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O AL ANDALUS E A EXPULSÃO DOS MOURISCOS Muito deve a cultura , a ciência e até a economia à cultura Muçulmana que habitavam a região do Al Andalus em paz e convivencia com a religião Cristã. Hoje começa-se a admitir já, que a sua expulsão foi um terrível revés para a evolução e civilização da época, fruto da incompreensão, desconhecimento e repressão fanáticó-religiosa. A
"expulsão dos mouriscos" da monarquia espanhola foi ordenada pelo rei
Felipe III e foi realizado em etapas, entre 1609 e 1613. Os primeiros
mouriscos expulsos foram os do Reino de Valência, a que seguiram os de
Andaluzia, Extremadura, Castela e da Coroa de Aragão. Os últimos
expulsos foram os do Reino de Murcia, primeiro os de origem de Granada
e, mais tarde os do vale de Ricote e o resto dos antigos mouriscos. No
total, foram expulsos cerca de 300.000 pessoas, a maioria deles dos
reinos de Valência e Aragão que foram os mais afetados já que perderam
um terço e um sexto de sua população, respectivamente. Aqui tem revelado como tudo se processou e os principais aspectos deste episódio trágico e triste da história que teve repercussões a nivel cultural, científico e económico, ainda hoje difíceis de quantificar. Áudio: Castelhano Fonte: Canal História - YouTube -
DOCUMENTÁRIO AL ANDALUS - A EXPULSÃO DOS MOURISCOS
DOCUMENTÁRIO A EXPULSÃO DOS MOURISCOS - DOCUMENTÁRIO E DEBATE
Documentário A HISTÓRIA NÃO CONTADA DO AL ANDALUS
Expulsão dos Mouriscos
Embarque de mouriscos no porto d'El Grao de Valência
A decisão de expulsar os mouriscos veio determinada por várias causas:
A maioria da população mourisca, depois de mais de um século da sua
conversão forçada ao cristianismo, continuava sendo um grupo social à
parte, apesar de a maioria das comunidades terem perdido o uso da língua árabe em favor do castelhano,[1] e de ser muito pobre, em geral, o seu conhecimento do dogma e dos ritos do Islão, religião que praticavam em segredo.
Após a rebelião das Alpujarras
(1568-1571), protagonizada por mouriscos granadinos, os menos
aculturados, foi tendo cada vez maior peso a opinião de que esta minoria
religiosa constituía um verdadeiro problema de segurança nacional. Esta
opinião via-se reforçada pelas numerosas incursões de piratas berberescos, que assolavam continuamente toda a costa levantina, e que ocasionalmente eram facilitadas ou festejadas pela população mourisca. Os Mouriscos começaram a ser considerados uma quinta coluna, e uns potenciais aliados de Turcos e de Franceses.
O começo de uma etapa de recessão em 1604, derivada de uma diminuição na chegada de recursos da América. A redução do nível de vida levou a população cristã a olhar com ressentimento para a mourisca.
Uma radicalização no pensamento de muitos governantes após o insucesso por acabar com o protestantismo nos Países Baixos.
A tentativa de acabar com o pensamento crítico que fazia tempo
corria pela Europa em relação à discutível cristandade da Espanha pela
permanência de algumas minorias religiosas. Com esta decisão acabava-se
com o processo homogeneizador que começara com a expulsão dos judeus
e ratificava a cristandade dos reinos da Espanha. Embora esta não fosse
a opinião popular, que somente a via com certo ressentimento pela
competência de recursos e trabalho.
A opinião pública a respeito dos mouriscos encontrava-se muito
dividida entre os que consideravam que se devia dar tempo à sua
cristianização, os que consideravam que se devia continuar tolerando e
os que propunham expulsá-los.
A população mourisca consistia em cerca de 325 000 pessoas num país
de uns 8,5 milhões de habitantes ou seja os mouriscos eram 3% da
população. Estavam concentrados nos reinos de Aragão, no que constituíam cerca de 20% da população, e de Valência,
onde representavam cerca de 33% do total de habitantes. Adicionalmente,
o crescimento da população mourisca era bastante superior ao da cristã.
As terras ricas e os centros urbanos desses reinos eram mormente
cristãos, enquanto os mouriscos ocupavam a maior parte das terras pobres
e se concentravam nos subúrbios das cidades.
Em Castela a situação era muito diferente: de uma população de 6 milhões de habitantes, entre mouriscos e mudéjares
representavam apenas cerca de 100 000 pessoas ou menos de 1% da
população e todos na Antiga Granada, estado já extinto na Idade Média.
Devido a esta muito menor percentagem da população e à positiva
experiência com os antigos mudéjares, os quais levavam séculos
convivendo com a população cristã, o ressentimento para os mouriscos na
coroa de Castela era menor ao da população cristã da coroa de Aragão.
