domingo, 1 de janeiro de 2017

OS CELTAS

História - Documentários
OS CELTAS
Uma civilização que nos precedeu e da qual devemos muitas das nossas tradições, costumes e palavras. Eram um povo rural que cultivavam as terras e não tinham muito interesse em criar grandes estruturas ou raízes num local. Não escreviam nada, pois possuiam uma forte tradição oral, pelo que tudo o que deles se sabe, resulta daquilo que os seus inimigos escreviam acerca deles.
Eram guerreiros ferozes, que dificultaram muito o trabalho das legiões Romanas, que incapazes de os entenderem, os classificaram como Barbaros.
Aqui tem revelado como eram constituídas as suas tribos, sua estratificação, seus usos e costumes, sua arte e religião, que refutam essa classificação que os Romanos lhes impuseram.

* José Rui Lira

Áudio: Castelhano
Fonte: YouTube - Rui Lira - Wikipédia






DOCUMENTÁRIO
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Celtas



Distribuição diacrônica dos povos celtas::
  núcleo do território Hallstatt, por volta do século VI a.C.
  expansão máxima dos celtas, por volta do século III a.C.
  área lusitana da península ibérica onde a presença dos celtas é incerta
  as "seis nações célticas" que mantiveram um número significativo de falantes celtas na Idade Moderna
  áreas onde as línguas celtas continuam a ser faladas hoje
Tópicos indo-europeus
Línguas indo-europeias
Albanês · Anatólio · Armênio
Báltico · Céltico · Dácio · Germânico
Grego · Indo-iraniano · Itálico · Frígio
Eslavo · Trácio · Tocariano
 
Povos indo-europeus
Albaneses · Anatólios · Armênios
Bálticos · Celtas · Germanos
Gregos · Indo-arianos · Indo-iranianos
Iranianos · Ítalos · Eslavos
Trácios · Tocarianos
 
Proto-indo-europeus
Língua · Sociedade · Religião
 
Hipóteses Urheimat
Hipótese Kurgan · Hipótese anatólia
Hipótese armênia · Hipótese indiana · TCP
 
Estudos indo-europeus

Celtas é a designação dada a um conjunto de povos (um etnónimo), organizados em múltiplas tribos e pertencentes à família linguística indo-europeia que se espalhou pela maior parte do Oeste da Europa a partir do segundo milénio a.C.. A primeira referência literária aos celtas (Κελτοί) foi feita pelo historiador grego Hecateu de Mileto no século VI a.C..
Boa parte da população da Europa ocidental pertencia às etnias celtas até à eventual conquista daqueles territórios pelo Império Romano; organizavam-se em tribos, que ocupavam o território desde a Península Ibérica até à Anatólia. A maioria dos povos celtas foi conquistada, e mais tarde integrada, pelos Romanos, embora o modo de vida celta tenha, sob muitas formas e com muitas alterações resultantes da aculturação devida aos invasores e à posterior cristianização, sobrevivido em grande parte do território por eles ocupado.
Existiam diversos grupos celtas compostos de várias tribos, entre eles os bretões, os gauleses, os escotos, os eburões, os batavos, os belgas, os gálatas, os trinovantes e os caledónios. Muitos destes grupos deram origem ao nome das províncias romanas na Europa, as quais mais tarde baptizaram alguns dos estados-nações medievais e modernos da Europa.
Os celtas são considerados os introdutores da metalurgia do ferro na Europa, dando origem naquele continente à Idade do Ferro (culturas de Hallstatt e La Tène), bem como das calças na indumentária masculina (embora essas sejam provavelmente originárias das estepes asiáticas). Tal como consta que traziam com eles um pequeno cavalo muito parecido com o nosso garrano, que nessa língua quer dizer "cavalo pequeno"[1]
Outras regiões europeias que também se identificam com a cultura celta são o País de Gales, uma entidade subnacional do Reino Unido, a Cornualha (Reino Unido), a Gália (França, e Norte da Itália), o Norte de Portugal e a Galiza (Noroeste da Espanha). Nestas regiões os traços linguísticos celtas sobrevivem nos topónimos, nalgumas formas linguísticas, no folclore e tradições.
A influência cultural celta, que jamais desapareceu, tem mesmo experimentado um ciclo de expansão em sua antiga zona de influência, com o aparecimento de música de inspiração celta e no reviver de muitos usos e costumes conhecidos atualmente como celtismo.

Nomes e terminologia

Estela funerária galaica: Apana · Ambo/lli · f(ilia) · Celtica /Supertam(arica) · / [j] Miobri · /an(norum) · XXV · h(ic) · s(ita) · e(st) · /Apanus · fr(ater) · f(aciendum)· c(uravit) ·.
Na Antiguidade os celtas foram conhecidos por três designações diferentes, pelos autores greco-romanos: celtas (em latim Celtae, em grego Κελτοί, transl. Keltoí); gálatas (em latim galatae, em grego Γαλάται, transl. Galátai); e galos ou gauleses (latim gallai, galli; grego Γάλλοί, transl. Galloí).[2] Os romanos se referiam apenas aos celtas continentais como celtae; os povos da Irlanda e das ilhas Britânicas, nunca foram designados por celtas, nem pelos romanos nem por si próprios,[3][4] eram chamados Hiberni (hibérnios) e Britanni (bretões), respectivamente, e só começaram a ser chamados celtas no século XVI d.c..[5][6] No De Bello Gallico, Júlio César comentou que o nome "celta" era a maneira pela qual os gauleses se chamavam a si próprios na "língua celta" (lingua Celtae).[7][8] Pausânias comentou ainda que os gauleses não só se chamavam a si mesmos celtas como era também por este nome que os outros povos os conheciam.[9] A atestar este facto temos evidência na epigrafia funerária na qual se confirma que havia povos chamados celtas que se identificavam como tal, nomeadamente os Supertamarici.[10] Plínio, o Velho, registou que os habitantes de Miróbriga usavam o sobrenome de Céltico: "Mirobrigenses qui Celtici cognominantur".[11] No santuário de Miróbriga um habitante deixa gravado a sua origem celta:[12]
A raiz do termo "celta" aparece como elemento dos nomes próprios nativos da Gália, Celtillos, e da Península Ibérica, Celtio, Celtus, Celticus; nos nomes tribais, célticos, celtiberos; e nos topónimos, Celti, Céltica,Céltigos e Celtibéria.[13][14][15]
Existem duas principais definições do termo celta, uma dada pelos autores da Antiguidade e uma definição moderna, criada por autores contemporâneos. A definição moderna do termo celta tem significados diferentes em contextos diferentes; linguistas, antropólogos, arqueólogos, historiadores, folcloristas todos o usam de forma diferente revelando discrepâncias entre os diferentes conceitos.[16][17] A validade de empregar o termo celta, para além da definição dada pelos autores greco-romanos da Antiguidade, é polémica e já era contestada por autores do século XIX.[18][19][20]
Segundo os linguistas, são celtas os povos que falaram ou falam uma língua celta,[21][22][23][24] e, por associação, são celtas as terras onde eles vivem.[25] Segundo esta teoria, os povos celtas que deixaram de falar uma língua celta também deixaram de ser designados de celtas.
Em arqueologia determinou-se chamar celtas aos povos que partilham uma cultura material e um estilo de arte específico. Associam-se as culturas de Hallstatt e La Tène às culturas celtas e proto-celtas. Definem-se como celtas os povos das áreas da Europa continental, da Irlanda e das Ilhas Britânicas que partilharam estas culturas.[26][27][28][29]

