segunda-feira, 10 de novembro de 2014

GUERRA DO ULTRAMAR: OPERAÇÃO MAROSCA - O MASSACRE DE WIRYAMU

Guerra Colonial
GUERRA DO ULTRAMAR: OPERAÇÃO MAROSCA - O MASSACRE DE WIRYAMU
Muitas vezes somos confrontados com filmes da guerra do Vietname e da heroicidade dos soldados Americanos. Esquecemo-nos que Portugal teve a sua guerra e não numa só frente, mas em várias frentes. Uma guerra que talvez tenha sido tão dura, ou ainda mais, do que a do Vietname.Como não temos a poderosa industria cinematografica que tem os USA, pouco sabemos dos episódios dessa guerra sangrenta. Por isso, esta é uma oportunidade única de tomarmos contacto com um dos episódios negros da nossa guerra do ultramar e do inferno que ela constituiu para as povoações e para os nossos soldados. Conhecida como "Operação Marosca", nunca foi oficialmente reconhecida, no entanto é inegável que algo se passou naquele dia fatídico.
O episódio deu-se em Moçambique na região do Tete, a 16 de Dezembro de 1972, vindo a ser denunciado pelo padre católico Irlandês Adrian Hastings a uns missionários Espanhois. Os relatos afirmam que as tropas Portuguesas (victimas de inúmeras emboscadas por denuncias dos habitantes dessas aldeias que lhes causavam a morte, há que dizê-lo) bombardearam com aviões e desembarcaram de 5 helicópteros nessas aldeias, tendo cercado as aldeias e matado cerca de 400 pessoas.
Estes relatórios foram usados contra o governo Português, por Nações estrangeiras com interesses em África e por partidos políticos Portugueses, então proíbidos e na clandestinidade, como forma de pressão para acabarem com a guerra e darem a independência aos territórios então em guerra, pelo que se pensava terem sido exagerados. No entanto, é sabido que em todas as guerras há excessos.
25 anos passados, o então comandante da companhia de Comandos que executou as ordens, arrisca a vida e volta ao local onde tudo aconteceu, para saber o que realmente aconteceu e se o que os relatórios contam são verdade.
Aqui tem revelada toda a informação acerca deste terrível episódio, com relatório das victimas, relatos de sobreviventes, descrições e imagens dos acontecimentos com pormenores que podem afectar a sua sensibilidade.
Trata-se sem dúvida de um documento que mostra a crueldade de todas as guerras em geral, e em particular da pressão a que estiveram expostos os nossos soldados.
Lembro que de forma alguma podemos, a esta distancia e fora desse ambiente, julgar o comportamento de quem quer que seja (nem é isso que se pretende com esta publicação) até porque em primeiro lugar, esses soldados cumpriram ordens. Apenas pretendo lembrar uma época pela qual muitos dos nossos familiares passaram e alguns estiveram expostos. Portugal não tem de receber lições de nenhum País, acerca de ser Patriotas, lutar pela Pátria, grandes soldados, heróis de guerra, guerras brutais ou sobre ações de solidariedade e defesa das populações que ficam muito bem nas telas dos cinemas de alguns Países. Também nós tivemos as nossas guerras e os nossos heróis. Feliz ou infelizmente.

Áudio: Português
Texto: Português
Fontes: YouTube - Terraweb - Página Global

* DOCUMENTÁRIO: MASSACRE DE WIRYAMU - MOÇAMBIQUE:







* LISTA DE VICTIMAS E RELATÓRIOS SOBRE O MASSACRE:

OS MASSACRES DE TETE
16 de Dezembro de1972













O texto que se segue sobre os massacres de Chawola, Wiriyamu e Juwau, confirmam as afirmações feitas pelo padre Hastings, com base no testemunho dos 3 padres de Burgos expulsos depois dos massacres e é ainda confirmado por varias pessoas (soldados e civis) que estiveram em Tete nesta altura. 














I. O MASSACRE DE CHAWOLA ( Sab. 16/12/72 )
Mais ou menos pelas pelas 14 horas, 2 reactores bombardearam as povoações de Wiriyamu e Juwau a uns 25 Km de Tete (cidade), no regulado de Gandali; enquanto 5 helicópteros desembarcavam tropas armadas , que cercavam as ditas povoações e metralhavam o povo , que fugia do bombardeamento.
Eram duas grandes povoações, mas não sabemos o número dos sobreviventes. O certo é que tais povoações foram totalmente aniquiladas e arrasadas. A população de Chawola, povoação esta muito próxima das de Wiriyamu e Juwau. vendo o fogo dos bombardeamentos, das metreIhadoras e das palhotas a arder, juntou-se aterrorizada no pátio de Chawola. Pouco depois viu-se cercada pelas tropas, que entravam a disparar. O povo tentou fugir, mas os soldados reuniram de novo e imediatamente saquearam as palhotas (roubando dinheiro, roupa, rádios, etc.).
A seguir as tropas obrigam o povo a bater as palmas, para se despedir da vida, visto que já ia morrer, ordem a que o povo obedeceu. Enquanto batia as palmas, os soldados abriram fogo sobre a população reunida, fuzilando homens, mulheres e crianças. Juntaram os corpos, cobriram-nos de capim e deitaram-lhes fogo.
Enquanto os soldados incendiavam as palhotas, alguns, que tinham sido apenas feridos, e conseguiram sair da pilha já a arder. Destes, uns morreram no mato e outros encontram-se hospitalizados.
No dia seguinte ao destes massacres, somente no pátio de Chawola, contaram-se 53 cadáveres, dos quais foram identificadas os seguintes:



1. Chawola
2. Mwataika (mulher de Chawola)
3. Xavier (jovem, irmão de Chawola)
4. Mixoni
5. Firina (mulher de Mixoni)
6. Luciano (filho de Mixoni,adulto)
7. Rita (filha de Mixoni,7a.)
8. Irisoni
9. Soza (mulher de Irisoni}
10. Liria. (mulher de Irisoni)
11. Posi (filha de Irisoni, 1 mês)
12. Chinai (filho de Irisoni,8a)
13. Tsapwe (filho de Irisoni, 9a)
14. Lusia (filha de Irisoni, 9a.)
15. Chipiri (filho de Irisoni, 8a)
16. Ramadi (filho de Irisoni)
17. Luisa (muler de Ramadi)
18. Manuel (filho de Ramadi,1 ano)
19. Akimo
20. Joana (mulher de Akimo)
21. Birifi
22. M'balamyama (mulher de Birifi)
23. Kapeno (filho de Birifi, 7anos)
24. Mataka (filho de Birifi, 9a)
25. Batista .
26. Asseria (mulher de Batista}
27. Makau (filha de batista, 8a)
28. Sabudu (filho de Batista,3 anos)
29. Medeka
30. Firipa (mulher de Medeka)
31. Adamu (filho de Medeka 10 anos)
32. Mechenga
33. Chifanikiso (filho de Mechenga)
34. Kunesa
35. Julio (filho de Kunesa, 15)
36. Mako
37. Pinto (11anos)
38. Mayesa (9 anos)
18. Manuel (filho de Ramadi, 1ano)
39. Kundani
19. Akimo
40. Djipi (9anos)
20. Joana (mulher de Akimo)
41. Nsembera
21. Birifi
42. Pita






1º - Todos estes factos foram-nos narrados pelos tais sobreviventes, que conseguiram sair da pilha e se encontram hospitaliados em Tete e tambem por outros que lograram escapar a tempo.

-A identificação dos cadaveres fo levada a efeito por pessoas que, de proposito se deslocaram as povoações massacradas

- Os que conseguiram sair da pilha foram:

1. Antonio (filho de Mixoni, 15 anos)
2. Domingos (filho de Mixoni, 4 anos)
3. Serina (filha de Irisoni, 13 anos)
4. Tembo (filho de Batista, 5 anos)
5. Manuel (filho de Mwantulujali, 15 anos)
6. Podista (mulher de Mchenga)

Se fizermos um inquerito apoiado pelas autoridades, poderiamos saber se o numero de mortos de todas as aldeias massacradas naquela area ultrapassa os quinhentos como o povo assegura.
Se não houve massacre, se so foi destruida uma base de terroristas, se crianças de 1 a 10 anos não são "terroristas" ; se velhos e velhas e mulheres com crianças ao colo não são "terroristas", não teremos então receio de abrir um inquerito público, para verificar a veracidade destes massacres.
Se apenas foi destruido um acampamento de "turras", e se um acampamento de "turras" não é o mesmo que uma povoação tradicional onde vivem homens, mulheres e filhos, onde tem a sua mapira, 0 seu milho, 0 seu vestuario, etc. que vamos então ao local destas povoações, que existiam com os seus habitantes e haveres, e encontraremos a realidade!- que não foi um acampamento de "terroristas" que foi destruido, mas um grupo de povoações com as suas populações indefesas.



Tete, 19 de Dezembro de 1972

P.S. -Na altura em que acabavamos de redigir este relatorio, chegou-nos a noticia de que os massacres ainda continuavam em várias outras povoações como na de Luis, Corneta e outras, avançando para Gama, no régulado do Rego.



II - O MASSACRE DE WIRIYAMU E JUWAU (sábado 16-12-72 )


Estivemos em busca de elementos de juizo.