Um grande número de eclesiásticos apoiavam a opção de dar tempo, uma
opção em parte apoiada por Roma, pois consideravam que uma total
conversão requeria de uma prolongada assimilação nas crenças e na
sociedade cristãs. A nobreza aragonesa e valenciana era partidária de
manter a situação, pois estes eram os grupos que mais se beneficiavam da
mão de obra mourisca nas suas terras. O campesinato, porém, via-os com ressentimento e considerava-os rivais.
Entre os defensores da expulsão encontrava-se Jaime Bleda, inquisidor
de Valência (onde a população mourisca era a mais numerosa), que propôs
ao rei a expulsão. A princípio, a ideia não foi considerada pelo
governo, mas a mesma foi proposta de novo pelo arcebispo de Valência, Juan de Ribera,
que apoiava a expulsão, ao considerá-los hereges e traidores, ao que o
arcebispo acrescentou uma característica que tornou a proposição
atraente: o rei poder-se-ia beneficiar da confiscação dos bens e
propriedades da população mourisca e até mesmo escravizá-los.
A política a respeito da população mourisca até 1608 fora a de conversão, embora antes Carlos I (em 1526) e Filipe II
(em 1582) pretendessem uma medida mais radical. Contudo, foi a partir
de 1608 que o Conselho de Estado começou a considerar a opção da
expulsão e em 1609 recomendou ao rei tomar tal medida.
Desembarque dos mouriscos no Porto de Orão (1613, Vicente Mestre), Fundación Bancaja de Valencia
A 9 de abril
de 1609 tomou-se a decisão de expulsar os mouriscos. Mas o processo
podia implicar problemas devido à importância da população destes
habitantes. Decidiu-se começar por Valência, onde a população mourisca
era maior, sendo os preparativos levados no mais estrito segredo. Desde
princípios de setembro, terços chegados da península Itálica
tomaram posições no norte e sul do reino de Valência e, a 22 desse mês,
o vice-rei ordenou a publicação do decreto. A aristocracia valenciana
reuniu-se com representantes do governo para protestar contra a
expulsão, pois esta implicaria uma diminuição das suas rendas, mas a
oposição ao decreto diminuiu com a oferta de ficarem com parte da
propriedade territorial dos mouriscos. À população mourisca foi
permitido levar tudo aquilo que pudessem, ainda que as suas casas e
terrenos passavam às mãos dos seus senhores, com pena de morte caso
fossem queimadas ou destruídas antes da transferência.
A partir de 30 de setembro foram deslocados até os portos, nos quais,
como ofensa última, foram obrigados a pagar a passagem. Os primeiros
mouriscos foram transportados para o norte da África,
onde ocasionalmente foram atacados pela população dos países
receptores. Isto causou temores na população mourisca remanescente em
Valência, e a 20 de outubro
decorreu uma rebelião mourisca contra a expulsão. Os rebeldes foram
reduzidos em novembro e terminou-se com a expulsão dos últimos mouriscos
valencianos. Em princípios de 1610 foi realizada a expulsão dos mouriscos aragoneses e em setembro a dos mouriscos catalães.
A expulsão dos mouriscos de Castela era uma tarefa mais árdua, pois
estavam muito mais dispersos após terem sido repartidos em 1571 pelo
reino, depois da rebelião das Alpujarras.
Devido a isto, foi oferecida à população mourisca uma opção de saída
voluntária do país, pela qual podiam levar as suas posses mais valiosas e
tudo aquilo que pudessem vender. Assim, em Castela a expulsão durou
três anos (de 1611 a 1614) e até mesmo alguns conseguiram evadir a
expulsão e permaneceram na Espanha.
Consequências
O Conselho de Castela avaliou a expulsão em 1619,
e concluiu que não tivera efeitos econômicos para o país. Isto era
verdade para o reino de Castela, pois alguns estudiosos do fenômeno não
encontraram consequências econômicas nos setores onde a população
mourisca era mais importante. De fato, o quebranto demográfico não podia
ser comparado com o meio milhão de vítimas da grande peste de 1598-1602, cinco vezes mais do que o número de mouriscos expulsos em esse reino. Contudo, no Reino de Valência
implicou um abandono dos campos e um vazio em certos setores ao não
poder a população cristã ocupar o grande espaço deixado pela numerosa
população mourisca. Estima-se que, no momento da expulsão, cerca de 33%
dos habitantes do Reino de Valência eram mouriscos; assim, algumas
comarcas do norte de Alicante
perderam praticamente toda a sua população, que foi necessário repor,
tanto nesta quanto em outras zonas, com incentivos à repovoação desde
outros pontos da Espanha.