A localização dos Celtas segundo os autores da Antiguidade

O gaulês moribundo, cópia romana em mármore de uma escultura helenística do século III aC., famosa representação de um celta. Museus Capitolinos, Roma
  • Século VI a. C
Os celtas são referidos pela primeira vez na literatura grega por Hecateu de Mileto. Da sua obra sobrevivem fragmentos muito curtos sobre os celtas: escreve que o país celta fica perto de Massália, uma colónia de comerciantes gregos e refere-se a Narbona como cidade de comércio celta e a Nirax como cidade celta.
  • Século V a.C.[30]
Segundo Heródoto, a localização dos celtas era para além dos Pilares de Hércules e vizinha dos Cônios.
  • Século III a.C.
Eratóstenes situava os celtas na parte ocidental da Europa, segundo o comentário de Estrabão.
  • Século I a.C.
Diodoro refere a diferença das denominações dada aos celtas por romanos e gregos.
Sobre a terra dos Celtas
A primeira referência à terra dos celtas, Céltica, é provavelmente do geógrafo Timageto.
Estrabão indica a informação que Éforo possuía sobre a terra dos celtas.

Demografia

As origens dos povos celtas são motivo de controvérsia, especulando-se que entre 1900 e 1500 a.C. tenham surgido da fusão de descendentes dos agricultores danubianos neolíticos e de povos de pastores oriundos das estepes.[36] Esta incerteza deriva da complexidade e diversidade dos povos celtas, que além de englobarem grupos distintos, parecem ser a resultante da fusão sucessiva de culturas e etnias. Na Península Ibérica, por exemplo, parte da população celta se misturou aos iberos, o que resultou no surgimento dos celtiberos.[37][38]
Todavia, estudos genéticos realizados em 2004 por Daniel Bradley,[39] do Trinity College de Dublin, demonstraram que os laços genéticos entre os habitantes de áreas célticas como Gales, Escócia, Irlanda, Bretanha e Cornualha são muito fortes e trouxeram uma novidade: a de que, de entre todos os demais povos da Europa, os traços genéticos mais próximos destes eram encontrados na Península Ibérica.
Daniel Bradley explicou que a sua equipa propunha uma origem muito mais antiga para as comunidades da costa do Atlântico: há pelo menos 6000 anos ou até antes disso. Os grupos migratórios que deram origem aos povos celtas do Noroeste europeu teriam saído da costa atlântica da Península Ibérica nos finais da última Idade do Gelo e ocupada as terras recém-libertadas da cobertura glacial no Noroeste europeu, expandindo-se depois para as áreas continentais mais distantes do mar.
O geneticista Bryan Sykes confirma esta teoria no seu livro Blood of the Isles (2006), a partir de um estudo efectuado em 2006 pela equipa de geneticistas da Universidade de Oxford. O estudo analisou amostras de ADN recolhidas de 10.000 voluntários[40] do Reino Unido e Irlanda, permitindo concluir que os celtas que habitaram estas terras, — escoceses, galeses e irlandeses —, eram descendentes dos celtas da península Ibérica que migraram para as ilhas Britânicas e Irlanda entre 4.000 e 5.000 a. C.[41][42]
Outro geneticista da Universidade de Oxford, Stephen Oppenheimer, corrobora esta teoria no seu livro "The Origins of the British" (2006). Estes estudos levaram também à conclusão de que os primitivos celtas tiveram a sua origem não na Europa Central, mas entre os povos que se refugiaram na Península Ibérica durante a última Idade do Gelo.[43]
Estudos da Universidade do País de Gales defendem que as inscrições encontradas em estelas no sudoeste da Península Ibérica demonstram que os celtas do País de Gales vieram do sul de Portugal e do sudoeste de Espanha.[44][45]

História

Distribuição dos celtas na Europa.

Teoria centro-europeia

A área verde na imagem sugere a possível extensão da área (proto-)céltica por volta de 1000 a.C.. A área laranja indica a região de nascimento da cultura de La Tène e a área vermelha indica a possível região sob influência céltica por volta de 400 a.C. Vestígios associados à cultura celta remontam a pelo menos 800 a.C., no Sul da Alemanha e no Oeste dos Alpes. Todavia, é muito provável que o grupo étnico celta já estivesse presente na Europa Central há centenas ou milhares de anos antes desse período.
Durante a primeira fase da Idade do Ferro céltica (do século VIII a.C. ao século V a.C.), as sepulturas encontradas pelos arqueólogos indicam o surgimento de uma nova aristocracia e de uma crescente estratificação social. Essa estratificação aprofundou-se a partir do século VI a.C., quando grupos do Norte da Europa e da região oeste dos Alpes entraram em contato comercial com as colónias gregas fundadas no Mediterrâneo Ocidental.
O intercâmbio com os gregos, que chamavam aos celtas indistintamente keltoi, é evidenciado pelas finas peças de cerâmica gregas encontradas nos túmulos. É igualmente provável que os gregos tenham adoptado o costume de armazenar o vinho em vasos de cerâmica após os contactos com os celtas, que já os utilizavam como forma de armazenamento de provisões.

Gália Cisalpina 391-192 a.C.
 