Apesar das dificuldades que surgiram (impostas umas, circunstanciais outras), de elaborarmos uma lista completa dos nomes das vitimas do massacre das povoaçoes de Wiriyamu e Juwau , as fontes dos pormenores que conseguimos dão-nos 0 direito de seguirmos mantendo a afirmação de ali ter havido mais quatro centenas de vitimas (cerca de 500).
Da nossa diligencia pudemos apurar 0 seguinte:
Na tarde do dia 16 de Dezembro do ano findo, como já ficou dito na primeira parte deste nosso relatório, as povoações de Wiriyamu e Juwau foram vitimas de uma incursao militar, da parte das forças da orderm.
Depois do bombardeamento, os soldados-comandos, previamente heli-transportados que jaá haviam posto cerco às ditas povoações invadiram-nas com fúria, aumentando a terror dos seus habitantes já em panico pelos bombardeios.
Uma vez dentro das povoações, esse grupo entregou-se imedatamente ao saque das palhotas, seguindo-se depois o massacre do povo, que se revestiu de excesso de crueldade.
Um grupo de soldados juntou uma parte do povo num pátio, para 0 fuzilamento. O povo assim reunido foi obrigado a agrupar-se sentado em dois grupos: 0 grupo dos homens, num lado, e o das mulheres, noutro, a fim de poderem todos ver melhor como iam caindo os fuzilados.
Um soldado chamava por sinal a quem quisesse (quer homem, quer mulher, quer criança),
0 designado punha-se de pé, destacava-se do conjunto, 0 soldado disparava sobre ele e a vitima caia fulminada. Este foi 0 processo que fez mais vitimas. Muitas crianças morreram ao colo das suas maes, fuzilada juntamente com elas. Entre muitos outros. os soldados assim mataram:



1 Dzedzereke (homem adulto)
2 Mafita (mulher de Dzedzereka)
3 Kufuniwa (filho de " )
4. Birista (mulher adulta)
5. Luwo (rapaz ,2 anos)
6. Lekerani (homem adulto)
7. Sinoria (mulher de Lekerani)
8. Chamdindi (filho de Lekerani, 5 an.)
9. Nguiniya (mulher adulta)
lO.Firipi (homem adulto)
11.Bziyese (mulher de Firipi)
l2.Feta (filha de Firipi)
l3.Meza (filho de Firipi)
l4.Thangweradzulo (filho de Firipi)
l5.Zerista (mulher adulta)
l6.Bwezani (homem adulto)
l7.Aqueria (mulher adulta)
l8.Khapitoni (homem adulto)
19. Bunitu (mu lher de Khap.)
20.Mamaria (mulher de Khap.)
2l.Tinta (filho de Khap.)
22.Chawene (filh. de Khap, 2an.)
23.Chinai (filho de Khap.,4an.)
24.Kuoniwa (fil. Khap.,12an.)
25. Liyanola (mu lhet' adu1 ta)
26.Djemuse (hamem adulto)
27.Julina (mulher adulta)
28.Djipi (rapaz, 9anos)
29.Alista (mulher adulta)
30.Mtsimpho (homem adulto)
3l. Nsemberembe (rapaz, 9an.)
32.Vira (mulher adulta)
33.Thomasi (homem adulto)
34.Artencia (rapariga,13an.)
35.Duwalinya (mulher adulta)
36. Sad1sta (mulher adulta)
37.Florinda (mulher adulta)
38.Siria (mulher adulta)
39.Saizi (homem adulto)
40.Maviranti (mulher de Saizi)
4l.Domingos(filh Saizi,5 anos\
42.Maloza (mulher de Saizi)
43.Sederia (fil. de Saizi)
44 .Mboi (fil.de Saizi)
45.Gwaninfuwa (homem adulto)
46.Kachingamba (rapaz, 4 anos)
47.Kuxupika (homem adulto)
48.Manyanyi (mulher de Kuxupika)
49 .Mapalata (mulher de Kuxupika)
50.Cirio (filh. Kuxupika,5 anos)
5l.Kutongiwa (homem adulto)
52.Maria (filha de Kutongiwa)
53.Olinda (rapariga, 10 anos)
54.Lainya (mulher adulta)
55.Luwina (mulher adulta)
56.Aluviyana (mulher adulta)
57.Kuitenti (homem adulto)
58.Caetano (rapaz, 5anos)
59.Kuchepa (rapaz,12anos)
60.Bziuzeyani (mulher adulta)
61.Djinja (homem adulto)
62.Alufinati (homem adulto)
63.Zabere (rapariga l4 anos)
64.Aesta (rapariga,16 anos)
65.Rosa (rapariga,5 anos)
66.Zaveria (rapariga,16anos)
67.Alista (rapariga,14 anos)
68.Mbiriyadende (homem adul.)
69.Guideria (mulher adulta)
70.Khembo (homem adulto)
71.Kamusi (rapaz, 2 anos)
T2.Chinteya (rpariga,4 anos)
73.Sunturau (irmao de Kuxupika)
74.Dzivani (rapaz,12 anos)
75.Zeca (rapaz,12 anos)
76.Mgreta (mulher adulta)
77.Dinho (filho de Magreta,2 anos)
78.Hortencia (irma de Magreta)
79.Mario (irmao de Magreta ,10 anos)
80.Chuva (homem adulto)
81.Kirina (mulher de Chuva)
82.Fuguete (homem adulto)
83.Rita (rapariga, 4anos)
84.Eduardo (rapaz, 7anos)
85.Tembo (rapaz, 3anos)

... Outros soldados,que andavam dispersos, obrigavam a gente a meter-se para dentro das palhotas, que depois incendiavam, morrendo a gente queimada dentro delas.
As vezes, antes de pegar fogo as palhotas, lançavam para dentro delas granadas, que explodiam sobre as vitimas. Depois é que deitavam fogo as palhotas. Dessa maneira, entre outros,
foram mortos:



I.Chakupendeka (homem velho)
2.Bwanbuluka (mulher de Chak.)
3.Kulinga (filho de Chak.)
4.Naderia (mulher de Kulinga)
5.Luwa (filha de Ruling, 2an.)
6.Marianela (filh. Kulinga,4 an.)
7.Tembo (filho de Kulinga, 8meses)
8.Keresiya (mulher adulta)
9.Joaozinho (fil. Kere.,2 an.)
10.Malota(fil. Ker. , 2 meses)
11.Kamchembere (rapariga,1 mes)
l2. Masalambani (rapaz, 6 anos)
13.Chinai (rapaz, 5 anos)
14.Domingos (rapaz, 5 anos)
15 .Mboi (rapariga, 10 meses)
l6.Chiposi (rapariga, 3 anos)
l7.Augusto (rapaz,1 ano)
8 .Farau (rapaz, 2 meses)
19.Antonio (rapaz,6 anos)
20.Anguina (mulher adulta)
21.Jantar (homem adulto)
22.Luisa (rapariga,4 anos)
23.Matias (rapaz,2 anos)
24.Nkhende (rapaz,1 ano)
25.Xanu (rapaz,7 anos)
26.Djoni (homem adulto)
27.Chaweno (rapaz,4 anos)
28. Lodiya (mulher adulta)
29.Mario (rapaz,5 anos)
30.Fostina (mulher adu1ta)
3l. Rosa (rapariga,4 anos)
32. Maria (rapariga, 2 anos)
33. Boy (rapaz,3 anos)

…Outros soldados divertiam-se a matar crianças, agarrando-as pelas pernas, arremessando-as contra o solo ou contra as árrvores. Entre várias crianças, assim morreram:

1. Domingas (rapariga,1 mês)
6. Makonde (rapaz,2 anos)
2. Xanu (rapaz,2 anos)
7. Mako (rapaz,1 ano)
3. Kulewa (rapaz,3anos)
8. Luisa (rapariga, 4 anos)
4. Chipiri (rapaz, 2 anos)
9. Mario (rapaz,4 anos)
5. Chuma(rapariga,4 anos)
10 Raul (rapaz,4 anos)




“"PHANI WENSE !” - ''MATAI-OS A TODOS"

Uma voz autoritaria fazia-se ouvir cam frequencia: "Pham. ,wense!" "Matai-os a todos". "Que não fique nenhum!". Era a voz do agente da D.G.S., Chico Kachavi.
Diz uma testemunha que um oficial militar tinha sugerido a via da clemencia, no sentido de conduzir aquela pobre gente para um aldeamento. Mas a voz sinistra do agente Chico fez-se ouvir ainda com mais furia: "Sao ordens do nosso chefe" -dizia –“ Matar a todos. Os que se poupam são os que nos têm denunciado".
Duas crian~as daquelas povoa~oes, encontradas casua1mente depois da consumação do massacre, foram friamente queimadas dentro de uma choça pelo mesmo agente da D.G.S. sob 0 pretexto de uma possível denuncia.
Naquela tarde. em Wiriyamu e Juwau só se ouviam os berros dos soldados, os disparos das armas e os gemidos das vitimas feridas de morte. –O povo de Wiriyamu e Juwau viveu momentos de terrível angustia!
Estas cenas duraram ate ao por-do-sol. Nessa altura a soladesca estava ja fatigada de tanta sevícia. Algumas vitimas lograram escapar da morte, fugindo. Elas deram-nos também, como testemunhas oculares muitos dos promenores aqui expostos que, por ' isso, asseguramos ser autênticos.
Demais a Comissao da Delegação de Saúde de Tete, que se deslocou ao local de massacre cerea de vinte dias depois (muito tarde, por conseguinte!), para averiguação, não desmente nosso re1atorio.
Tete, 6 de Janeiro de 1973
(excertos retirados de de um relatório policopiado que circulava clandestinamento em Moçambique em 1973)
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Mystery Massacre
Time, Monday, Jul. 30, 1973