A expulsão de cerca de 4% da população pode parecer de pouca
importância, mas se tem de considerar que a população mourisca era uma
parte importante da massa trabalhadora, pois não constituíam nobres,
fidalgos, soldados nem sacerdotes. Portanto, isto implicou uma míngua na
arrecadação de impostos, e nas zonas mais afetadas (Valência e Aragão)
teve uns efeitos despovoadores que duraram décadas e causaram um vazio
importante no artesanato, produção de telas, comércio e trabalhadores do
campo. Muitos camponeses cristãos ademais viam como as terras deixadas
pela população mourisca passavam às mãos da nobreza, a qual pretendia
que o campesinato as explorasse em troca de uns alugueres e condições
abusivas para recuperar as suas "perdas" a curto prazo. Pelo outro lado,
parte dos expulsos incorporaram-se aos piratas berberescos que
assaltaram as costas mediterrâneas espanholas durante perto de um
século.
1501-02. Pragmática do Cardeal Cisneros dando a escolher aos muçulmanos do reino de Castela entre o exílio e a conversão: os mudéjares do Medievo passaram a ser assim, simplesmente, mouriscos
1516. Força a abandonar a sua vestimenta e costumes, embora a medida ficasse em suspenso por dez anos
1525-26. Conversão por édito dos mouriscos de Aragão e de Valência
1562. Uma junta composta de eclesiásticos, juristas e membros do Santo Ofício proíbe aos granadinos o uso da língua árabe.
1588. Aparecem em Granada os falsos Chumbos do Sacromonte e os manuscritos da Torre Turpiana, tentativa desesperada de um grupo de mouriscos de legitimarem a sua estadia na Espanha.
1609, 9 de abril. O Duque de Lerma assina a expulsão dos mouriscos de todos os reinos da Espanha.
Vindicação posterior dos mouriscos
Cervantes assinalava já na história de Ricote incluída no Quixote as consequências humanas da expulsão dos mouriscos. O humanista judeu-converso e antiescolástico Pedro de Valência, discípulo e testamentar do hebraísta Benito Arias Montano, escreveu com o seu Tratado acerca de los moriscos de España, inédito até 1979,
a defesa melhor argumentada da causa dos expulsos. Denúncia "o agravo
ao privá-los das suas terras e em não os tratar com igualdade de honra e
estima com os demais cidadãos e naturais". Levanta-se contra os
estatutos do cardeal
Siliceo e propugna uma política de matrimônios mistos de mouriscos e
cristãos velhos para "persuadir os cidadãos da república, que todos são
irmãos de uma linhagem e de um sangue". No século XVI foi vindicada a
sua figura na Historia de la rebelión y castigo de los moriscos (1600) de Luis de Mármol y Carvajal.
No século XX os historiadores Américo Castro, Antonio Domínguez Ortiz, Julio Caro Baroja, Mercedes García-Arenal, Bernard Vincent, Louis Cardaillac, Francisco Márquez Villanueva e o escritor Juan Goytisolo
reivindicaram o desastre que tanto para a Espanha quanto para os
mouriscos implicou a sua expulsão, em termos econômicos, culturais e
humanos. Os estatutos de limpeza de sangue
anulavam a meritocracia do comércio e do trabalho frente à "negra
honra" dos cristãos velhos, fazendo impossível deter a já perceptível
decadência espanhola até as Cortes de Cádiz, em que pese às políticas mais sensatas de Olivares e dos ministros iluminados do século XVIII.
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OS CELTAS
Uma civilização que nos precedeu e da qual devemos muitas das nossas tradições, costumes e palavras. Eram um povo rural que cultivavam as terras e não tinham muito interesse em criar grandes estruturas ou raízes num local. Não escreviam nada, pois possuiam uma forte tradição oral, pelo que tudo o que deles se sabe, resulta daquilo que os seus inimigos escreviam acerca deles.
Eram guerreiros ferozes, que dificultaram muito o trabalho das legiões Romanas, que incapazes de os entenderem, os classificaram como Barbaros.
Aqui tem revelado como eram constituídas as suas tribos, sua estratificação, seus usos e costumes, sua arte e religião, que refutam essa classificação que os Romanos lhes impuseram.
Celtas é a designação dada a um conjunto de povos (um etnónimo), organizados em múltiplas tribos e pertencentes à família linguísticaindo-europeia que se espalhou pela maior parte do Oeste da Europa a partir do segundo milénio a.C.. A primeira referência literária aos celtas (Κελτοί) foi feita pelo historiador grego Hecateu de Mileto no século VI a.C..