Os objectos inumados das sepulturas comprovam que o comércio dos celtas se estendia a regiões ainda mais afastadas, tendo sido encontradas peças de bronze de origem etrusca e tecidos de seda seguramente oriundos da China.
A partir do século V a.C., verifica-se um deslocamento dos centros urbanos celtas, até então localizados ao longo dos rios Ródano, Saona e Danúbio, evento associado a segunda fase da Idade do Ferro europeia e ao desenvolvimento artístico da cultura La Tène. As sepulturas deste período apresentam armas e carros de combate, embora sejam menos ricas do que as do período pacífico anterior, provavelmente, reflexo da sua fase de maior expansão, quando invadiram o Sul da Europa após 400 a.C..
Em 390 a.C. os celtas invadiram o Norte da península Itálica (Gália Cisalpina) e saquearam Roma. Por volta de 272 a.C., pilharam Delfos na Grécia. As hostes celtas conquistaram territórios na Ásia Menor, nos Balcãs e no norte da Itália, onde o contingente mais numeroso era o dos gauleses.
A partir do século II a.C., os celtas começam a perder território para os povos de língua germânica, e os romanos, pouco a pouco, conseguem dominá-los, o que consolidam a partir de 192 a.C., quando anexam a Gália Cisalpina ao Império Romano.
Os golpes finais na dominância celta ocorrem no século I a.C., quando Júlio César conquista a Gália, e no século I d.C., quando o imperador Cláudio domina a Bretanha. Somente a Irlanda e oNnorte da Escócia, onde viviam os escotos, permaneceram fora da zona de influência directa do Império Romano.

Críticas

Críticos afirmam que não há qualquer evidência linguística, arqueológica ou genética que comprove que as regiões onde se originaram as culturas Hallstatt ou La Tène sejam o local de origem dos povos celtas. Indicam que este conceito deriva de um erro feito pelo historiador Heródoto há 2500 anos, num comentário sobre os celtas, onde os localizava na nascente do rio Danúbio, a qual ele julgava ser perto dos Pirenéus.
Este erro foi depois mais tarde, em fins do século XIX, aproveitado pelo historiador francês Marie Henri d'Arbois de Jubainville para basear a sua teoria de que Heródoto queria dizer que a terra original dos celtas era no sul da Alemanha.[46][47]

Teoria da idade do bronze atlântica

Segundo esta teoria, os celtas teriam origem no Norte e ocidente da Península Ibérica. Baseia-se na evidência histórica, de que Heródoto localizava os celtas na Ibéria e dizia que eram vizinhos dos cónios localizados na atual região do Algarve; na hipótese da língua tartéssica ser uma língua celta, o que indicaria que as línguas celtas se teriam originado na zona atlântica durante a Idade do Bronze; e em evidências genéticas.[48][49][50][51]

Língua e cultura

Ornamento celta da Idade do Ferro (Museu Nacional da Antiguidade, Saint-Germain-en-Laye, França).

Língua

As línguas célticas derivam de dois ramos indo-europeus do grupo denominado centum: o celta-Q (goidélico), mais antigo, do qual derivam o irlandês, o gaélico da Escócia e a língua manx da Ilha de Man, e o celta-P (galo-britânico), falado pelos gauleses e pelos habitantes da Bretanha, cujos descendentes modernos são o galês (do País de Gales) e o bretão (na Bretanha). Os registos mais antigos escritos numa língua celta datam do século VI a.C..[52]
As informações actualmente disponíveis sobre os celtas foram obtidas principalmente através do testemunho dos autores greco-romanos. Isto não permite traçar um quadro completo e imparcial do que foi a realidade quotidiana desses povos.
O chamado "alfabeto das árvores" ou Ogham surgiu apenas por volta de 400 d.C.[53]
Edward Lhuyd identificou em 1707 uma família de línguas ao notar a semelhança entre o irlandês, o bretão, o córnico e o galês e a extinta língua gaulesa, as quais classificou como línguas celtas. Lhuyd justificou o uso da expressão pelo fato de estas pertencerem à mesma família linguística do gaulês e a língua gaulesa e a maioria das tribos gaulesas terem sido chamadas de celtas.[54][55][56][57]
Fontes clássicas e arqueológicas atestam que os celtas faziam uso limitado da escrita. Júlio César, no De Bello Gallico, comentou que os helvécios usavam o alfabeto grego para registar o censo da população e que os druidas se recusavam a registar por escrito os versos, mas que faziam uso do alfabeto grego para as transacções públicas e pessoais.[58] Diodoro disse que nos funerais os gauleses escreviam cartas aos amigos, e atiravam-nas para a pira funerária, como se elas pudessem ser lidas pelos defuntos.[59]Ulpiano determina que os fidei comunis podiam ser escritos em gaulês, entre outras línguas, o que gerou especulações de que no século III esta língua ainda seria escrita e falada.[60]
O alfabeto ibérico foi usado para registar o celtibéro, uma língua celta da Península Ibérica. O alfabeto de Lugano e Sondrio foi usado na Gália Cisalpina e o alfabeto grego na Gália Transalpina. Variações do alfabeto latino foram usadas na península Ibérica e na Gália Transalpina.[61] Estudos colocam a hipótese de haver uma relação entre as inscrições de Glozel e um dialecto celta.[62][63][64]

Cultura

As manifestações artísticas celtas possuem marcante originalidade, embora denotem influências asiáticas e das civilizações do Mediterrâneo (grega, etrusca e romana). Há uma nítida tendência abstrata na decoração de peças, com figuras em espiral, volutas e desenhos geométricos. Entre os objectos inumados, destacam-se peças ricamente adornadas em bronze, prata e ouro, com incisões, relevos e motivos entalhados. A influência da arte celta está ainda presente nas iluminuras medievais irlandesas e em muitas manifestações do folclore do noroeste europeu, na música e arquitectura de boa parte da Europa ocidental. Também muitos dos contos e mitos populares do ocidente europeu têm origem na cultura dos celtas.
Alguns estereótipos modernos e contemporâneos foram associados à cultura dos celtas, como imagens de guerreiros usando capacetes com chifres[65] e ou asas laterais (vide Astérix),[66][67] comemorações de festas com taças feitas de crânios dos inimigos,[68] entre outros. Essas imagens são devidas em parte ao conhecimento divulgado sobre os celtas durante o século XIX.
Diógenes Laércio, na sua obra Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres, comenta que a origem do estudo da filosofia era atribuída aos celtas, (entre outros povos considerados bárbaros). O conhecimento da filosofia era atribuído aos druidas e aos semnóteos (semnothei).[69]
Massália era um conhecido centro de aprendizagem onde os celtas iam aprender a cultura grega, a ler e a escrever.[70][71]
Entre os eruditos da antiguidade de origem celta ou oriundos das regiões celtas são conhecidos Gneu Pompeu Trogo,[72] Marcelo Empírico,[73] Públio Valério Catão,[74] Marco Antônio Gnífon,[75] Cornélio Galo,[76] Rutílio Cláudio Namaciano,[77] Virgílio, Víbio Galo[78] Tito Lívio[79] Cornélio Nepos[80] e Sidônio Apolinário.