Not since the My Lai atrocities came to light in 1969 had a tiny village caused such an uproar. Father Adrian Hastings, a British Catholic priest, alleged that Portuguese government troops had gone on a murderous rampage in the Portuguese Mozambique village of Wiriyamu last Dec. 16. The priest, quoting reports from Spanish missionary priests, claimed that Portuguese soldiers killed some 400 villagers suspected of sympathizing with Frelimo, the Mozambique Liberation Front.
Then began the denials. Dr. Marcello Caetano, the Portuguese Prime Minister, who was on an official visit to London, said that his government's preliminary inquiry showed a massacre of 400 villagers "could not have taken place." A Catholic bishop in Mozambique who in published reports claimed that he had seen the dead bodies later stubbornly declined either to confirm or deny that there had been a massacre. In Lisbon, officials insisted that Wiriyamu did not even exist. Indeed, Father Hastings two weeks ago placed it in western central Mozambique, but next day corrected himself, saying it was in the eastern Tete province. Reporters have been searching for it ever since, and for anyone who claims to have seen the massacre. TIME Correspondent Peter Hawthorne joined a trek last week and afterward sent this report:
The town of Tete bristles with troops, military roadblocks and armored vehicles. People are being moved out of isolated villages and relocated in protected settlements called aldeamentos, where troops and home-guard units keep Frelimo infiltrators at bay.
A 30-man army escort took us to a place called Wiliamo, about eight miles from Tete. The guide was a black army private who said he knew of the village.
He pronounced it "Wiriamu"—many Africans pronounce "l" as "r"—but wrote it "Wiliamo." It was the only place of that name that he knew in the region, he said. Of course there are villages with vaguely similar names all over the areas variously mentioned by Father Hastings, and presumably any of them could be the massacre site.
The village, perhaps ten to fifteen huts, had clearly been abandoned in a hurry. But there was no obvious sign of a firefight—no bullet marks in the tree stumps or huts. It would require nothing less than a team of forensic experts to track down any evidence of a massacre.
No Angels. "My men aren't angels or they wouldn't be good soldiers," said Major José Carvalho, who led the army escort. "But a massacre of 400? During my two years service here I've never heard of such an incident, and if I did it would be the reason for a large-scale military inquiry."
Two priests of the Spanish Burgos Fathers who earlier supported allegations of the massacre have been detained by Portuguese authorities in Lourengo Marques on unspecified charges "relating to the security of the state." Their fellow priests at the Mission of São Pedro, near Tete, will say nothing. Some Portuguese here believe it is quite possible that a massacre did occur. The secretary of the Bishop of Tete, Father Manuel Mouro, told me:
"In a climate of war anything is possible —but between the possible and the real, there may be a big difference."
  

"Portugal planeou um genocídio?", publicado no jornal Público, de 10 de Setembro de 1995
  * TESTEMUNHO E DATAS COM ANTECEDENTES AO MASSACRE:
Um massacre ainda "desconhecido"
Wiriyamu, Moçambique, 12 dez (Lusa) - Passaram 40 anos sobre o massacre de Wiriyamu, cometido por tropas especiais portuguesas sobre civis suspeitos de apoiarem a Frelimo, no centro de Moçambique, mas os contornos da "Operação Marosca" continuam ainda envoltos num certo mistério.
"Continua difícil verificar com precisão os acontecimentos de 16 de dezembro de 1972 (...) Isto porque as autoridades portuguesas, quer antes, quer depois do golpe de 25 de abril de 1974, não autorizaram um inquérito independente à Operação Marosca", queixam-se os investigadores portugueses Bruno C. Reis e Pedro A. Oliveira num texto publicado em março deste ano na revista 'Civil Wars' ("Cutting Heads or Winning Hearts: Late Colonial Portuguese Counterinsurgency and the Wiriyamu Massacre of 1972").
Apenas um pequeno sinal, quase escondido na berma da estrada nacional 7, à saída de Tete, indica o desvio para Wiriyamu, o local de um dos maiores massacres ocorridos na então província portuguesa e que terá apressado o fim das guerras coloniais que Portugal travava em África.
Na aldeia, um monumento com ossadas humanas evoca a tragédia ocorrida em Wiriyamu, Juwau e Chawola, três povoados nas cercanias dos rios Zambeze e Luena, mas o jovem Carrilho, 12 anos, que ali passa de bicicleta, não consegue identificar nem os seus responsáveis nem o que aconteceu.
O diretor da escola primária completa de Wiriyamu, Carlos Alciano, 40 anos, garante que o massacre faz parte do programa de ensino dos alunos da sexta e sétima classes e que as visitas ao monumento são frequentes.
"Eles têm que conhecer quando surgiu o massacre, quem o fez, quantas pessoas morreram", diz, mas o número de vítimas varia: "400", segundo os padres de Burgos, os primeiros a denunciaram o massacre, "cerca de 200", de acordo com o médico Rodrigues dos Santos, que visitou o local pouco depois dos acontecimentos, "63" ou "98", assumidas por autoridades portuguesas, segundo diversas fontes, ou os "450" evocados na base do monumento em Wiriyamu.
Independentemente do número de mortes, a "Operação Marosca" resultou num massacre, "a ocorrência de crimes e, por vezes, extremamente cruéis, execuções de civis desarmados, em grande número", asseguram os dois investigadores portugueses.
Bruno Reis e Pedro Oliveira defendem, no entanto, que, se se pode dizer que se tratou de "matança indiscriminada", já que ninguém foi poupado, também se pode afirmar o seu contrário, no sentido de que "a operação tinha como alvo o que era visto como bases da Frelimo disfarçadas de aldeias civis" e que os militares portugueses se baseavam em informações aparentemente falsas da PIDE/DGS.
"Isto, de nenhuma forma, reduz a criminalidade destas mortes mas, simplesmente, alarga a responsabilidade para lá dos soldados individuais e seus comandantes", escrevem.
À operação estão associados o então comandante militar de Moçambique, Kaúlza de Arriaga, e o seu conceito de luta anti-guerrilha, envolvendo fortes meios aéreos e tropas especiais, e o agente da PIDE/DGS Chico Kachavi, um moçambicano temido pelos seus conterrâneos.
"Ele é que comandava nesse dia, e não queria saber se este era africano. O coração dele era europeu", recorda Vinte Pacanet Gandar, 63 anos, sobrevivente do massacre, e que diz que o agente da PIDE/DGS foi mais tarde morto por elementos da Frelimo.
LAS // HB
Principais datas relacionadas com massacre
12 de Dezembro de 2012, 08:44
Maputo, 12 dez (Lusa) -- Há 40 anos, tropas especiais portuguesas entraram em três aldeias no centro de Moçambique e mataram centenas de pessoas no que foi conhecido como o massacre de Wiriyamu.
A violência indignou o mundo, isolou Portugal e contribuiu para o agravar das divergências nas Forças Armadas portuguesas, que conduziriam ao 25 de Abril de 1974, e também para o reforço da Frelimo que, menos de dois anos depois, proclamou a independência de Moçambique.
Cronologia das principais datas:
1962
25 set - Frelimo inicia luta armada contra colonialismo português, no norte de Moçambique.
1968
08 mar -- Frelimo abre frente de Tete, no centro.
1970
01 jul/06 ago -- "Operação Nó Górdio", dirigida por Kaúlza de Arriaga, no norte de Moçambique, contra a Frelimo
1972
18 nov -- Grande ofensiva da Frelimo em Cabo Delgado, Niassa e Tete
14 dez -- Um avião civil que sobrevoa Wiriyamu é alvejado. No mesmo dia, a PIDE/DGS envia uma equipa ao terreno para obter informações sobre o caso.
15 dez - Seis militares portugueses são mortos numa emboscada, enquanto batiam a zona.
16 dez - Assassínio de cerca de 400 pessoas nas povoações de Chawola, Juwau e Wiriyamu, a cerca de 25 quilómetros da cidade de Tete
1973
06 jan -- Representante da Cruz Vermelha e médico do hospital de Tete visitam o local do massacre.
Jun - Denúncia dos missionários espanhóis, a quem tinham sido passadas as primeiras informações, enviada à Amnistia Internacional em Londres
07 jul -- Notícia do massacre na capa do 'The Times', de Londres
15 jul - Manifestação em Londres contra a política africana do Governo português, pedindo a anulação da visita do presidente do Conselho português, Marcelo Caetano.
16 jul -- Marcelo Caetano inicia visita a Londres, por ocasião dos 600 anos da aliança anglo-portuguesa, no meio de fortes protestos.
01 ago - Kaúlza de Arriaga abandona o cargo de Comandante-Chefe das Forças Armadas de Moçambique.
21 ago -- Comunicado do Ministério da Defesa de Portugal que admite que "alguns elementos das Forças Armadas, em destacamento, ignorando ordens, cometeram atos repreensíveis na região de Tete".
1974
07 set -- Portugal e Frelimo concordam na independência de Moçambique, marcada para 25 de junho de 1975.
22 nov -- Relatório da comissão de inquérito da ONU aos noticiados massacres em Moçambique: "A comissão dá-se por completamente satisfeita com as provas de que, a 16 de dezembro de 1972, tropas portuguesas dirigidas por agentes da DGS cercaram as aldeias de Chawola, João e Wiriyamu, entraram nas aldeias, mataram qualquer pessoa à vista e, na operação, destruíram as aldeias (...). Estima-se que o número de vítimas seja superior a 400 nas três aldeias".
LAS // HB
O massacre de Wiriyamu segundo o sobrevivente Vinte Pacanet Gandar - reportagem
12 de Dezembro de 2012, 08:44
Luís Andrade de Sá, da Agência Lusa
Wiriyamu, Moçambique, 12 dez (Lusa) - Não é por terem passado 40 anos que parece que as coisas mudaram em Wiriyamu: não há eletricidade nem água e a cidade de Tete, a 30 quilómetros, ligada por uma picada de terra batida, continua insuportavelmente distante.
"E fome existe, também", acrescenta Vinte Pacanet Gandar, 63 anos, camponês de Wiriyamu. E, para que não restem dúvidas, repete: "E fome".
A quase permanente seca na região, no centro de Moçambique, afeta a produção de mapira e amendoim, que todos cultivam para consumo próprio, e o pouco dinheiro, as raras moedas que usam para comprarem óleo ou sementes, obtêm-se com a venda de carvão na cidade.
Luís Wiriyamu, 27 anos, neto do homem que deu o nome à aldeia, vive de apanhar lenha que, depois, transforma em carvão e vende na berma na estrada -- "Não há mais nada para fazer aqui", queixa-se.
A escola primária, um painel solar numa pequena venda e os camiões de uma mineira australiana, a caminho de mais um projeto nas imediações, destacam-se na paisagem de casas de paredes de barro e telhados de colmo, em veredas de terra batida, por entre embondeiros e mato cerrado, por onde meninas carregam à cabeça feixes de lenha que vão alimentar o fogo com que mulheres cozinham o almoço.
Vinte Pacanet Gandar, que se expressa num português desenvolto, foi um dos sobreviventes do massacre de Wiriyamu perpetrado naquela aldeia por tropas portuguesas, no dia 16 de dezembro de 1972, que vitimou centenas de pessoas e, segundo historiadores, mudou o rumo da guerra colonial.
A sua condição de sobrevivente granjeou-lhe fama, mas também a construção de uma narrativa, quase de um fôlego, do massacre cometido por tropas especiais portuguesas.
"Surpresamente, apareceram cinco helicópteros e dois jatos que começaram a bombardear lá fora, e, então, aterraram na aldeia para os soldados saírem", conta Vinte, que tinha, então, 23 anos.
A "Operação Marosca" tivera como motivos próximos a morte, dois dias antes, de seis militares em Tete, e disparos, na zona, contra um avião civil, sinais para as chefias militares de que a Frelimo atuava no centro da colónia, com o apoio da população.
"Cercaram a nossa aldeia. Começaram a queimar o quê? As casas. Levaram as pessoas para acumular lá fora. E começaram a perguntar: 'Vocês aí, não conhecem os turras? E nós falávamos: 'Não, não conhecemos'", prossegue o camponês.
As sucessivas lideranças militares portuguesas em Moçambique tinham encarado de forma diferente o "problema" da Frelimo e a guerra de libertação iniciada em 1962, e, no início, apenas circunscrita ao norte do país.
Comandante militar desde 1969, Kaúlza de Arriaga inova relativamente aos seus antecessores, ao usar intensivamente meios aéreos e tropas especiais, o que fragiliza a Frelimo no norte, obrigando-a a deslocar-se para o centro, onde intensifica essa frente de guerra e se ataca, até, colonos portugueses.
"Mas eles disseram: 'Não, não, aqui há turras e vocês estão a tirar comida para dar aos turras para os turras vir matar a nós, lá na estrada. Por isso, vocês, hoje, não vão viver nada, vão ser mortos aqui'", continua Vinte, dando a voz aos militares portugueses.
A zona de Wiriyamu estava a ser batida desde o dia 14 por aviões militares e agentes da PIDE/DGS, que procuravam uma base da Frelimo com cerca de 300 guerrilheiros.
Depois, tropas especiais entram em Wiriyamu, Juwau e Chawola, todas aldeias na mesma zona, e, a 16 de dezembro, recolhem aos quartéis, deixando um rasto de destruição, hoje evocada num monumento que guarda caveiras e ossadas de alguns dos "mais de 450 mortos".
Vinte safou-se, correndo para o mato e evitando os tiros que disparavam contra ele, mas a sua família foi quase toda dizimada: "Quem morreu? O meu pai, chamado Guspiga, meu avô, Jemusse, Mabalata, Manyate ... são muitos ... Tuma, Capitone... são muitos".
Alguns feridos abrigam-se no hospital de Tete e denunciam o massacre a missionários espanhóis. No início de 1973, a Cruz Vermelha e um médico português visitam o local, em junho do mesmo ano, o escândalo chega à imprensa internacional, e Portugal, que, até aí, tinha negado os acontecimentos, acabará por admitir "excessos" das suas tropas.
Dois anos depois de a notícia ser capa do 'Times', de Londres, Moçambique torna-se independente e, 40 após o massacre, só por distração alguém pode achar que continua tudo igual em Wiriyamu.
"Antigamente, não tínhamos escola. As pessoas que têm idade como a minha não falam português, aqui, mas, hoje, as nossas crianças estão a estudar e, quando acabarem, vão fazer bom trabalho", prevê Vinte Pacanet Gandar, o camponês de Wiriyamu que sobreviveu ao massacre.