Boa parte da população da Europa ocidental pertencia às etnias celtas até à eventual conquista daqueles territórios pelo Império Romano; organizavam-se em tribos, que ocupavam o território desde a Península Ibérica até à Anatólia. A maioria dos povos celtas foi conquistada, e mais tarde integrada, pelos Romanos, embora o modo de vida celta tenha, sob muitas formas e com muitas alterações resultantes da aculturação devida aos invasores e à posterior cristianização, sobrevivido em grande parte do território por eles ocupado.
Existiam diversos grupos celtas compostos de várias tribos, entre eles os bretões, os gauleses, os escotos, os eburões, os batavos, os belgas, os gálatas, os trinovantes e os caledónios. Muitos destes grupos deram origem ao nome das províncias romanas na Europa, as quais mais tarde baptizaram alguns dos estados-naçõesmedievais e modernos da Europa.
Os celtas são considerados os introdutores da metalurgia do ferro na Europa, dando origem naquele continente à Idade do Ferro (culturas de Hallstatt e La Tène), bem como das calças na indumentária masculina (embora essas sejam provavelmente originárias das estepes asiáticas). Tal como consta que traziam com eles um pequeno cavalo muito parecido com o nosso garrano, que nessa língua quer dizer "cavalo pequeno"[1]
Outras regiões europeias que também se identificam com a cultura celta são o País de Gales, uma entidade subnacional do Reino Unido, a Cornualha (Reino Unido), a Gália (França, e Norte da Itália), o Norte de Portugal e a Galiza (Noroeste da Espanha). Nestas regiões os traços linguísticos celtas sobrevivem nos topónimos, nalgumas formas linguísticas, no folclore e tradições.
A influência cultural celta, que jamais desapareceu, tem mesmo
experimentado um ciclo de expansão em sua antiga zona de influência, com
o aparecimento de música de inspiração celta e no reviver de muitos
usos e costumes conhecidos atualmente como celtismo.
Na Antiguidade os celtas foram conhecidos por três designações diferentes, pelos autores greco-romanos: celtas (em latimCeltae, em grego Κελτοί, transl.Keltoí); gálatas (em latim galatae, em grego Γαλάται, transl. Galátai); e galos ou gauleses (latim gallai, galli; grego Γάλλοί, transl. Galloí).[2] Os romanos se referiam apenas aos celtas continentais como celtae; os povos da Irlanda e das ilhas Britânicas, nunca foram designados por celtas, nem pelos romanos nem por si próprios,[3][4] eram chamados Hiberni (hibérnios) e Britanni (bretões), respectivamente, e só começaram a ser chamados celtas no século XVI d.c..[5][6] No De Bello Gallico, Júlio César comentou que o nome "celta" era a maneira pela qual os gauleses se chamavam a si próprios na "língua celta" (lingua Celtae).[7][8]Pausânias
comentou ainda que os gauleses não só se chamavam a si mesmos celtas
como era também por este nome que os outros povos os conheciam.[9] A atestar este facto temos evidência na epigrafiafunerária na qual se confirma que havia povos chamados celtas que se identificavam como tal, nomeadamente os Supertamarici.[10] Plínio, o Velho, registou que os habitantes de Miróbriga usavam o sobrenome de Céltico: "Mirobrigenses qui Celtici cognominantur".[11] No santuário de Miróbriga um habitante deixa gravado a sua origem celta:[12]
A raiz do termo "celta" aparece como elemento dos nomes próprios nativos da Gália, Celtillos, e da Península Ibérica, Celtio, Celtus, Celticus; nos nomes tribais, célticos, celtiberos; e nos topónimos, Celti, Céltica,Céltigos e Celtibéria.[13][14][15]
Existem duas principais definições do termo celta, uma dada pelos
autores da Antiguidade e uma definição moderna, criada por autores contemporâneos. A definição moderna do termo celta tem significados diferentes em contextos diferentes; linguistas, antropólogos, arqueólogos, historiadores, folcloristas todos o usam de forma diferente revelando discrepâncias entre os diferentes conceitos.[16][17]
A validade de empregar o termo celta, para além da definição dada pelos
autores greco-romanos da Antiguidade, é polémica e já era contestada
por autores do século XIX.[18][19][20]
Segundo os linguistas, são celtas os povos que falaram ou falam uma língua celta,[21][22][23][24] e, por associação, são celtas as terras onde eles vivem.[25] Segundo esta teoria, os povos celtas que deixaram de falar uma língua celta também deixaram de ser designados de celtas.
Em arqueologia determinou-se chamar celtas aos povos que partilham uma cultura material e um estilo de arte específico. Associam-se as culturas de Hallstatt e La Tène
às culturas celtas e proto-celtas. Definem-se como celtas os povos das
áreas da Europa continental, da Irlanda e das Ilhas Britânicas que
partilharam estas culturas.[26][27][28][29]
A localização dos Celtas segundo os autores da Antiguidade
Os celtas são referidos pela primeira vez na literatura grega por Hecateu de Mileto. Da sua obra sobrevivem fragmentos muito curtos sobre os celtas: escreve que o país celta fica perto de Massália, uma colónia de comerciantes gregos e refere-se a Narbona como cidade de comércio celta e a Nirax como cidade celta.
