescer um novo conceito na História portuguesa, o chamado pombalismo.
O pombalismo era uma doutrina política segundo a qual, toda a
governação vai no sentido de racionalizar o estado e de Portugal superar
atrasos vários na sua economia.
Existe dissonância entre a percepção do Marquês entre alguns setores
do ensino básico em Portugal e alguns brasileiros, principalmente da
região sul - que o vêem como um tirano e opressor.
Na visão do governo português, a administração da colónia devia ter
sempre como meta a geração de riquezas para a metrópole. Esse princípio
não mudou sob a administração do Marquês. O regime de monopólio
comercial, por exemplo, não só se manteve, como foi acentuado para se
obter maior eficiência na administração colonial.
Em 1755 e 1759, foram criadas, respectivamente, a Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão e a Companhia Geral de Comércio de Pernambuco e Paraíba,
empresas monopolistas destinadas a dinamizar as atividades económicas
no Norte e Nordeste da colónia. Esta não deve ser confundida com a Companhia do Estado do Maranhão, criada em 1682, e associada à Revolta de Beckman
- contra os preços abusivamente altos praticados pela Companhia em
todos os bens de consumo da população, e os preços baixos na compra dos
géneros tropicais produzidos pelos mesmos colonos.
No entanto, na região mineira, instituiu a derrama em 1765, com a finalidade de obrigar os mineradores a pagarem os impostos atrasados. A derrama foi um dos factos que motivou depois a Inconfidência Mineira.
As maiores alterações, porém, ocorreram na esfera político-administrativa e na educação. Em 1759, o regime de capitanias hereditárias foi definitivamente extinto, com a sua incorporação aos domínios da Coroa portuguesa. Quatro anos depois, em 1763, a sede do governo-geral da colónia foi transferida de Salvador da Bahia para o Rio de Janeiro, cujo crescimento sinalizava o deslocamento do eixo económico do Nordeste para a região Centro-Sul.
Com a expulsão violenta dos jesuítas do império português, o Marquês determinou que a educação na colónia passasse a ser transmitida por leigos nas chamadas Aulas Régias.
Até então, o ensino formal estivera a cargo da Igreja. O ministro
regulamentou ainda o funcionamento das missões, afastando os padres de
sua administração, e criou, em 1757, o Diretório, órgão composto por homens de confiança do governo português, cuja função era gerir os antigos aldeamentos.
Mausoléu ao Marquês de Pombal, Igreja da Memória, Ajuda-Lisboa
Complementando esse "pacote" de medidas, o marquês procurou dar maior
uniformidade cultural à colónia, proibindo a utilização do Nheengatu, a língua geral (uma mistura das línguas nativas com o português, falada pelos bandeirantes)
e tornando obrigatório o uso do idioma português. Alguns estudiosos da
história afirmam que foi com esta medida que o Brasil deixou o rumo de
ser um país bilingue.
Na região amazónica,
utilizava-se a mão-de-obra indígena em quase tudo. Porém, ao contrário
dos colonos, os jesuítas obtinham a cooperação voluntária dos índios.
Assim, enquanto as missões prosperavam, as aldeias dos colonos
enfrentavam numerosas dificuldades. A expulsão dos jesuítas levou à
desagregação da economia coletora de drogas do sertão,
causando uma longa fase de estagnação económica em várias regiões da
Amazónia, superada apenas no final do século XIX com o surto da
borracha.24
Também estimulou a miscigenação com os indígenas no país, proibindo a
escravização dos mesmos como uma das medidas, já que percebeu que a
única forma de manter uma colónia tão grande sem perdê-la para outros
países europeus era povoá-lo com súditos da coroa portuguesa.
Ainda hoje, encontra-se uma estátua de mármore em tamanho natural do Marquês de Pombal na Santa Casa de Misericórdia da Bahia localizada no centro histórico de Salvador.
O autor brasileiro José Joaquim de Sousa Nunes
viajou a Portugal para publicar em 1758 "Discursos Político-morais",
dedicado ao Marquês de Pombal. Mas ao tomar conhecimento da obra, Pombal
mandou queimar todas as edições impressas, pois não autorizara a
dedicatória e não concordara com determinados conteúdos. Apenas três
edições se salvaram, de propriedade do poeta Alberto de Oliveira, entregues à Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. A Academia Brasileira de Letras publicou uma nova edição em 1931 25 .
Fim da vida
Pombal não era muito bem visto por boa parte da nobreza portuguesa,
nobres e os representantes do clero não gostaram de suas reformas porque
tiveram seu poder e privilégios reduzidos, também havia o caso de como
havia procedido no processo dos Távoras, membros da família e seus
servos haviam sido torturados e mortos. Maria I - que passou à história
como D. Maria I, A Pia - odiava-o. Quando o rei José morreu e a
rainha subiu ao trono, em 1777, o marquês foi afastado do governo e
condenado ao ostracismo, acusado de corrupção. Quis se defender, mas não
lhe deram voz. A rainha fez publicar uma decisão dizendo que perdoava
ao marquês por seus crimes e, como era senil e doente, não se exigiria
que ele saísse do país. Essa atitude desgostou Pombal que se isolou em
seu palácio, onde ficou até morrer, aos 83 anos.