domingo, 9 de novembro de 2014

A RAINHA DE SABÁ - ALÉM DO MITO

Lendas & Mistérios
A RAINHA DE SABÁ - ALÉM DO MITO
(QUEEN OF SHEBA - BEHIND THE MYTH)
Uma história oculta sobre as areias da Arábia está a revelar-se aos poucos, desvendando um mito  que faz parte e uma das mais belas e antigas lendas da Etiópia e da humanidade. A Biblia faz algumas referências a esta fantastica Rainha que governava um poderoso e riquíssimo império e da sua relação com o sábio Rei Salomão. Mas será que tudo não passa de uma lenda ?
Após uma primeira tentativa no Yemen cheia de perigos que quase acaba em fatalidade, uma segunda expedição é montada pela irmã do primeiro explorador e está pronta e desvelar toda a história escondida nas areias profundas. 
Tesouros e templos antigos estão próximos de ser revelados. E se realmente existiu a Rainha de Sabá, ela irá revelar-se nesta expedição.
Conheça esta antiga lenda e acompanhe toda a expedição e suas descobertas.

Texto: Português
Áudio: Português
Fontes: Brasil escola - Wikipédia - YouTube



DOCUMENTÁRIO
RAINHA DE SABÁ - ALÉM DO MITO:






* LENDA E HISTÓRIA SOBRE ARAINHA DE SABÁ:

A rainha de Sabá ao lado de seu amado Salomão
A rainha de Sabá ao lado de seu amado Salomão

Pouco se sabe sobre a belíssima rainha de Sabá, cuja história é repleta de mistério. A parte conhecida de sua história está relatada no Velho Testamento, datadas no século 6 d.C., e em um dos livros de Talmudu (coletânea das tradições orais judaicas).
No Alcorão (livro sagrado muçulmano) encontramos referência à suposta cidade natal da rainha, Marid. Dentre todos os relatos a respeito da rainha de Sabá, o mais conhecido é o da Etiópia, o Kebra Nagast, do século 11 a.C. Segundo esse documento, ela teria assumido o trono com apenas 15 anos de idade, após a morte do pai.
Em Sabá as mulheres e os homens possuíam praticamente os mesmos direitos, por isso sua coroação foi muito festejada pelos súditos. A única coisa que fazia a diferença entre homens e mulheres em seus direitos era a determinação religiosa de a rainha manter-se virgem. Como uma boa seguidora dos costumes de seu povo, Bilqis como era chamada no Alcorão, aceitou conformada. Já que não poderia jamais deliciar-se dos prazeres carnais, dedicou-se ao estudo da filosofia e do misticismo. Seu reinado esbanjou luxo e riqueza, isso graças à farta colheita, que era estimulada por avançadas técnicas de irrigação, e à localização privilegiada que impulsionava o comércio. Sabá era ponto de encontro de mercadores vindos de todos os lugares. Vendia-se e comprava-se de tudo pelas pequenas ruas do reino, em especial mercadorias oriundas do Oriente. Para se distrair a rainha circulava em meio ao tumulto do comércio. Gostava de conversar com os viajantes, foi em uma dessas conversas, que sobe da existência do rei Salomão. Foi o chefe das caravanas reais, Tamrim, que lhe relatou a história de tal rei.
Ele vendia incensos de Sabá para diversos lugares do mundo e trazia muitos tecidos e jóias para a rainha. Ao retornar de uma viagem à cidade de Jerusalém, ele contou que havia feito negócios com um rei cujo nome era Salomão, muito rico e que tinha fama de sábio e generoso. A soberana ficou muito intrigada com os dotes intelectuais do rei de Jerusalém, então resolveu viajar para conhecer o soberano pessoalmente. Anunciou que iria junto com Tamrim em sua próxima viagem à Jerusalém, para isso saiu pelo reino em busca de presentes para Salomão.
A comitiva tinha 800 animais, apesar da curta distância a viagem durou seis meses. Chegando à Jerusalém, a rainha se dirigiu ao palácio, trajando roupas caras, coberta de jóias e seguida por servos trazendo os presentes para o anfitrião. Divertiu-se testando a sagacidade de Salomão, muito culta e bem-humorada ela disparou um arsenal de charadas com a intenção de desafiá-lo. O rei, muito sábio, não deixou nenhuma pergunta sem resposta.
Por sua vez, Salomão pregou a ideologia e os valores de sua religião, o Judaísmo, e conquistou mais uma adepta. Como um grande sedutor, ele também cortejou a visitante. Mesmo tendo feito o voto de castidade, a rainha de Sabá em sua primeira noite no palácio não resistiu ao charme de Salomão e se entregou a ele. Permaneceu meses na companhia de Salomão e retornou para casa grávida do amado, o filho foi chamado de Menilek.
Após o retorno da rainha, os relatos foram se tornando escassos. Nenhuma das histórias sobre a rainha de Sabá é arqueologicamente comprovada. Dessa forma, a célebre e lendária rainha tornou-se um grande enigma da história, não há comprovação de sua verdadeira história e nem relatos de seu fim.