“
Massália:
cidade da Ligúria perto do país celta, uma colónia dos foceus. Narbona:
centro de comércio e cidade dos celtas. Nírax: cidade celta.
Os Celtas vivem para além dos Pilares de Hércules, sendo vizinhos dos cinésios e são a mais ocidental de todas as nações que habitam a Europa".
”
“
O rio Ister nasce na terra dos celtas na cidade de Pyrene e percorre o centro da Europa. Os celtas vivem além das colunas de Hércules,
sendo vizinhos do cinésios e são a mais ocidental de todas as nações
que habitam a Europa. E assim, se estendem por toda a Europa até às
fronteiras da Cítia
”
Século III a.C.
Eratóstenes situava os celtas na parte ocidental da Europa, segundo o comentário de Estrabão.
“
Eratóstenes diz que até Gades, o exterior (SC. da Ibéria) é habitado pelos gálatas;
e se a parte ocidental da Europa é ocupada por eles, esqueceu-se deles
na sua descrição da Ibéria, nunca faz menção aos gálatas.
”
Século I a.C.
Diodoro refere a diferença das denominações dada aos celtas por romanos e gregos.
“
E
agora, será útil fazer uma distinção que é desconhecida de muitos: Os
povos que habitam no interior, acima de Massalia, os das encostas dos
Alpes, e os deste lado das montanhas dos Pirenéus são chamados celtas,
ao passo que os povos que estão estabelecidos acima desta terra Céltica, nas partes que se estendem para o norte, ambas ao longo do oceano e ao longo da Montanha Hercinia, e todos os povos que vêm depois destas, tão longe como Cítia,
são conhecidos como gauleses, os romanos, no entanto, incluem todas
estas nações juntando-as debaixo de um único nome, chamando-as a uma, e a
todos gauleses.
”
Sobre a terra dos Celtas
A primeira referência à terra dos celtas, Céltica, é provavelmente do geógrafo Timageto.
“
[...]o Fasis [e o Istro] procedem dos montes Ripeos, que são da terra keltica, e logo vão desaguar numa lagoa dos celtas
”
Estrabão indica a informação que Éforo possuía sobre a terra dos celtas.
“
Ephorus, em seus relatos, faz Céltica tão excessiva em seu tamanho, que ele atribui às regiões da Céltica a maioria das regiões, tão longe quanto Gades, no que hoje chamamos Península Ibérica"
”
Demografia
As origens dos povos celtas são motivo de controvérsia, especulando-se que entre 1900 e 1500 a.C. tenham surgido da fusão de descendentes dos agricultores danubianosneolíticos e de povos de pastores oriundos das estepes.[36]
Esta incerteza deriva da complexidade e diversidade dos povos celtas,
que além de englobarem grupos distintos, parecem ser a resultante da
fusão sucessiva de culturas e etnias. Na Península Ibérica, por exemplo, parte da população celta se misturou aos iberos, o que resultou no surgimento dos celtiberos.[37][38]
Todavia, estudos genéticos realizados em 2004 por Daniel Bradley,[39] do Trinity College de Dublin, demonstraram que os laços genéticos entre os habitantes de áreas célticas como Gales, Escócia, Irlanda, Bretanha e Cornualha
são muito fortes e trouxeram uma novidade: a de que, de entre todos os
demais povos da Europa, os traços genéticos mais próximos destes eram
encontrados na Península Ibérica.
Daniel Bradley explicou que a sua equipa propunha uma origem muito mais antiga para as comunidades da costa do Atlântico:
há pelo menos 6000 anos ou até antes disso. Os grupos migratórios que
deram origem aos povos celtas do Noroeste europeu teriam saído da costa
atlântica da Península Ibérica nos finais da última Idade do Gelo
e ocupada as terras recém-libertadas da cobertura glacial no Noroeste
europeu, expandindo-se depois para as áreas continentais mais distantes
do mar.
O geneticista Bryan Sykes confirma esta teoria no seu livro Blood of the Isles (2006), a partir de um estudo efectuado em 2006 pela equipa de geneticistas da Universidade de Oxford. O estudo analisou amostras de ADN recolhidas de 10.000 voluntários[40]
do Reino Unido e Irlanda, permitindo concluir que os celtas que
habitaram estas terras, — escoceses, galeses e irlandeses —, eram
descendentes dos celtas da península Ibérica que migraram para as ilhas
Britânicas e Irlanda entre 4.000 e 5.000 a. C.[41][42]
Outro geneticista da Universidade de Oxford, Stephen Oppenheimer,
corrobora esta teoria no seu livro "The Origins of the British" (2006).