Organização social

A rainha Maeve e um druida (ilustração de Stephen Reid para The Boys' Cuchulainn de Eleanor Hull, 1904).
 
A unidade básica da sua organização social era o clã, composto por famílias aparentadas que partilhavam um núcleo de terras agrícolas, mas que mantinham a posse individual do gado que apascentavam.
Com base em estudos efectuados na Irlanda, determinou-se que a sua organização política era dividida em três classes: o rei e os nobres, os homens livres e os servos, artesãos, refugiados e escravos. Este último grupo não possuía direitos políticos. A esta estrutura secular, agregavam-se os sacerdotes (druidas), bardos e ovados, todos com grande influência sobre a sociedade.
Mais recentemente foram apresentadas novas perspectivas sobre a celtização do Noroeste de Portugal e a identidade étnica dos galaicos brácaros .[81] No país, os povoados castrejos do tipo citaniense apresentavam características similares às dos povoados celtas. A citânia de Briteiros é exemplo de um povoado com características celtas, sendo, porém, necessário tomar esta designação no seu sentido lato: isto é - seria o local de habitação das numerosas tribos celtizadas (celtici).[82] Tongóbriga é um sítio arqueológico situado na freguesia de Freixo, também antigo povoado dos galaicos brácaros..[83]

Religião

Série sobre
Mitologia celta
Coventina
Politeísmo celta
Divindades celtas
Mitologia gaélica
Mitologia irlandesa
Mitologia escocesa
Mitologia hébrida
Tuatha Dé Danann
Ciclo mitológico
Ciclo do Ulster
Ciclo Feniano
Ciclo histórico
Mitologia britânica
Religião britânica da Idade do Ferro
Mitologia britânica
Mitologia galesa
Mitologia bretã
Mabinogion
Livro de Taliesin
Trioedd Ynys Prydein
Vocações religiosas
Druidas · Bardos · Ovados
Festivais
Samhain, Calan Gaeaf
Imbolc, Gŵyl Fair
Beltane, Calan Mai
Lughnasadh, Calan Awst
Artigos relacionados
Os celtas exaltavam as forças telúricas expressas nos ritos propiciatórios. A natureza era a expressão máxima da Deusa-Mãe. A divindade máxima era feminina, a Deusa-Mãe, cuja manifestação era a própria natureza e por isso a sociedade celta, embora não fosse matriarcal, mesmo assim a mulher era soberana no domínio das forças da natureza.[84][85] A religião celta era politeísta com características animistas, sendo os ritos quase sempre realizados ao ar livre. Suspeita-se que algumas das suas cerimônias envolviam sacrifícios humanos. O calendário anual possuía várias festas místicas, como o Imbolc e o Belthane, assim como celebrações dos equinócios e solstícios.
Embora se saiba que os celtas adoravam um grande número de divindades, do seu culto hoje pouco se conhece para além de alguns dos nomes. Tendo um fundo animista, a religião celta venerava múltiplas divindades associadas a atividades, fenómenos da natureza e coisas. Entre as divindades contavam-se Tailtiu e Macha, as deusas da natureza, e Epona, a deusa dos cavalos. Entre as divindades masculinas incluíam-se deuses como Goibiniu, o fabricante de cerveja, e Tan Hill, a divindade do fogo. O escritor romano Lucano faz menções a vários deuses celtas, como Taranis, Teutates e Eso, que, curiosamente, não parecem ter sido amplamente adorados ou relevantes.

Cernuno (Museu da Idade Média, Paris).
 
Algumas divindades eram variantes de outras, reflectindo a estrutura tribal e clânica dos povos celtas. A esta complexidade veio juntar-se a plêiade de divindades romanas, criando novas formas e designações. É nesse contexto que a deusa galo-romana dos cavalos, Epona, parece ser uma variante da deusa Rhiannon, adorada em Gales, ou ainda Macha, que era adorada na região do Ulster.
As crenças religiosa dos celtas também originaram muitos dos mitos europeus. Entre os mais conhecidos está o mito de Cernuno, também chamado de Slough Feg ou Cornífero na forma latinizada, comprovadamente um dos mitos mais antigos da Europa ocidental, mas do qual pouco se conhece.
Com a assimilação no Roma, os deuses celtas perderam as suas características originais e passaram a ser identificados com as correspondentes divindades romanas. Posteriormente, com a ascensão do Cristianismo, a Velha Religião foi sendo gradualmente abandonada, sem nunca ter sido totalmente extinta, estando ainda hoje presente em muitos dos cultos de santos e nas crenças populares assimilados no cristianismo.[86]
Com a crescente secularização da sociedade europeia, surgiram movimentos neopagãos pouco expressivos, que buscam a adaptação aos novos tempos das crenças do paganismo antigo, sendo alguns dos principais representantes a wicca e os neodruidas, que, embora contenham alguns elementos celtas, não são célticos, nem representam a cultura do povo celta.
A wicca tem sua origem na obra de ocultistas do século XX, como Gerald Brousseau Gardner e Aleister Crowley. Já o neodruidismo não tem uma fonte única, sendo uma tentativa de reconstruir o druidismo da Antiguidade, tendo a sua estruturação sido iniciada em sociedades secretas da Grã-Bretanha a partir do século XVIII.

Mitologia

Consideram-se três as fontes principais sobre a mitologia celta, os autores greco-romanos, a arqueologia, e os documentos britânicos e irlandeses.
São riquíssimas as narrativas mitológicas celtas, principalmente as transmitidas oralmente em forma de poema, como "O Roubo de Gado em Cooley". Nesta, o herói irlandês Cú Chulainn enfrenta as forças da rainha Maeve para defender o seu condado. Outra narrativa, do Livro das Invasões (Lebor Gabala Erren), conta a lenda dos filhos de Míle Espáine e o seu trajecto até chegarem à Irlanda.
Outros legados dos celtas são as histórias do Ciclo do Rei Artur da Inglaterra e relatos míticos dos quais se originaram os contos de fadas, como, por exemplo, Chapeuzinho Vermelho (onde a menina representa o Sol devorado pela noite do Inverno, ou seja, o lobo).[87]

Figuras históricas

Cidades históricas

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

CONQUEST OF AMERICA - A CONQUISTA DA AMÉRICA

História - Documentários
CONQUEST OF AMERICA - A CONQUISTA DA AMÉRICA
Início do séc. XVII. Os principais personagens, os heróis, os jogos políticos das nações e seus interesses, as aventuras, dificuldades, os conflitos, as civilizações e os povos nativos encontrados. 
Uma mini-série de excelentes documentários, que contém dramatizações históricas apoiadas em diários e documentos históricos Espanhóis e Franceses, assim como recolhas de narrações orais dos nativos Norte Americanos e que nos revelam o que foi a grande aventura da conquista da América. 