Rainha de Sabá



Representação de Balkis, a Rainha de Sabá, por Charles Gounod.
A rainha de Sabá (em ge'ez: ንግሥተ ሳባ, transl. Nigista Saba, em hebraico: 'מלכת שבא, transl. Malkat Shva, em árabe ملكة سبأ‎, transl. Malikat Sabaʾ) foi, na Torá, no Antigo e no Novo Testamento, no Alcorão, na história da Etiópia e do Iêmen, uma célebre soberana do antigo Reino de Sabá, reino mais poderoso da Arábia Feliz. A localização deste reino pode ter incluído os atuais territórios da Etiópia e do Iêmen.
Conhecida entre os povos etíopes como Makeda (em ge'ez ማክዳ, transl. mākidā), esta rainha recebeu diferentes nomes ao longo dos tempos. Para o rei Salomão de Israel ela era a "rainha de Sabá". Na tradição islâmica ela era Balkis ou Bilkis. Flávio Josefo, historiador romano de origem judaica, a chamou de Nicaula. Acredita-se que tenha vivido no século X a.C..
Na Torá, uma tradição que narra a história das nações foi preservada em Beresh't 10 (Gênesis 10). Em Beresh't 10:7 existe uma referência a Sabá (Shva), filho de Raamá, filho de Cuxe, filho de Cam, filho de Noé. Em Beresh't 10:26-29 há uma referência a Sabá - listada ao lado de Almodá, Selefe, Hazarmavé, Jerá, Hadorão, Usal, Dicla, Obal, Abimael, Ofir, Havilá e Jobabe, como os descendentes de Joctã, filho de Héber, filho de Salá, filho de Arfaxade, descendente de Sem, um dos filhos de Noé. A questão sobre se a rainha de Sabá representaria uma ancestral dos hamitas ou dos semitas suscita debates passionais até hoje.
Em 8 de maio de 2008, a Universidade de Hamburgo anunciou oficialmente que arqueólogos alemães, depois de uma pesquisa comandada pelo professor Helmut Ziegert, descobriram os restos do palácio da Rainha de Sabá, datados do século X a.C., em Axum (Aksum), uma cidade sagrada da Etiópia, sob um antigo palácio real.

A rainha de Sabá no judaísmo e no Velho Testamento


Claude Lorrain, A Embarcação da Rainha de Sabá.
De acordo com a Torá e o Velho Testamento, a rainha da terra de Sabá (cujo nome não é mencionado) teria ouvido sobre a grande sabedoria do rei Salomão de Israel, e viajado até ele com presentes de especiarias, ouro, pedras preciosas, e belas madeiras, pretendendo testá-lo com suas perguntas, como está registrado no Primeiro Livro de Reis (10:1-13) (relato copiado posteriormente no Segundo Livro de Crônicas, 9:1-12).
O relato prossegue apontando a rainha como maravilhada pela grande sabedoria e riqueza do rei Salomão. Salomão respondeu, por sua vez, com presentes e "tudo o que ela desejou", após o qual a rainha retornou ao seu país. Aparentemente, a rainha de Sabá seria muito rica, já que ela teria trazido 4 toneladas e meia consigo para presentear ao rei Salomão (I Reis, 10:10).
Nas passagens bíblicas que se referem explicitamente à rainha de Sabá não há sinal de amor ou atração sexual entre ela e o rei Salomão. Os dois são descritos apenas como dois monarcas envolvidos em assuntos de estado.
Outro texto bíblico, o Cântico dos Cânticos, contém algumas referências que, por diversas vezes, foram interpretados como se referindo ao amor entre Salomão e a rainha de Sabá. A jovem mulher do Cântico dos Cânticos, no entanto, nega continuamente as insinuações românticas de seu pretendente, que muitos estudiosos identificaram com o rei Salomão. De qualquer maneira, não há nada que identifique esta personagem deste texto com a rainha estrangeira, rica e poderosa, descrita do Livro dos Reis. A mulher do texto da canção claramente indica umas certas "filhas de Jerusalém" como suas iguais.
A tradição etíope posterior afirma com segurança que o rei Salomão realmente seduziu e engravidou sua convidada, e possui um relato detalhado de como ele o fez (ver a seção posterior relevante), um assunto de importância considerável para o povo etíope, já que a linhagem de seus imperadores remontaria àquela união.

A rainha de Sabá no islamismo


A rainha de Sabá, Bilqis, é mostrada ao deitar-se num jardim - desenho em tinta sobre papel, 1595.
O Alcorão, texto religioso central do islã, nunca menciona a rainha de Sabá por seu nome, embora as fontes árabes a chamem de Balqis ou Bilqis. O relato corânico é similar àquele da Bíblia; a narrativa conta como Salomão recebeu relatos de um reino governado por uma rainha cujo povo venerava o Sol. Ele enviou uma carta, convidando-a a visitá-lo e discutir sobre a sua divindade, relatada como sendo Alá, o Senhor dos Mundos (Alamin) no texto islâmico. Ela aceitou o convite e preparou enigmas para testar sua sabedoria e seu conhecimento. Então, um dos ministros de Salomão (que tinha conhecimento do "Livro") propôs trazê-lo o trono de Sabá "num piscar de olhos". Diante do feito, a rainha chegou à sua corte, mostrou-lhe seu trono, entrou no seu palácio de cristal e começou a fazer as perguntas. Impressionada por sua sabedoria, ela louvou sua divindade e, eventualmente, aceitou o monoteísmo abraâmico.

Visão no islamismo atual

Alguns acadêmicos árabes modernos têm identificado a rainha de Sabá como uma soberana de uma colônia ou entreposto comercial no noroeste da Arábia, estabelecido por reinos da Arábia Meridional.[carece de fontes] As descobertas arqueológicas mais recentes confirmam o fato de que tais colônias realmente existiram, com achados como artefatos e inscrições no alfabeto arábico meridional, embora nada especificamente relacionado a Balkis ou Bilkis, a rainha de Sabá, tenha sido descoberto até agora.

A rainha de Sabá na cultura etíope


Afresco etíope da rainha de Sabá rumo a Jerusalém, cavalgando e armada com espada e lança.
A familia imperial da Etiópia aponta sua origem a partir de um descendente da rainha de Sabá com o rei Salomão3 A rainha de Sabá (em ge'ez ንግሥተ ሣብአ, transl. nigiśta Śab'a), é chamada de Makeda (ge'ez: ማክዳ) no relato etíope (que pode ser traduzido literalmente como "travesseiro").
A etimologia de seu nome é incerta, existindo duas correntes principais de pensamento divergindo sobre sua fonte etíope. Uma delas, que inclui o acadêmico britânico Edward Ullendorff, mantém que o nome seria uma corruptela de Candace, uma rainha etíope mencionada no Novo Testamento (Atos dos Apóstolos); a outra corrente liga o nome à Macedônia, e relaciona esta história com as lendas etíopes posteriores sobre Alexandre, o Grande e o período do século IV a.C.. Muitos acadêmicos, no entanto, como o italiano Carlo Conti Rossini, não se convenceram por nenhuma destas teorias, e declararam o assunto como ainda não-resolvido.
Uma antiga compilação de lendas etíopes, o Kebra Negast ("Glória dos Reis"), foi datada como tendo sido escrito há 700 anos, e relata a história de Makeda e seus descendentes. Neste relato o rei Salomão teria seduzido a rainha de Sabá e tido com ela um filho, Menelik I, que se tornaria o primeiro imperador da Etiópia.
A narrativa contida no Kebra Negast - que não encontra paralelo na história bíblica - é de que o rei Salomão teria convidado a rainha de Sabá a um banquete, servindo comida condimentada a induzi-la a ter sede, e convidando-a para passar a noite em seu palácio. A rainha pediu-lhe então que jurasse não a tomar à força. Ele aceitou com a condição de que ela, por sua vez, não levasse nada de seu palácio à força. A rainha assegurou que não o faria, ofendida pela insinuação de que ela, uma monarca rica e poderosa, precisaria roubar qualquer coisa. No entanto, quando ela acordou no meio da noite, sedenta, pegou uma jarra de água que havia sido colocada ao lado de sua cama. O rei Salomão então apareceu, avisando-a de que estava a descumprir sua promessa, ainda mais pelo fato de que a água, segundo ele, seria a mais valiosa de todas as suas posses materiais. Assim, enquanto ela saciou sua sede, ela libertou o rei de sua promessa, e passaram a noite juntos.
A tradição de que a rainha de Sabá bíblica teria sido uma soberana da Etiópia que visitou o rei Salomão em Jerusalém, no antigo Reino de Israel, é referendada pelo historiador romano de origem judaica Flávio Josefo, que identificou a visitante de Salomão como sendo "Rainha do Egito e da Etiópia".
Enquanto não existem tradições conhecidas de matriarcado no Iêmen durante o início do primeiro milênio a.C., as primeiras inscrições dos governantes de D'mt, no norte da Etiópia e da Eritreia, mencionam rainhas de status elevado, possivelmente até igual ao de seus reis.
Para a monarquia etíope, a linhagem salomônica e sabaítica tem considerável importância política e cultural. A Etiópia foi convertida ao cristianismo pelos coptas do Egito, e a Igreja Copta lutou por séculos para manter os etíopes numa condição de dependência e subserviência fortemente ressentida pelos imperadores etíopes.