Estes estudos levaram também à conclusão de que os primitivos celtas
tiveram a sua origem não na Europa Central, mas entre os povos que se refugiaram na Península Ibérica durante a última Idade do Gelo.[43]
Estudos da Universidade do País de Gales defendem que as inscrições encontradas em estelas no sudoeste da Península Ibérica demonstram que os celtas do País de Gales vieram do sul de Portugal e do sudoeste de Espanha.[44][45]
A área verde na imagem sugere a possível extensão da área (proto-)céltica por volta de 1000 a.C.. A área laranja indica a região de nascimento da cultura de La Tène e a área vermelha indica a possível região sob influência céltica por volta de 400 a.C. Vestígios associados à cultura celta remontam a pelo menos 800 a.C., no Sul da Alemanha e no Oeste dos Alpes. Todavia, é muito provável que o grupo étnico celta já estivesse presente na Europa Central há centenas ou milhares de anos antes desse período.
Durante a primeira fase da Idade do Ferro céltica (do século VIII a.C. ao século V a.C.), as sepulturas encontradas pelos arqueólogos indicam o surgimento de uma nova aristocracia e de uma crescente estratificação social. Essa estratificação aprofundou-se a partir do século VI a.C., quando grupos do Norte da Europa e da região oeste dos Alpes entraram em contato comercial com as colónias gregas fundadas no Mediterrâneo Ocidental.
O intercâmbio com os gregos, que chamavam aos celtas indistintamente keltoi, é evidenciado pelas finas peças de cerâmica gregas encontradas nos túmulos. É igualmente provável que os gregos tenham adoptado o costume de armazenar o vinho em vasos de cerâmica após os contactos com os celtas, que já os utilizavam como forma de armazenamento de provisões.
Os objectos inumados das sepulturas comprovam que o comércio dos
celtas se estendia a regiões ainda mais afastadas, tendo sido
encontradas peças de bronze de origem etrusca e tecidos de seda seguramente oriundos da China.
A partir do século V a.C., verifica-se um deslocamento dos centros urbanos celtas, até então localizados ao longo dos rios Ródano, Saona e Danúbio, evento associado a segunda fase da Idade do Ferro europeia e ao desenvolvimento artístico da cultura La Tène.
As sepulturas deste período apresentam armas e carros de combate,
embora sejam menos ricas do que as do período pacífico anterior,
provavelmente, reflexo da sua fase de maior expansão, quando invadiram o
Sul da Europa após 400 a.C..
Em 390 a.C. os celtas invadiram o Norte da península Itálica (Gália Cisalpina) e saquearam Roma. Por volta de 272 a.C., pilharam Delfos na Grécia. As hostes celtas conquistaram territórios na Ásia Menor, nos Balcãs e no norte da Itália, onde o contingente mais numeroso era o dos gauleses.
A partir do século II a.C., os celtas começam a perder território para os povos de língua germânica, e os romanos, pouco a pouco, conseguem dominá-los, o que consolidam a partir de 192 a.C., quando anexam a Gália Cisalpina ao Império Romano.
Os golpes finais na dominância celta ocorrem no século I a.C., quando Júlio César conquista a Gália, e no século I d.C., quando o imperador Cláudio domina a Bretanha. Somente a Irlanda e oNnorte da Escócia, onde viviam os escotos, permaneceram fora da zona de influência directa do Império Romano.
Críticas
Críticos
afirmam que não há qualquer evidência linguística, arqueológica ou
genética que comprove que as regiões onde se originaram as culturas
Hallstatt ou La Tène sejam o local de origem dos povos celtas. Indicam
que este conceito deriva de um erro feito pelo historiador Heródoto há 2500 anos, num comentário sobre os celtas, onde os localizava na nascente do rio Danúbio, a qual ele julgava ser perto dos Pirenéus.
Este erro foi depois mais tarde, em fins do século XIX, aproveitado
pelo historiador francês Marie Henri d'Arbois de Jubainville para basear
a sua teoria de que Heródoto queria dizer que a terra original dos
celtas era no sul da Alemanha.[46][47]
Teoria da idade do bronze atlântica
Segundo esta teoria, os celtas teriam origem no Norte e ocidente da Península Ibérica. Baseia-se na evidência histórica, de que Heródoto localizava os celtas na Ibéria e dizia que eram vizinhos dos cónios localizados na atual região do Algarve; na hipótese da língua tartéssica ser uma língua celta, o que indicaria que as línguas celtas se teriam originado na zona atlântica durante a Idade do Bronze; e em evidências genéticas.[48][49][50][51]
As línguas célticas derivam de dois ramos indo-europeus do grupo denominado centum: o celta-Q (goidélico), mais antigo, do qual derivam o irlandês, o gaélico da Escócia e a língua manx da Ilha de Man, e o celta-P (galo-britânico), falado pelos gauleses e pelos habitantes da Bretanha, cujos descendentes modernos são o galês (do País de Gales) e o bretão (na Bretanha). Os registos mais antigos escritos numa língua celta datam do século VI a.C..[52]
As informações actualmente disponíveis sobre os celtas foram obtidas
principalmente através do testemunho dos autores greco-romanos. Isto não
permite traçar um quadro completo e imparcial do que foi a realidade
quotidiana desses povos.