Áudio: Castelhano
Fontes: YouTube - Historiando 







A CONQUISTA DA AMÉRICA 1 - O NORDESTE 





A CONQUISTA DA AMÉRICA 2 - O NOROESTE 




A CONQUISTA DA AMÉRICA 3 - SUDOESTE 




A CONQUISTA DA AMÉRICA 4 - SUDESTE 




A Conquista da América

Império Espanhol até 1800
Império Espanhol até 1800
O historiador Carlos Fuentes diz que a América foi muito desejada antes mesmo do seu conhecimento. Ao aportarem em solo americano, os espanhois já traziam atreladas à sua bagagem cultural, ideias imaginadas sobre como seria esse continente, como deveriam procurar riquezas e/ ou fixarem-se nessas terras. Neste post trabalharemos o período da colonização espanhola da América, mais uma das épocas que encontramos na História, permeadas por dominações, massacres e a imposição cultural.
No século XV, enquanto Portugal dominava a circunavegação da África e o comércio com as Índias, a Espanha de Fernando e Isabel de Castela decidiu apoiar e financiar uma aventura temerosa. Cristóvão Colombo, navegador genovês, acreditava que a Terra era redonda e que se seguissem a direção Oeste, chegariam na Ásia.  Em 1488, foi dado o aval para a expedição. Porém, foi em 12 de outubro de 1492, após trinta e três dias de viagem em alto mar, com uma tripulação desconfiada e condições insalubres, que Colombo aportou no atual Caribe, mais especificamente nas Bahamas.
Muitos descrevem essa viagem como desapontadora para a coroa espanhola. Afinal, não chegaram ao Oriente. Contudo, todo o território “descoberto” e explorado pelos espanhois tornava-se sua posse. Isso, além das práticas mercantilistas de acúmulos de metais e monopólios comerciais, fez com que Espanha e Portugal desejassem formalizar acordos para que, no fundo, nenhum ficasse no caminho do outro. Ou seja, mesmo que as riquezas não estivessem tão às vistas logo da chegada das primeiras expedições na América, era inteligente por parte dos espanhois, em querer alguma regulamentação daquelas terras, haja vista a possibilidade de domínio português.
Em 3 de maio de 1493, por intermédio do papa nascido em Valência, Alexandre VI (1431-1503), foi redigida a Bula Inter Coetera, que estabelecia as fronteiras imaginárias dos territórios americanos. Basicamente, a 100 léguas a oeste de Cabo Verde foi traçada uma linha e Portugal possuiria as terras a leste e a Espanha a oeste. Os portugueses alegaram favorecimento aos espanhois e não assinaram a bula. Propuseram, portanto, uma nova linha. Esta estaria a 370 léguas de Cabo Verde, e continuariam com as terras a leste (e a preciosa rota que contornava a África). Para a Espanha não haveria muitas mudanças, já que os territórios descobertos por Colombo ainda lhe pertenceria. Então, em 7 de junho de 1494, foi assinado o Tratado de Tordesilhas.
Tratado de Tordesilhas - 1494
Tratado de Tordesilhas – 1494
Esses são aspectos legalistas da dominação tanto espanhola quanto portuguesa. Vocês podem perceber que não foi mencionado qualquer tipo de ocupação prévia daquelas terras. Isso significa duas coisas: que nem passava pela cabeça dos colonizadores considerar os nativos; e que a dominação foi tão forte, que hoje em dia, possuímos muito mais afinidades culturais com a Europa do que com as civilizações pré-colombianas (denominadas assim porque estavam na América antes de Colombo).
A América seria o local inóspito e maravilhoso imaginado pelos europeus, e conteria uma ambiguidade em seu cerne: de um lado seria o Paraíso na Terra, local de uma pureza humana que não existia mais na Europa, o cenário perfeito para a construção de um império cristão; e de outro, território de costumes pagãos, sociedade em desordem, idolátrica e pecadora, por parte dos nativos. Os europeus desbravadores eram o povo eleito para ocupar e reorganizar essa terra prometida.
No caso da colonização da América Espanhola, no século XVI, várias expedições foram realizadas para tomarem posse do território, que era muito vasto. O modo pelo qual se estabeleceu a dominação, variou muito de região para região, devido, sobretudo, aos habitantes que lá já viviam. Dentre as denominadas três grandes civilizações indígenas, maias, incas e astecas, só as duas últimas sofreram o ataque, pois os maias já haviam sido extintos antes da chegada dos espanhois. Os astecas estavam ao norte, hoje no atual México, e os incas ao sul, atual Peru, mas ambos processos de colonização foram discutidos de maneira parecida pela historiografia, principalmente àquela romântica do século XIX, com a denominação de grandes conquistadores que lideravam o movimento. Foram esses, Hernán Cortés e Francisco Pizarro.
– A conquista do México
Em 1519, Cortés e sua armada aportaram na ilha de Hispaniola (atual República Dominicana), previamente explorada por Colombo. Porém, não permaneceram ali e viajaram para as terras à oeste, que futuramente seria chamada de Yucatán, península no litoral mexicano. No continente, a quantidade de ouro era muito maior do que nas ilhas, um atrativo maior. Essa viagem até tornou-se, acima de tudo, um desejo pessoal muito grande de Cortés, de vencer, de ser o primeiro a chegar a tal lugar. Na imaginação do conquistador, Montezuma reconheceria a superioridade do império do rei Carlos V e se renderia. Não haveria a necessidade de qualquer tipo de batalha, porque ser súdito do rei espanhol e cristão era a única possibilidade que passava em sua mente.
Rota de Cortés
Rota de Cortés
No momento em que Montezuma II soube da chegada do grupo espanhol, ordenou que se retirassem. Os conquistadores, por sua vez, não se aventuraram sozinhos pelo território desconhecido. Vários povos indígenas que já haviam sofrido com a dominação asteca se uniram aos europeus para derrotar seu inimigo maior. O uso de intérpretes por parte dos espanhois foi fundamental para o sucesso na conquista. Ao chegar a Tenochtitlán, Cortés foi acolhido como hóspede, o que corroborou sua ideia de uma conquista pacífica. Existia a crença de que o espanhol seria o retorno de Quetzalcoalt, deus asteca que os guiou para o crescimento e dominação da área, e, naquele momento, exerceria o mesmo papel.
Alguns historiadores dizem que pode ter ocorrido algum tipo de má interpretação, falta de compreensão por ambas as partes. Montezuma não saberia das intenções do espanhois, e estes não perceberam que não estavam sendo muito claros. Pouco tempo depois da sua chegada, Cortés mandou prender Montezuma e o obrigou a reconhecer a superioridade do rei espanhol.