A rainha de Sabá no cristianismo

Além de sua menção no Velho Testamento, a rainha de Sabá é mencionada, como Rainha do Sul, no Novo Testamento, quando Jesus Cristo indica que ela e os ninivitas julgarão a geração dos contemporâneos de Jesus que o rejeitaram.
As interpretações cristãs das escrituras enfatizam, tipicamente, tanto os valores históricos quanto os valores metafóricos da história. O relato da rainha de Sabá é interpretado como uma metáfora e uma analogia cristã: a visita da rainha a Salomão foi comparada ao casamento metafórico da Igreja com Cristo, onde Salomão seria o "ungido" (Cristo), ou messias, e Sabá representaria uma população de gentios que se submeteu ao messias; a castidade da rainha de Sabá foi descrita como um presságio da Virgem Maria; e os três presentes que ela teria levado a Israel (ouro, especiarias e pedras) foram vistos como análogos aos presentes dos Três Reis Magos (ouro, incenso e mirra). Esta última analogia, em particular, é enfatizada como sendo consistente com uma passagem do Livro de Isaías (60:6): "todos virão de Sabá; trarão ouro e incenso e publicarão os louvores do Senhor."

Visão medieval

Entre as obras de arte realizadas na Idade Média que retratam a visita da rainha de Sabá estão o "Portal da Mãe de Deus", na Catedral de Amiens, do século XIII, incluída como analogia em parte de um painel maior que retrata os presentes dos Reis Magos.. As catedrais de Estrasburgo, Chartres, Rochester e Cantuária, do século XII, contêm interpretações artísticas da rainha em vitrais e bas decorações das jambas.

Visão renascentista


Relevo renascentista da rainha de Sabá se encontrando com o rei Salomão - um dos vários painéis que compõem o portal do Batistério de Florença.
Giovanni Boccaccio, em sua obra Sobre as mulheres famosas (De mulieribus claris, em latim), segue o exemplo de Josefo ao chamar a rainha de Sabá de Nicaula. Boccaccio ainda afirma que ela não só era rainha da Etiópia e do Egito, como também da Arábia, e que relatos afirmavam que ela tinha um palácio luxuoso numa "ilha muito grande" chamada Meroé, localizada em algum lugar próximo ao rio Nilo, "praticamente no outro lado do mundo." De lá, Nicaula cruzou os desertos da Arábia, através da Etiópia e do Egito, pela costa do mar Vermelho, até chegar a Jerusalém, onde se encontrou com "o grande rei Salomão".
O livro Cidade das Damas, de Cristina de Pisano também chama a rainha de Sabá de Nicaula. Os afrescos de Piero della Francesca em Arezzo (1466) sobre a Lenda da Vera Cruz contêm dois painéis sobre a visita da rainha de Sabá a Salomão. A lenda ilustrada liga as vigas do palácio do rei Salomão à madeira utilizada na crucifixão. A sequência desta visão metafórica, do Renascimento, sobre a rainha de Sabá como uma analogia aos presentes dos Reis Magos, também está claramente evidente no Tríptico da Adoração dos Magos (1510), de Hieronymus Bosch. Bosch optou por retratar a rainha de Sabá e o rei Salomão no colar vestido por um dos magos.
O Doutor Fausto, de Christopher Marlowe, se refere à rainha como Sabá, quando Mefistófeles está tentando persuadir Fausto da sabedoria das mulheres com quem ele supostamente será presenteado todas as manhãs.

Descobertas arqueológicas recentes

Descobertas arqueológicas recentes feitas no Mahram Bilqis ("Templo de Bilkis"), em Ma'rib, no Iêmen, apoiam a tese de que a rainha de Sabá teria governado a Arábia Meridional, com evidências de que a área seria a capital do reino de Sabá.
Uma equipe de pesquisadores financiados pela American Foundation for the Study of Man (AFSM, "Fundação Americana para o Estudo do Homem") e liderada pelo professor de arqueologia da Universidade de Calgary, Bill Glanzman, vem trabalhando para decifrar os segredos de um templo de 3000 anos de idade encontrado no deserto.

domingo, 2 de novembro de 2014

ORIGEM DO HALLOWEEN - SERÁ CORRECTO O SEU CULTO ?

Religião & Paganismo
ORIGEM DO HALLOWEEN - SERÁ CORRECTO O SEU CULTO ?

Este blog reflecte nesta publicação acerca do "culto" ao Halloween e não acerca do facto das pessoas se reunirem com os amigos a festejar. Analisa-se a atitude de prestar um culto a esta data como se de algo sagrado se tratasse, com certos rituais instituidos e seguidos por alguns com o intuito de provocarem uma inter-relação entre a nossa dimensão e outras e prestando culto a entidades das quais desconhecemos. Será isto correcto e aconselhável ?

Nesta data em que as pessoas celebram este evento, proponho uma reflexão séria acerca desta prática. Esta tradição tem-se vindo a espalhar pelo mundo. Inicialmente, não era uma celebração que se praticasse aqui no nosso País. 
Se damos importância à religião na nossa vida e tentamos viver segundo a mensagem e as normas que Deus nos deixou, é importante sabermos quais as tradições e cultos que estão correctos e quais os que são contra Deus. É sabido que há tradições que nos foram apontadas pela Bíblia como correctas e a manter, mas também há tradições que derivam de ritos pagãos de adoração a falsos Deuses e até a maus espíritos ou até a Demónios, que se foram adaptando e chegaram aos nosso dias como sendo inofensivos ou até disfarçados de cultos religiosos, mas que estão em confronto cm os ensinamentos de Deus. Por isso considero muito importante saber-mos quais as origens de certas tradições, para não cair-mos em pecado ou agir-mos contra Deus sem nos apercebermos. Assim penso ser oportuna esta publicação suscitando as seguintes questões:

Será que é correcto este culto ? 
Trará algum perigo para nós este culto ?
O que diz Deus acerca desta prática e outras similares, na Bíblia ?
Quais as suas origens ?

Aqui revelo resumidamente alguns aspectos que acho essenciais saber-mos acerca do culto do Halloween. Como sempre, o que pretendo com esta informação é provocar a reflexão e não condenar ninguém, nem pretender que sou dono da verdade. Lembre-se, não é possível servir a dois mestres. Ou estamos com Deus, ou estamos com Satanás. 

Texto: Português

Fontes: Bíblia - Estudantes da Bíblia - O que a Bíblia Ensina

* José Rui Lira






DEVEMOS COMEMORAR FERIADOS OU DIAS SANTIFICADOS ?


Os feriados ou dias santos que se comemoram actualmente em muitas partes do mundo, não se originam na Bíblia. Qual é então, a origem dessas comemorações ? Se tiver acesso a uma biblioteca, achará interessante ver o que as obras de referência dizem acerca de feriados ou dias santificados, que sejam comuns onde você vive. Note que não lhe indico nenhuma obra específica, para que não pense que pertence a alguma filosofia religiosa específica. Trata-se apenas de um simples exercício de investigação imparcial o que lhe proponho. Assim você se irá surpreender com o que vai descobrir. É que por vezes o que pensamos ser uma tradição religiosa e de louvor a Deus, em verdade pode ser precisamente o contrário ...!!!


Onde você mora, as pessoas comemoram o Halloween (Dia das Bruxas)? Nos Estados Unidos e Canadá, o Halloween é bem conhecido e é celebrado no dia 31 de Outubro. Mas os costumes do Halloween podem ser encontrados em muitos países. Em alguns lugares existem festas com nomes diferentes, mas com aspectos semelhantes: contacto com espíritos dos mortos, fadas, bruxas e até mesmo o Diabo e anjos demoníacos. 


DIAS FESTIVOS PARECIDOS AO HALLOWEEN

Halloween é geralmente considerado um evento tradicional americano. Mas também tem se tornado popular em muitas partes do mundo. Além disso, existem outros dias festivos que são parecidos ao Halloween porque também comemoram a existência de criaturas espirituais e o que elas fazem. Veja abaixo alguns exemplos desses dias festivos.
  • América do Norte - Dia dos Mortos
  • América do Sul - Kawsasqanchis
  • Europa - Dia dos Mortos e variações do Halloween
  • África - Dança dos Egunguns
  • Ásia - Festival Obon

PERIGOS QUE O RITUAL DO HALLOWEEN PODE COMPORTAR - O QUE DIZ A BÍBLIA : 
VOCÊ talvez não acredite em espíritos sobrenaturais. Pode ser que ache o Halloween e festividades parecidas uma forma de se divertir e estimular a imaginação de seus filhos. Mas muitas pessoas consideram essas celebrações perigosas pelos seguintes motivos:
  1. Encyclopedia of American Folklore (Enciclopédia do Folclore Americano) explica: “O Halloween está basicamente relacionado ao contato com forças espirituais que na sua maioria ameaçam e aterrorizam. O mesmo acontece com outras  festividades parecidas. Elas têm origem pagã e estão fortemente relacionadas à adoração de ancestrais. Mesmo hoje, pessoas em todo o mundo fazem contacto com supostos espíritos dos mortos nesses dias.
  2. Apesar de o Halloween ser considerado uma festa principalmente americana, a cada ano aumenta o número de pessoas e países que passam a comemorá-lo. Mas a maioria das pessoas desconhece a origem pagã dos símbolos, costumes e decorações do Halloween, que muitas vezes estão relacionados a seres sobrenaturais e forças ocultas.
  3. Milhares de seguidores da religião wicca, que praticam antigos rituais celtas, ainda chamam o Halloween por seu antigo nome Samhain e o consideram a noite mais sagrada do ano. Ao citar um bruxo, o jornal USA Today escreveu: “Os cristãos ‘não se dão conta disso, mas estão celebrando o nosso feriado junto conosco. . . . Achamos isso muito bom.’”
  4.  Celebrações como o Halloween estão em conflito com os ensinamentos da Bíblia. Ela alerta: “Não permitam que se ache alguém entre vocês que . . . pratique adivinhação, ou se dedique à magia, ou faça presságios, ou pratique feitiçaria ou faça encantamentos; que seja médium, consulte os espíritos ou consulte os mortos.” — Deuteronômio 18:10, 11, veja também Levítico 19:31; Gálatas 5:19-21.
Em vista disso, é bom saber mais sobre a origem sinistra do Halloween e de celebrações parecidas. Assim como outras pessoas, você talvez também decida não participar dessas festas.