O chamado "alfabeto das árvores" ou Ogham surgiu apenas por volta de 400 d.C.[53] Edward Lhuyd identificou em 1707 uma família de línguas ao notar a semelhança entre o irlandês, o bretão, o córnico e o galês e a extinta língua gaulesa, as quais classificou como línguas celtas.
Lhuyd justificou o uso da expressão pelo fato de estas pertencerem à
mesma família linguística do gaulês e a língua gaulesa e a maioria das
tribos gaulesas terem sido chamadas de celtas.[54][55][56][57]
Fontes clássicas e arqueológicas atestam que os celtas faziam uso limitado da escrita. Júlio César, no De Bello Gallico, comentou que os helvécios usavam o alfabeto grego para registar o censo da população e que os druidas se recusavam a registar por escrito os versos, mas que faziam uso do alfabeto grego para as transacções públicas e pessoais.[58]Diodoro disse que nos funerais os gauleses escreviam cartas aos amigos, e atiravam-nas para a pira funerária, como se elas pudessem ser lidas pelos defuntos.[59] Já Ulpiano determina que os fidei comunis podiam ser escritos em gaulês, entre outras línguas, o que gerou especulações de que no século III esta língua ainda seria escrita e falada.[60]
O alfabeto ibérico foi usado para registar o celtibéro, uma língua celta da Península Ibérica. O alfabeto de Lugano e Sondrio foi usado na Gália Cisalpina e o alfabeto grego na Gália Transalpina. Variações do alfabeto latino foram usadas na península Ibérica e na Gália Transalpina.[61] Estudos colocam a hipótese de haver uma relação entre as inscrições de Glozel e um dialecto celta.[62][63][64]
Cultura
As manifestações artísticas celtas possuem marcante originalidade, embora denotem influências asiáticas e das civilizações do Mediterrâneo (grega, etrusca e romana).
Há uma nítida tendência abstrata na decoração de peças, com figuras em
espiral, volutas e desenhos geométricos. Entre os objectos inumados,
destacam-se peças ricamente adornadas em bronze, prata e ouro, com incisões, relevos e motivos entalhados. A influência da arte celta está ainda presente nas iluminuras medievais irlandesas e em muitas manifestações do folclore do noroeste europeu, na música e arquitectura de boa parte da Europa ocidental. Também muitos dos contos e mitos populares do ocidente europeu têm origem na cultura dos celtas.
Alguns estereótipos modernos e contemporâneos foram associados à cultura dos celtas, como imagens de guerreiros usando capacetes com chifres[65] e ou asas laterais (vide Astérix),[66][67] comemorações de festas com taças feitas de crânios dos inimigos,[68] entre outros. Essas imagens são devidas em parte ao conhecimento divulgado sobre os celtas durante o século XIX. Diógenes Laércio, na sua obra Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres, comenta que a origem do estudo da filosofia era atribuída aos celtas, (entre outros povos considerados bárbaros). O conhecimento da filosofia era atribuído aos druidas e aos semnóteos (semnothei).[69] Massália era um conhecido centro de aprendizagem onde os celtas iam aprender a cultura grega, a ler e a escrever.[70][71]
Entre os eruditos da antiguidade de origem celta ou oriundos das regiões celtas são conhecidos Gneu Pompeu Trogo,[72]Marcelo Empírico,[73]Públio Valério Catão,[74]Marco Antônio Gnífon,[75]Cornélio Galo,[76]Rutílio Cláudio Namaciano,[77]Virgílio, Víbio Galo[78]Tito Lívio[79]Cornélio Nepos[80] e Sidônio Apolinário.
A unidade básica da sua organização social era o clã,
composto por famílias aparentadas que partilhavam um núcleo de terras
agrícolas, mas que mantinham a posse individual do gado que
apascentavam.
Com base em estudos efectuados na Irlanda, determinou-se que a sua
organização política era dividida em três classes: o rei e os nobres, os
homens livres e os servos, artesãos, refugiados e escravos. Este último grupo não possuía direitos políticos. A esta estrutura secular, agregavam-se os sacerdotes (druidas), bardos e ovados, todos com grande influência sobre a sociedade.