Conquista de Tenochtitlán - século XVIII, autor desconhecido
Conquista de Tenochtitlán – século XVIII, autor desconhecido
Em 1520, durante o curto período de ausência do conquistador, um de seus comandantes deu início a um massacre contra os nobres astecas, com o resultado de quase 2 mil mortos. Foi o início da guerra. O desenvolvimento bélico dos europeus era maior. O uso da pólvora e do canhão surpreendeu aos indígenas, assim como os cavalos, animal não nativo daquele território. Contudo, os nativos se adaptaram. Conheciam o local e passaram a promover ataques noturnos, pegando os espanhois de surpresa e os desafiando em uma terra desconhecida.
Por outro lado, as estratégias militares de Cortés fizeram toda a diferença. Se aproveitando da topografia local, pois Tenochtitlán foi uma cidade que se desenvolveu em cima do lago Texcoco, ligada por diques e pontes às porções de terra, mandou que jogassem no lago os corpos daqueles mortos por doenças como varíola ou mesmo gripe, não conhecidas pelos indígenas, altamente letais e que já tinham dizimado populações na Europa. A contaminação da água e de recursos básicos a partir de uma estratagema biológico foi a gota d’água. E em 1521, a grande capital asteca era de domínio espanhol. Eles planejaram e derrotaram um império estruturado como o asteca, com mais de 25 milhões de pessoas.
Inicialmente, Cortés recebeu condecorações da coroa espanhola, e títulos, como o de Marquês do Vale, além de ter sido nomeado governador e capitão geral. Porém, seu poder, aos poucos, encontrou dificuldade em ser mantido, devido às resistências vindas da própria Corte com suas prerrogativas. Faleceu com as finanças arruinadas em dívidas.
A conquista do México foi um dos maiores eventos históricos, sobretudo pelo choque cultural ocorrido quando europeus e indígenas encontraram-se pela primeira vez. As mudanças desde então foram plurais, tanto para aqueles que tiveram seu território invadido por homens nunca vistos, quanto àqueles que se aventuraram do outro lado do Oceano, num sonho incerto e perigoso. Esse momento histórico foi um período de fronteira, novidade, sobretudo nos estabelecimentos de relações entre os indígenas e os europeus. Os espanhois chegaram nessa terra com um objetivo certo, encontrar ouro, e se depararam com outras relações comerciais que, com o tempo, mostraram-se infrutíferas, como a escravização dos índios.
– A conquista do Peru
Na chamada América andina, a situação foi um pouco diferente. O império Inca foi conquistado por Francisco Pizarro, mas após duas tentativas frustradas. Um dos grandes motivos, além da geografia dificultosa da região, principalmente do Peru e da Bolívia, com seus terrenos entrecortados e a altitude, era a força interna do império Inca. Eles possuíam um sistema político bem hierarquizado e estratificado, encabeçado pela elite nobre, e o imperador era considerado o filho do deus Sol.
Os espanhois chegaram nas fronteiras dos incas em 1528. Já havia ocorrido a conquista do México, então estavam mais preparados sobre o que encontrariam. Nessa época, o imperador era Huayna Capac, que alegava ser da mesma linhagem do legendário Manco Cápac, criador do povo inca. Ele continuou a expansão territorial iniciada pelo seu pai, Tupac Inca, chegando a região do Equador. Ao mesmo tempo em que a supremacia inca era inquestionável, o governo de Huayna Capac passou a sofrer algumas dificuldades. O imperador se apoiava nos seus dois filhos, Tupac Cusi Hualpa, mais conhecido como Huáscar, e Atahualpa, filho ilegítimo. Enquanto o primeiro dominava a região de Cusco, capital inca,  e o segundo, originário de Quito, um dos territórios conquistados por seu pai, manteve-se no local, e contava com o apoio majoritário da armada inca. Em 1531, após disputas internas, Atahualpa tornou-se o imperador. Foi nesse imbróglio que surgiu a figura de Pizarro.
Francisco Pizarro e seus irmãos Gonzalo, Juan e Hernando, receberam permissão da coroa espanhola para conquistar a região andina em 1529. Em 1531, chegaram ao Peru e, assim como ocorreu com Cortés no México, o imperador foi informado. Além disso, os espanhois também passaram como deuses pelo povo quéchua.
Um dos primeiros passos de Pizarro foi solicitar um encontro com Atahualpa em Cajamarca, região onde estava de passagem. Hernando de Soto e Hernando Pizarro foram os emissários destinados a transmitir as prerrogativas do comandante: queriam que o chefe indígena aceitasse a fé cristã e a superioridade do papa e de Carlos V. O imperador concordou e chegou ao local combinado. Lá, foi interpelado por um espanhol a mando do conquistador, que disse suas demandas. Ele discordou. Enfurecidos, os espanhois iniciaram uma batalha sangrenta, que matou boa parte dos acompanhantes e exército inca que acompanhava o imperador, a chamada Batalha de Cajamarca.
Encontro de Francisco Pizarro e Atahualpa – Guamán Poma de Ayala - 1532
Encontro de Francisco Pizarro e Atahualpa – Guamán Poma de Ayala – 1532
Após esse episódio, Atahualpa foi preso pelos espanhois e sua libertação negociada a partir de uma quantidade prata e ouro. Mesmo com o esforço dos incas de reunirem a quantia, o destino do imperador foi o sacrifício. Historiadores questionam qual seria a intenção de Pizarro, se torna-lo refém e mata-lo ou apenas buscava o ouro. Muitos compreendem que o conquistador estava sendo pressionado por seus colegas e comandados a matar Atahualpa e demonstrar a superioridade espanhola. Em 1533, após quase um ano de batalhas e confrontos, as cidades de Cusco e Quito foram tomadas e a conquista terminada.
Sacrifício de Atahualpa - Guamán Poma de Ayala - século XVI
Sacrifício de Atahualpa – Guamán Poma de Ayala – século XVI
A conquista não foi a maior dificuldade dos europeus. O período de estabelecimento da colonização foi extremamente complexo para os espanhois e portugueses que aportaram na América com uma ideia pré-concebida de como dominar, mas eles não contavam com um aspecto fundamental: os indígenas. A cultura asteca, inca e de demais povos, era complexa, estruturada e enraizada naqueles nativos. Cortés e Pizarro tornaram-se figuras míticas, emblemáticas, que marcaram a conquista dos espanhois em territórios inexplorados, período de um dos maiores choques culturais da História: a conquista do Novo Mundo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