ORIGENS DO HALLOWEEN : 

LINHA DO TEMPO

QUINTO SÉCULO AEC
Os celtas celebram o Samhain, festividade que acontecia no fim de outubro, quando, segundo eles, fantasmas e demônios vagavam pela Terra mais do que nos outros dias.
PRIMEIRO SÉCULO EC
Os romanos conquistam os celtas e adotam rituais espíritas da festividade do Samhain.
SÉTIMO SÉCULO EC
É instituída, supostamente pelo Papa Bonifácio IV, a celebração anual do Dia de Todos os Santos em honra aos mártires. *
SÉCULO ONZE EC
O dia 2 de novembro é escolhido como Dia de Finados para celebrar os mortos.
SÉCULO DEZOITO EC
O nome da festa Hallowe’en passa a ser grafado Halloween.
SÉCULO DEZENOVE EC
Milhares de pessoas se mudam da Irlanda para os Estados Unidos levando os costumes do Halloween, que com o tempo se fundiram com outros costumes parecidos de imigrantes da Grã-Bretanha, Alemanha, África .e outras partes do mundo.
SÉCULO VINTE EC
Halloween se transforma num evento nacional popular nos Estados Unidos.
SÉCULO VINTE E UM EC
No mundo todo, o comércio de itens relacionados ao Halloweense transforma numa indústria multibilionária.

ONDE TUDO COMEÇOU?

A origem dos costumes e símbolos do Halloween

VAMPIROS, LOBISOMENS, BRUXAS, ZUMBIS: Já por muito tempo, essas criaturas têm sido relacionadas ao mundo espiritual maligno.
DOCES: Os antigos celtas tentavam apaziguar os espíritos maus com doces. A Igreja mais tarde incentivou seus membros a irem de casa em casa na véspera do Dia de Todos os Santos pedindo alimentos em troca de uma oração pelos mortos. Esse costume passou a ser conhecido como “doces ou travessuras” do dia de Halloween.
FANTASIAS: Os celtas usavam máscaras assustadoras para que os espíritos maus os confundissem com outros espíritos e não os incomodassem. A Igreja aos poucos misturou costumes pagãos com as comemorações do Dia de Finados e do Dia de Todos os Santos. Mais tarde, as pessoas passaram a ir de casa em casa fantasiadas de santos, anjos e demônios.
ABÓBORAS: Velas eram acesas dentro de nabos esculpidos para afastar os espíritos maus. Algumas pessoas achavam que a vela dentro de um nabo representava uma alma presa no purgatório. Mais tarde, os nabos foram substituídos por abóboras

sábado, 1 de novembro de 2014

DONA JOANA DE AVIS E DE PORTUGAL - RAINHA CONSORTE DE CASTELA

Personagens Históricos
DONA JOANA DE AVIS E DE PORTUGAL - RAINHA CONSORTE DE CASTELA
Raramente se fala das mulheres na história. No entanto, não fram poucas as vezes em que elas tiveram um papel predominante no desenrolar de acontecimentos históricos da maior importância.
Hoje revelo aqui a história e um pouco dos factos históricos que estiveram ligados a esta Infanta de Portugal, pouco conhecida, mas que chegou a ser Rainha de Castelano séc. XV.
Aqui tem revelada a história de Dª. Joana de Avis.

Texto:Castelhano
Fonte: Wikipédia



Juana de Portugal

Juana de Portugal
Reina consorte de Castilla 
D. Joana de Portugal, Rainha de Castela - The Portuguese Genealogy (Genealogia dos Reis de Portugal).png
Predecesor Isabel de Portugal
Sucesor Fernando II de Aragón (como co-soberano junto a Isabel I)
Información personal
Descendencia Infanta Juana
Con Pedro de Castilla y Fonseca
(Descendencia ilegítima)

Pedro Apóstol de Castilla
Andrés de Castilla
Casa real Dinastía de Avís
Padre Eduardo I de Portugal
Madre Leonor de Aragón y Alburquerque
Nacimiento 20 de marzo de 1439
Quinta do Monte Olivete, Almada (Portugal)
Fallecimiento 13 de junio de 1475
(36 años)
Madrid, España
Entierro San Francisco el Grande (Madrid) Tumba no conservada
Coat of Arms of Joan of Portugal as Queen of Castile.svg
Escudo de Juana de Portugal
Juana de Avis y Aragón (Quinta do Monte Olivete, Almada, 20 de marzo de 14391 - Madrid, 13 de junio de 14752 ). Infanta de Portugal y reina consorte de Castilla. Hija póstuma del rey Eduardo I y de la infanta Leonor de Aragón (hija2 de Fernando I de Antequera y de Leonor Urraca de Castilla, Condesa de Alburquerque).
En 1455 contrajo matrimonio con su primo el rey Enrique IV de Castilla, al cual acababan de declarar nulo su matrimonio con Blanca de Aragón. Tras siete años sin hijos, Juana dio a luz en 1462 a una niña que fue también llamada Juana (1462-1530).
Los adversarios de Enrique IV le había llamado "el Impotente", no tanto por no haber tenido descendencia de su primera esposa, Blanca de Navarra, como por ser de dominio público la dejación que hacía de sus obligaciones conyugales. Aún hoy día se plantean dudas sobre su heterosexualidad, sin embargo es algo que siempre ha quedado entre la historia y la leyenda. De hecho, los primeros rumores acerca de la supuesta homosexualidad del rey surgen cuando nació Juana, pues los nobles castellanos opuestos al rey pretendieron hacer creer que la niña era hija del noble Beltrán de la Cueva, privado de Enrique IV, por lo que a la niña se le dio el apodo de Juana la Beltraneja.2
Es en esos momentos cuando surgen toda clase de rumores, incluida la homosexualidad regia, como forma de deslegitimar al rey. Es decir, como arma política. Incluso algunas fuentes incluyen la forma en que habría dejado embarazada a la reina, mediante una precoz técnica de inseminación artificial utilizando una cánula de oro (per cannam auream), y otras descripciones físicas que permitieron a Gregorio Marañón realizar su Ensayo biológico sobre Enrique IV de Castilla y su tiempo (Madrid 1930), que diagnosticó al rey de displasia eunucoide con reacción acromegálica, y que en la actualidad se define como una endocrinopatía, posiblemente un tumor hipofisario, manifestando litiasis renal crónica, impotencia, anomalía peneana e infertilidad, además de caracteres psico-patológicos.3
A la muerte de Enrique IV, el 11 de diciembre del año 1474, la reina Juana sostuvo los derechos sucesorios de su hija pero falleció algunos meses después, a los treinta y seis años de edad, el 13 de junio de 1475.4
Juana de Portugal tuvo por amante al caballero castellano Pedro de Castilla y Fonseca (biznieto de Pedro I de Castilla). Esta relación se dio incluso cuando aún estaba casada con el rey, lo que fue conocido en la época. Con él tuvo dos hijos2 gemelos:

Ancestros


Predecesor:
Isabel de Portugal
Reina consorte de la Corona de Castilla
14551474
Sucesor:
Fernando II de Aragón


A LENDA DO CEGOVIM

Lendas & Mistérios
A LENDA DO CEGOVIM
Texto: Português
Fontes: Lendas de Portugal - Gentil Marques; Portugal Glorioso


Lenda do Cegovim


Ora aconteceu assim mesmo.
Tal e qual como reza a História. Tal e qual como conta o povo.

Nos seus primeiros tempos de casada com El-Rei D. Dinis, a jovem e formosa Rainha Dona Isabel — à qual chamaram, mais tarde, e com toda a razão, «Rainha entre as Santas e Santa entre as rainhas» — foi viver com a Corte para Leiria.
E ali, nesse cenário de sonho o tempo ia passando entre folguedos e jogos poéticos...
Dona Isabel era então ainda muito nova, mas já revelava o seu extraordinário amor pelos pobres e pelos humildes, levando àqueles que sofriam a consolação duma palavra ou dum gesto. Em vez de ficar reclinada, como o rei, aspirando voluptuosamente o perfume das flores — ela empregava o tempo visitando os que mais necessitavam do seu auxílio. E foi no caminho duma dessas visitas de misericórdia que certa manhã encontrou nas voltas dum atalho um pobre mendigo leproso, sujo e repelente.
Mal a viu, o homem afastou-se instintivamente. Mas pediu, com voz trémula:
— Senhora, atirai-me uma esmola... porque eu morro de fome e de cansaço...
Ia só, a Rainha. Contudo, nem por um instante sequer hesitou em parar. E parou, e perguntou, com infinita ternura:
— Donde vindes, pobre homem? Pareceis-me bem doente... Aproximai-vos...
Todavia ele não se aproximou. Antes, pelo contrário, recuou. Mais e mais.
— Não, senhora, não... Isso não!... Não sei quem sois… mas não me toqueis!... Bem vedes... A minha doença é praga maldita que não perdoa a ninguém.
Dona Isabel suspirou. A miséria humana atormentava-a tanto, tanto... Ah, se ela pudesse!...
Fez um gesto tímido.
— Parai, pobre velho... Fugis, para quê?
A voz dele chegou-lhe como que num murmúrio de confissão:
— Para não vos pegar o meu mal, senhora... Já vi que sois boa!
E o mendigo, fazendo alarde das suas últimas forças, procurava afastar-se o mais rapidamente possível... Porém as pernas fraquejaram e ele caiu de borco no chão poeirento. Sem hesitar, Dona Isabel correu para junto do desgraçado velho.
— Estais ferido?
Por momentos, não respondeu. Depois, a resposta veio, ofegante e excitada:
— Oh, senhora, por quem sois, rogo que vos afasteis!... Sinto-me morrer aos poucos... mas fugi, fugi de mim!... Eu sou maldito!
Dona Isabel sorriu. Um sorriso feito de graça e de suavidade.
— Não sejais tonto, pobre homem... Vinde comigo!
E, perante o olhar estupefacto do velho mendigo, a Rainha ajuntou, numa voz meiga mas sem réplica:
— Amparai-vos ao meu braço!
Apenas um gemido saiu dos lábios trémulos do velhusco.
— Senhora...
Mas já ela, segurando-o e amparando-o, lhe dizia, sempre a sorrir:
— Podeis fazer força... O meu braço também é forte...