Mais recentemente foram apresentadas novas perspectivas sobre a celtização do Noroeste de Portugal e a identidade étnica dos galaicos brácaros .[81] No país, os povoados castrejos do tipo citaniense apresentavam características similares às dos povoados celtas. A citânia de Briteiros
é exemplo de um povoado com características celtas, sendo, porém,
necessário tomar esta designação no seu sentido lato: isto é - seria o
local de habitação das numerosas tribos celtizadas (celtici).[82]Tongóbriga é um sítio arqueológico situado na freguesia de Freixo, também antigo povoado dos galaicos brácaros..[83]
Os celtas exaltavam as forças telúricas expressas nos ritos propiciatórios. A natureza era a expressão máxima da Deusa-Mãe.
A divindade máxima era feminina, a Deusa-Mãe, cuja manifestação era a
própria natureza e por isso a sociedade celta, embora não fosse matriarcal, mesmo assim a mulher era soberana no domínio das forças da natureza.[84][85] A religião celta era politeísta com características animistas, sendo os ritos quase sempre realizados ao ar livre. Suspeita-se que algumas das suas cerimônias envolviam sacrifícios humanos. O calendário anual possuía várias festas místicas, como o Imbolc e o Belthane, assim como celebrações dos equinócios e solstícios.
Embora se saiba que os celtas adoravam um grande número de
divindades, do seu culto hoje pouco se conhece para além de alguns dos
nomes. Tendo um fundo animista, a religião celta venerava múltiplas
divindades associadas a atividades, fenómenos da natureza e coisas.
Entre as divindades contavam-se Tailtiu e Macha, as deusas da natureza, e Epona, a deusa dos cavalos. Entre as divindades masculinas incluíam-se deuses como Goibiniu, o fabricante de cerveja, e Tan Hill, a divindade do fogo. O escritor romano Lucano
faz menções a vários deuses celtas, como Taranis, Teutates e Eso, que,
curiosamente, não parecem ter sido amplamente adorados ou relevantes.
Algumas divindades eram variantes de outras, reflectindo a estrutura
tribal e clânica dos povos celtas. A esta complexidade veio juntar-se a
plêiade de divindades romanas, criando novas formas e designações. É
nesse contexto que a deusa galo-romana dos cavalos, Epona, parece ser
uma variante da deusa Rhiannon, adorada em Gales, ou ainda Macha, que
era adorada na região do Ulster.
As crenças religiosa dos celtas também originaram muitos dos mitos
europeus. Entre os mais conhecidos está o mito de Cernuno, também
chamado de Slough Feg ou Cornífero na forma latinizada, comprovadamente
um dos mitos mais antigos da Europa ocidental, mas do qual pouco se
conhece.
Com a assimilação no Roma,
os deuses celtas perderam as suas características originais e passaram a
ser identificados com as correspondentes divindades romanas.
Posteriormente, com a ascensão do Cristianismo, a Velha Religião
foi sendo gradualmente abandonada, sem nunca ter sido totalmente
extinta, estando ainda hoje presente em muitos dos cultos de santos e
nas crenças populares assimilados no cristianismo.[86]
Com a crescente secularização da sociedade europeia, surgiram movimentos neopagãos
pouco expressivos, que buscam a adaptação aos novos tempos das crenças
do paganismo antigo, sendo alguns dos principais representantes a wicca e os neodruidas, que, embora contenham alguns elementos celtas, não são célticos, nem representam a cultura do povo celta.
A wicca tem sua origem na obra de ocultistas do século XX, como Gerald Brousseau Gardner e Aleister Crowley.
Já o neodruidismo não tem uma fonte única, sendo uma tentativa de
reconstruir o druidismo da Antiguidade, tendo a sua estruturação sido
iniciada em sociedades secretas da Grã-Bretanha a partir do século XVIII.
Mitologia
Consideram-se três as fontes principais sobre a mitologia celta, os
autores greco-romanos, a arqueologia, e os documentos britânicos e
irlandeses.
São riquíssimas as narrativas mitológicas celtas, principalmente as transmitidas oralmente em forma de poema, como "O Roubo de Gado em Cooley". Nesta, o herói irlandês Cú Chulainn enfrenta as forças da rainha Maeve para defender o seu condado. Outra narrativa, do Livro das Invasões (Lebor Gabala Erren), conta a lenda dos filhos de Míle Espáine e o seu trajecto até chegarem à Irlanda.
Outros legados dos celtas são as histórias do Ciclo do Rei Artur da Inglaterra e relatos míticos dos quais se originaram os contos de fadas, como, por exemplo, Chapeuzinho Vermelho (onde a menina representa o Sol devorado pela noite do Inverno, ou seja, o lobo).[87]