OS ENIGMAS DE CRISTÓVÃO COLOMBO - MISTÉRIOS DA NACIONALIDADE

Documentários
OS ENIGMAS DE CRISTÓVÃO COLOMBO - MISTÉRIOS DA NACIONALIDADE E DAS VIAGENS
Todos conhecemos o nome deste personagem da história, mas a sua nacionalidade, continua a ser motivo de grande mistério, fazendo correr muita tinta. Várias nações reclamam para si a nacionalidade deste navegador e descobridor. Várias são também as teses acerca da sua origem. Assim, este blog partiu em busca dos enigmas da nacionalidade de Colombo ou Colón, como lhe chamam os Espanhóis, tentando revelar a sua verdadeira nacionalidade. Mas para além do mistério da sua nacionalidade, Colombo encerra vários outros enigmas, relacionados com a descoberta e a viagem para o Continente Americano, que ele acreditava ser a Índia.
Encontrará aqui vários documentários, que irão sendo actualizados, cada um com  uma teoria diferente acerca da sua nacionalidade, e revelando enigmas históricos ligados ao navegador, sua família e o mistérios das suas viagens.
Ouça, veja e julgue você mesmo, qual a tese que mais lhe pareça assertiva. Em todo caso, ficará a conhecer pormenores acerca da vida e viagens do descobridor das Américas, que aqui lhe serão revelados.

* José Rui Lira

Áudio: Castelhano
Fonte: YouTube






A CLAVE DE CRISTÓVÃO COLOMBO - O NOBRE GALEGO QUE DESCOBRIU A AMÉRICA 
Documentário acerca de uma investigação que defende a tese de que Colombo era de origem Galega.








ENIGMA COLOMBO 
Através duma técnica que se chama o "descarnamento", praticando uma exumação dos restos mortais do navegador, esta investigação tentará revelar o seu passado oculto e o enigma da sua nacionalidade.







A FARSA DE COLOMBO E O DESCOBRIMENTO DA AMÉRICA 
Jacques de Mahieu revela-nos mais uma teoria acerca da nacionalidade e mistérios de Cristóvao Colombo.







O SEGREDO DE CRISTÓVÃO COLOMBO 
Ele relata que não foi um dos eventos mais importantes da história em 1492: a descoberta da América. A determinação e teimosia de um almirante, Cristóvão Colombo, serviu para descobrir um continente até então inexistente. Para fazer isso, Colombo teve de enfrentar tudo e todos, até mesmo sábios e réis. Sua determinação para levar a cabo tal empreendimento é o ponto de partida desta viagem privada. A história que Colombo manteve em segredo.


terça-feira, 8 de novembro de 2016

Tȟašúŋke Witkó - CRAZY HORSE: O GRANDE CHEFE SIOUX

História Nativa Norte Americana
Tȟašúŋke Witkó - CRAZY HORSE: O GRANDE CHEFE SIOUX
Provavelmente já ouviu falar do grande chefe Índio Crazy Horse - Cavalo Louco, ou pelo menos já deve ter visto algum dos filmes Westerns que retratam histórias suas, das suas guerras entre o seu povo e o 7º de Cavalaria do General Custer. O que talvez menos frequentemente se saiba é que este grande guerreiro Sioux, além da sua bravura na guerra, tem também uma história de amor bonita, embora um pouco trágica. Crazy Horse cedo se apaixonou por uma jovem do seu povo, o seu primeiro amor, que apesar de ser correspondido, teve as suas batalhas,pois a jovem foi entregue a outro guerreiro Sioux. Crazy Horse por diversas vezes não se importou em perder o seu elevado status nem em sacrificar a paz da sua tribo para tentar recuperar o seu amor.
Para além desta bela história, também pode ver esclarecida a questão da morte do grande chefe Sioux, pois sobre ela existe uma grande controvérsia até aos dias de hoje.
Assim, proponho-lhes uma viagem sobre a história nativa Norte Americana, neste blog, para lhe revelar Tȟašúŋke Witkó - o nome em língua Lakota de Crazy Horse, o Grande Chefe Sioux. Para isso apresento-lhes aqui um excelente documentário e interessante informação escrita.

* José Rui Lira

Áudio: Espanhol
Texto: Português
Fontes: Historia y Arqueologia - YouTube - Guerreiros Sioux







DOCUMENTÁRIO
QUEM MATOU CAVALO LOUCO ?





A História de Crazy Horse (Cavalo Louco)

 Entre muitos grandes guerreiros Sioux, se destaca Crazy Horse (Cavalo Louco). Vamos aprender um pouco mais sobre essa grande personalidade que nunca deve ser esquecida.

 Crazy Horse (ou Tashunkewitko no idioma original Lakota), nasceu no Rio republicano em 1845. Ele era um homem extraordinariamente belo, dizem que sua estatura era praticamente perfeita. Além disso, ele era modesto e cortês. Crazy Horse era um guerreiro nato. No entanto, ele era um guerreiro gentil, um verdadeiro valente, que representava o ideal mais elevado dos Sioux.


 Na infância de Crazy Horse, os Sioux raramente viam homens brancos. Ele foi cuidadosamente criado de acordo com os costumes tribais. Naquela época, cada conquista dos filhos, por menor que fosse, era digna de uma festa em sua honra. O primeiro passo sozinho, a primeira palavra, a passagem para a masculinidade ou feminilidade, nada passava desapercebido pelos pais carinhosos. Sob tais condições a vida de Crazy Horse começou. Os seus pais trataram de ensiná-lo desde cedo a ter características como generosidade, coragem e abnegação.
 Dizem que, em um inverno rigoroso, quando Crazy Horse ainda era só uma criança, havia pouquíssima comida. Isso porque os búfalos não foram encontrados. Crazy Horse então montou em seu cavalo de estimação e atravessou os campos afim de conseguir alimento. Descobriu-se que os seu seus pais não o haviam autorizado. Crazy Horse conseguiu a comida, mas a mesma acabou sendo repartida com as outras famílias da aldeia. No final, restou só o suficiente para duas refeições.