E assim andaram algum tempo. Estranho par, na verdade! Pelo atalho cheio de pedras e de poeira, um velho mendigo leproso arrastando-se encostado ao braço duma rainha!
Enquanto andavam, Dona Isabel sentia que a vida dele se estava a extinguir, pouco a pouco... Sim, o mal do pobre homem, além da lepra que o devorava implacavelmente, devia ser fome... Uma fome terrível, decerto... E era preciso salvá-lo!
De súbito, parou. Olhou em redor. Sentiu-se aturdida, desorientada. E sem que o velho a pudesse escutar, rezou mentalmente:
— Oh, meu Deus!... Ajudai-me, meu Deus! Não vejo o que possa dar a este pobre homem... A não ser... A não ser estas pequenas amoras que estão aqui perto de mim... Mas as amoras não matam a fome...
Fez uma pausa. Os seus olhos prenderam-se mais às amoras. Teve um sopro íntimo de inspiração.
— Quem sabe? O poder de Deus é grande, é infinito!... Quem sabe se Ele não pôs as amoras no meu caminho… apenas para me experimentar?
E sem mais hesitação colheu uma mão-cheia de amoras e deu-as ao velho mendigo.
— Tomai... Tomai nas vossas mãos... Comei estas amoras!
Espantado, indeciso, arfando de cansaço e de emoção por tudo o que lhe acontecia tão inesperadamente, ele ainda perguntou:
— Achais que eu possa comer… estas amoras... senhora?... No meu estado?...
Prontamente, a Rainha respondeu:
— Podeis, sim!... Podeis e deveis... Confiai na vontade de Deus!
Embora sem grande entusiasmo, o mendigo foi comendo devagar as amoras que a Rainha lhe oferecera... E à medida que as comia, decerto por efeito sobrenatural, ganhava novas energias, sentia-se mais forte.
Os olhos do velho desenrugaram-se e inundaram-se de gratidão.
— Senhora! Senhora! Isto é um milagre!... Quem sois vós, senhora?
E endireitava-se, já sem necessidade de se apoiar ao braço da Rainha. Desaparecera o cansaço por completo. Restava apenas a emoção.
— Senhora, quem sois vós? — insistiu ele.
E ela respondeu simplesmente:
— Sou uma mulher que tem fé.
Depois, olhando-o e sorrindo-lhe, acentuou:
— Se tiverdes fé, também, as vossas feridas hão-de sarar!
A medo, o homem olhou as chagas da lepra e voltou a fitar a extraordinária mulher que encontrara em seu caminho, nessa manhã. Ela agora parecia ainda mais jovem e formosa. E mais excitada.
— Olhai... Ou eu me engano muito... ou as vossas feridas estão a desaparecer... Vede!
E perante o olhar cada vez mais atónito do mendigo, à maneira que as mãos de Dona Isabel iam passando suavemente sobre as feridas, estas desapareciam, fechando-se incompreensivelmente.
Sem saber que pensar, sem saber que fazer, o velhusco voltou a gaguejar.
— Senhora... As vossas mãos… fazem milagres!
Dona Isabel envolveu a resposta num dos seus incomparáveis sorrisos.
— Não são as minhas mãos que fazem milagres, pobre velho... São as amoras que Deus espalhou por estes caminhos!
Segundo a antiga história que o povo conta, tal como muitos outros já tinham ficado seus fiéis vassalos, também o mendigo, curado e maravilhado, se tornou um fervoroso servo daquela que o salvara e que ele veio a descobrir, com pasmo autêntico, ser a sua própria Rainha!
A partir de então, o pobre homem desejava somente poder pagar um dia, de qualquer modo, a sua enorme dívida de gratidão.
E esse dia surgiu. 
Andava ele, já altas horas, a terminar um carregamento de lenha, quando viu passar um vulto embuçado, que lhe pareceu de alguém bastante conhecido...
Seguiu-o, discretamente, aproveitando os recantos do campo — que para ele não tinha segredos — e acabou por descobrir que se tratava de El-Rei D. Dinis, numa das suas aventuras de amor.
O homem não perdeu mais tempo. Com a maior rapidez que lhe foi possível, correu ao encontro da Rainha, então instalada em Monte Real, a pouca distância dali. E, conseguindo ser levado imediatamente à sua presença, confessou sem delongas nem hesitações:
— Senhora, minha Rainha, perdoai-me... mas sei que El-Rei vosso esposo vos atraiçoa numa aldeia vizinha!
Dona Isabel fingiu não se perturbar.
— Que dizeis, meu bom amigo? Estais certo disso?
E ele afirmou, olhando-a bem de frente:
— Absolutamente certo! Vi-o, com os meus próprios olhos... Ia embuçado... Eu segui-o até à pequena aldeia para onde El-Rei se dirigia... Mas, ficai sabendo, Senhora, que vosso esposo sai muitas vezes assim, às escuras... Mal distingue o caminho, quando volta!
Dona Isabel pareceu reflectir, durante poucos momentos. Depois, resoluta, inclinou-se para o velho homem.
— Pois bem... Escutai… esta noite, ireis vós e alguns homens mais que escolherdes iluminar o caminho, quando El-Rei voltar... Sou eu que vos ordeno, entendeis?
— As vossas ordens serão cumpridas, Senhora minha Rainha!
Mas antes que ele se afastasse, Dona Isabel ainda ajuntou:
— Quando tudo estiver pronto, avisai-me... Eu também quero estar junto de vós.
E, na verdade, quando El-Rei, nessa madrugada escura, voltava da sua habitual aventura de amor, encontrou-se de súbito diante dum caminho estranhamente iluminado.
O seu primeiro gesto foi de furor.
— Que fazeis aqui, sandeus? Para que servem estes archotes?
Mas logo se aquietou, varado de surpresa. Vindo do meio dos homens dos archotes, avançou para ele a própria Rainha, que lhe respondeu:
— Estas luzes servem para vos iluminar o caminho, Senhor meu Rei... Vindes cego certamente pelo negrume da noite...
D. Dinis compreendeu. Baixou a cabeça. Quando a ergueu de novo, sorria também.
— Tendes razão, Senhora... Cego vim... E por isso vos agradeço terdes tão bela lembrança... Voltemos a Monte Real!
Cortejo singular, esse, a estender-se pelo caminho. À frente El-Rei D. Dinis e a Rainha Dona Isabel. Ambos calados. Ambos pensativos. Ambos iluminados pelos archotes que os homens erguiam nas suas mãos rudes.
De qualquer modo, fosse como fosse, a notícia propagou-se e no dia seguinte não se falava doutra coisa. De tal modo, que D. Dinis resolveu procurar a Rainha nos seus aposentos.
— Senhora... Fala-se demais no caso de ontem à noite...
— E de quem é a culpa, real Senhor?
Ele baixou os olhos.
— Bem sei que é minha... E por ser assim, venho trazer-vos uma novidade que decerto vos agradará...
A Rainha tentou adivinhar-lhe o segredo, pela expressão do rosto, mas não o conseguiu.
— Dizei então...
El-Rei aprumou-se e sentenciou:
— Daqui em diante, vou chamar àquele caminho… o caminho de Cegovim.
— Muito bem, real Senhor.
— Foste vós que me destes a inspiração, Isabel!... De facto, cego vim... até encontrar os vossos archotes... Vós o dissestes... E eu não esqueci.
Foi a vez dela sorrir brandamente, olhando-o com insistência.
— Prouvera a Deus que não mais vos esquecêsseis!
Ele segurou-lhe as mãos, beijando-as com ternura.
— Sim, eu andava cego... Perdoai-me!
— Estais perdoado...
E convidando-o a sentar-se junto dela, numa banqueta de seda, Dona Isabel segredou-lhe:
— Não vos esqueceis, Dinis... Aquele é o caminho de Cegovim... E lá para trás fica a aldeia do Amor!...
Riram ambos. As pazes estavam feitas, mais uma vez. Feliz, tranquilo, jovial, El-Rei acrescentou, rindo ainda:
— Isso mesmo: o caminho de Cegovim... e a aldeia do Amor... Sois a mais inteligente das mulheres… e das esposas!
Não consta que, pelo menos nos tempos mais chegados e naquele mesmo local, D. Dinis voltasse a andar pelos caminhos, de noite às ocultas da Rainha...
Mas os nomes desta história saborosa, que pertence às heranças da alma popular, continuaram e continuarão pelos tempos fora!
Ali, a uns dez quilómetros de Leiria, ainda hoje existe a pequena aldeia de Amor... E lá está a ligá-la a Monte Real o caminho de Cegovim...
E, finalmente, quanto às amoras: em certas regiões do País persiste o costume de julgar que Deus as espalhou para matar a fome e a sede e para curar as doenças… E ainda hoje corre de boca em boca uma quadra de genuíno sabor popular, que se diz ter sido feita pelo próprio velho mendigo da Rainha Santa.
As amoras que comi
Tinham um estranho sabor
Fosse delas ou de ti,
Nasceu em mim o amor...