 Crazy Horse amava cavalos, e ganhou um do seu pai quando ainda era bem jovem. Ele era um excelente cavaleiro e acompanhou várias vezes o seu pai na caça de búfalos e tornou-se também um ótimo caçador.

 Crazy Horse tinha um irmão mais novo a quem ele amava muito. Dizem que, em certa ocasião, ele salvou o irmão de um urso, lutando com o animal até que ele recuasse.

 Aos 16 anos, ele se juntou a um poderoso grupo de guerra. Nas batalhas ele se mostrava um companheiro determinado que arriscou a própria vida para salvar a dos seus amigos.

 Devido ao seu excelente desempenho nas batalhas e suas muitas vitórias contra tribos inimigas, Crazy Horse foi considerado um herói indígena.

 Foi-se observado também que ele, mesmo tendo a chance, muitas vezes se absteve de matar e apenas golpeou o inimigo.

 Em certa batalha liderada por Crazy Horse, ele perdeu o irmão tão amado quando ele foi derrubado do cavalo e morto.

 Conta-se que em um inverno, Crazy Horse matou dez búfalos. Quando os caçadores voltaram, estes vieram cantando canções de agradecimento.

 Ele atingiu a maioridade quando já havia conflitos entre os Sioux e os homens brancos. Entretanto, ele nunca tinha lutado com os brancos até o momento, e certamente nenhum golpe ainda havia sido contado ou escalpelamento de um deles.

 Crazy Horse tinha 21 anos quanto todos os chefes Sioux se reuniram e decidiram defender uma forte resistência contra os invasores brancos. Crazy Horse não tomou parte na discussão do Conselho. Apesar de tão jovem, ele já era um líder entre eles.

 O ataque ao forte Phil Kearny foi o primeiro fruto da nova política, e aqui Crazy Horse foi escolhido para liderar o ataque aos lenhadores, destinados a chamar soldados para fora do forte enquanto um exército de seiscentos índios estavam a sua espera. O sucesso dessa estrategema foi reforçado por sua manipulação magistral dos homens. A partir desde momento um guerra iniciava. Touro Sentado (Chefe Sioux) olhou para Crazy Horse como um líder de guerra, e até os chefes Cheyenne, aliados dos Sioux, praticamente admitiram a sua liderança.

 Crazy Horse era um homem de ações e não de palavras. Ele foi um membro do Coração Forte e de muitas outras sociedades guerreiras.

 Foram inúmeras as vitórias de Crazy Horse no campo de batalha. Até mesmo os soldados brancos foram obrigados a reconhecerem por diversas vezes a excelente e notável habilidade desse guerreiro.

 Por volta de 1877, entretanto, Crazy Horse foi pego em uma armadilha dos soldados americanos. Eles o mantiveram preso, com as mãos atadas. Crazy Horse então disse para aqueles homens: "Deixe-me ir! Deixe-me morrer lutando!". Ele então tentou pegar a sua faca para se soltar, mas foi bruscamente impedido pelos soldados. Ele começou a lutar, e foi aí que um soldado o traspassou com a sua baioneta. A ferida foi mortal, e ele morreu no decorrer da noite.

 Crazy Horse morreu com apenas 33 anos de idade, no Forte Robinson, Nebraska, em 1877. O seu pai, cantando uma canção de morte, carregou o corpo, que segundo os Sioux não deveria mais ser poluído pelo toque de um homem branco.

 Assim morreu um dos mais hábeis e verdadeiros índios americanos. Sua vida era o ideal, seu registro limpo. Essa é com certeza uma personalidade que deve ser lembrada por infinitas gerações. Crazy Horse foi um exemplo para todos nós. São pessoas assim que dão um verdadeiro sentido a palavra GUERREIRO.



sábado, 5 de novembro de 2016

O CAMINHO DE FERRO IMPOSSÍVEL

Documentários
O CAMINHO DE FERRO IMPOSSÍVEL
Este é um documentário excepcional com grande beleza de paisagens e riqueza histórica, exibido a 2 de Janeiro de 2016 na RTP 2 intitulado "O caminho de ferro impossível". É-nos apresentada a história da Linha do Douro e sua extensão em Espanha até Salamanca. Na parte final, é apresentado um grupo de entusiastas desta linha, que lutam pela sua reabertura: a associação Tod@via! Os The Brave Ones participaram também na sua produção.
Pretende-se consciencializar as pessoas para a luta pela manutenção e aproveitamento da Linha do Douro.

Áudio: Português 
Fonte: RTP 2 - YouTube





DOCUMENTÁRIO:




quinta-feira, 3 de novembro de 2016

MOTÖRHEAD - POR DETRÁS DA MÚSICA

Documentários
MOTÖRHEAD - POR DETRÁS DA MÚSICA
Motörhead foi uma banda inglesa de heavy metal, formada em Junho de 1975 pelo baixista, cantor e compositor Ian Fraser Kilmister, conhecido profissionalmente por Lemmy, sendo o líder e membro constante da banda até sua morte em 2015.Uma simbólica homenagem deste blog a Lemmy Kilmister, membro da banda que recentemente faleceu. Um documentário impactante que demonstra bem a luta de alguns músicos e bandas para vencerem no mundo da música.
Com imagens de arquivos e entrevistas, o programa "Motörhead - Behind The Music Remastered" aqui apresentado neste documentário, revelanos a história da banda britânica liderada por Lemmy Kilmister. Com mais de 40 anos de carreira, os Motörhead conquistaram o seu espaço na história do rock.
Entre os entrevistados, estão nomes como Ozzy Osbourne , Dave Grohl , Lars Ulrich (Metallica) e Robert Trujillo, bem como entrevistas com a formação actual dos Motörhead (Phil Campbell e Mikkey Dee) e, naturalmente, a formação clássica da banda, com "Fast" Eddie Clarke e Philip "Filthy Animal" Taylor.


Áudio: Inglês 
Legendas: Português 
Fonte: YouTube 





DOCUMENTÁRIO:




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